Por Alan Lima
Quando os olhos se apaixonam ficam mais unidos, procuram o mesmo alvo. Querem ver quem os fez sentirem mais vida. Passam a comandar o resto do corpo. Ordenam que as pernas se apressem porque logo a observada chegará.
Se ela não vem, invocam a imaginação e fazem a cabeça ignorar o presente, enxergam apenas a imagem imponente da saudade.
Se ela chega, tornam-se brilhantes atores. Sobem no palco, cantam, dançam, formam o mais misterioso espetáculo da Terra. Digo misterioso. Porque por vezes ninguém notará que os olhos estão tentando deixá-la bem.
Ao contrário das mãos, quando os olhos se apaixonam ficam alegres sem precisar tocar a observada. Sabem eles de suas limitações. Jamais poderão abraçá-la, beijá-la, porém orgulham-se de serem os únicos capazes de percebê-la.
Por isso, o corpo inteiro fica esperando a opinião dos olhos. Eles são quem dizem se ela corresponde, a partir de dados extremamente relevantes. Como a curvinha da testa, o ajeitar do cabelo, e talvez o mais instigante; o olhar dela.
Porque cada olho, lá no fundo, apaixona-se mesmo é por outro olho. Busca em outras retinas a inspiração de suas visões profundas.
Temos coisas demais para observar, dois olhos são insuficientes. Na faculdade, em casa, no trabalho, nos relacionamos com inúmeros globos oculares.
Tudo para não deixarmos a vista cansar, descansamos em vários outros olhares.
E entre tantos surge um que irá te atrair. Nele está algo que você quer conhecer e talvez nem saiba o que seja. Os olhos, estes danados, se apaixonam e não nos explicam nada.
Sem entender muito, fugimos. Fazendo-os se irritarem, ao ponto de chorarem ou recusarem-se a abrir. Fecham-se em protesto.
Mas ah… Quando eles são correspondidos. Ficam abestados. Viram duas criancinhas contentes.
Sorriem mais bonito que os dentes.
Não reclame caso os seus donos se juntem, a ponto de parecer que quatro olhos viraram um. Pois é assim, meu bem.
Quando os olhos se apaixonam tomam conta da gente.
Uma coisa que eu amo em viajar é que quando saímos do cenário habitual, conseguimos…
Andei afastada de mim. Sem energia e desconfiada de minhas percepções, do modo como me…
No final de Comer, Rezar, Amar, Liz Gilbert diz: “Eu escolhi a minha palavra: Attraversiamo. Significa: ‘vamos…
Após assistir ao filme "A vida de Chuck", inspirado em um conto de Stephen King,…
Nos dias de hoje, os hobbies online fazem cada vez mais parte da rotina de…
Durante muito tempo, os jogos online foram vistos apenas como uma forma de entretenimento leve,…
View Comments
A forma mais simples e completa da paixão : um olhar !!
Texto lindo , parabens :D
Lindo texto, os olhos veem coisas que a gente nem imagina. Parabéns pela sensibilidade poética.