Por Fabrício Carpinejar
Somos educados com estranhos. A ironia é que não somos educados com quem amamos.
Parece que amar é perder o freio da língua, que deixamos de medir as expressões quando estamos à vontade na cozinha, de abrigo e havaiana, conversando com a família, que intimidade é o antônimo de formalidade.
Existe a mania de entender que a convivência traz a possibilidade de falar qualquer coisa a qualquer hora. Conferimos licença para grosserias sob alegação de espontaneidade.
A preguiça atrofia o amadurecimento, abandonar o cumprimento e o agradecimento traduz um completo desprezo a todos que nos acompanham. É também um sinal de pouca humildade, já que nos sentimos superiores a ponto de nem olhar para os lados.
Não acredito que um filho respeitará o pai se não adotar “com licença” e “obrigado” dentro do lar. Nunca abdiquei, por exemplo, do costume de solicitar a bênção para a mãe no momento em que me despeço dela – baixo a cabeça em obediência aos mais velhos e ofereço a minha testa para receber a sua proteção.
A gentileza começa com o dever de casa e se estende aos demais. Quem abdica da cordialidade com a família jamais será genuinamente afetuoso nem absorverá o sábio rigor do silêncio e a pausa de reflexão diante dos erros cometidos.
O rancor surge da falta de controle. A agressividade emerge da ansiedade.
A educação é pensar duas vezes antes de fazer uma bobagem, representa um intervalo entre os impulsos para organizar a emoção. Ela renova o alvará da rotina, reconhecendo o valor daquilo que se tem.
Educação não é frieza, não é censura, mas proteção para não machucar e ferir os mais próximos.
Desfaz mal-entendidos com a paciência da linguagem. Equivale à uma fisioterapia da alma, quando as palavras se apoiam nas barras do cavalheirismo para fortalecer as longas pernas da verdade.
Não canso de avisar de meus movimentos e retribuir os outros pela preocupação comigo.
Não há dia em que não diga “bom dia” para a minha mulher, mesmo que seja redundante.
Não há noite em que não diga “boa noite” para a minha mulher, apesar de dormir e despertar sempre com ela. A qualquer pedido que faço, reitero o “por favor”. É para alcançar o sal ou o controle da tevê. Ela não tem obrigação nenhuma em me atender, trata-se de um agrado a ser recompensado igualmente com o meu capricho.
Não é porque nos conhecemos que dispensarei o cuidado. Até porque o tempo de casamento não torna ninguém resistente, somos mais frágeis e vulneráveis quanto mais nos entregamos
Fonte: Carpinejar
Nos dias de hoje, os hobbies online fazem cada vez mais parte da rotina de…
Durante muito tempo, os jogos online foram vistos apenas como uma forma de entretenimento leve,…
O futebol sempre foi emoção, imprevisibilidade e paixão. Durante muito tempo, o papel do adepto…
No universo das apostas desportivas, compreender o mercado é tão importante quanto escolher um bom…
Psicóloga em Socorro (SP): Josie Conti atende presencial e online com EMDR e psicoterapia psicodinâmica.
Entrar no mundo do casino online pode parecer simples à primeira vista, mas quem quer…
View Comments
Fabrício Carpinejar, obrigada de coração pelos seus belíssimos textos que me encantam.
Um abraço para si e a sua esposa.