Por Lucy Rocha

O PRÍNCIPE ENCANTADO – FASE DA IDEALIZAÇÃO

Idealização, Desvalorização e Descarte: as três palavras mais terríveis para qualquer um que já tenha se envolvido no ciclo de uma relação com um sociopata narcisista ou antissocial.

No início de seu relacionamento ele era tudo o que você sempre quis? O príncipe encantado com quem um dia você sonhou e quando acordou, lá estava ele aos seus pés? Aposto que ele era. Era todo carinho e adoração? Sua atenção, seu tempo, seu interesse, tudo para era você? As surpresas inesperadas, os elogios constantes que faziam com que você se sentisse linda e muito especial? Ele parecia genuinamente ouvir o que você tinha a dizer? Horas conversando… e de repente, você achou sua alma gêmea, seu melhor amigo e o amante mais cuidadoso? Tenho certeza que sim!

Os sociopatas narcisistas e antissocias são mestres absolutos do charme e manipulação. Eles têm a incrível capacidade de ser exatamente o reflexo daquilo que você deseja, quer e precisa. Mas não se engane, o sociopata não se importa com você. Nada daquilo que você vê é real. É tudo desenhado para a conveniência dele e para que ele consiga adentrar suas defesas, limites e espaço pessoal, tomando o controle de seu tempo, de sua atenção, de sua vida. Esse sonho tem um prazo de duração e quem determina esse prazo é ele.

No início do relacionamento com um sociopata, todas as emoções normais de euforia que se sente quando se inicia um novo relacionamento estão lá. No entanto, ainda que tudo esteja perfeito, tem sempre algo estranho sobre ele que não se encaixa, que você não entende bem o que, mas decide ignorar para continuar vivendo o sonho. 

Uma vez que o sociopata percebe que você pode ser uma fonte viável de suprimento narcísico, investirá em você tão rápido, tão alto e com tanta força que você não vai saber o que a atingiu. Você mal acreditará quanto esta pessoa parece estar apaixonada por você. Seu charme e constante afeto não são como nada que você já tenha experimentado antes. Ele realmente parece bom demais para ser verdade…

A idealização é a primeira fase neste ciclo surreal constante que é a relação com sociopatas. É a “fase do pedestal “, isto é, você é posta na posição de uma deusa, e ele parece tão sincero, faz com que você se sinta tão bem e produza tantas daquelas endorfinas da paixão, que logo você fica dependente . Ele demanda seu cuidado e atenção constantes, despertando em você a empatia e seu lado maternal.

Nessa fase ele moveria montanhas para sua felicidade. Ele ama tudo sobre você e faz questão que você saiba disso. O contato com você é constante. Faz planos, quer te ver, ouvir sua voz mesmo que seja para um simples “oi”. “Desfila” com você para os amigos e quem sabe até para sua família, como se você fosse um troféu do qual ele está orgulhoso. E você lá, deslumbrada com toda essa atenção que nunca recebeu de ninguém. Por ele, você começa a dizer a si mesma que tudo vale a pena e… logo colocará isso em prática…

Vocês se conhecem há pouco tempo, mas já parece anos. Tudo se move rápido com ele. É comum o sociopata falar rapidamente de casamento, filhos e tudo que ele, estudando você, saiba que você quer ouvir. Como são irresponsáveis, inconsequentes e não sentem qualquer culpa ou remorso, dirão essas coisas mesmo sem nenhuma intenção de concretizá-las. Ainda que cheguem a concretizar algo, viram as costas para essas coisas sem nenhuma cerimônia. Mas isso só acontece mais tarde…quando já atingiram todos os seus objetivos obscuros.

Na fase da idealização estamos só no começo. Nessa fase parece que ele não se cansa de você, certo? Errado! Ele pode e ele vai se cansar. Logo. Uma vez que o narcisista percebe que a “comida dele está no anzol”, ele começa a enrolar a linha para trazer sua presa para suas mãos. E é aqui que começa o verdadeiro pesadelo.

PRÍNCIPE OU SAPO? – FASE DA DESVALORIZAÇÃO

Desvalorização é a segunda fase do ciclo que compõe a relação com sociopatas, em especial, o narcisista . Eu, pessoalmente, não estou bem certa de qual fase é pior, a desvalorização ou o descarte. Ambas são terríveis. 

Agora que você está viciada em toda a atenção, romantismo e bombardeamento amoroso que vêm em sua direção com grande intensidade e rapidez na fase da IDEALIZAÇÃO prepare-se porque é hora de conhecer o homem (ou a mulher) com quem você está realmente.

O narcisista tem dois métodos para fazer o outro se sentir abaixo de zero: ele pode destruir de forma rápida e brusca o pedestal sob seus pés, desaparecendo no nada como se você nunca tivesse existido, sem dar a mínima explicação e comodamente reaparecer como se nada fosse ou…fazer isso de forma lenta, insidiosa e cruel. É quando escolhe esta segunda técnica de desvalorização que ele mina sua autoestima, corrói sua identidade, desdenha de seus sonhos e conquistas, aponta de forma cruel seus defeitos, isola-a do mundo acusando a todos, levanta contra você suspeitas daquilo que você não fez, alterna sua cara amarrada e mal humor com pequenos gestos de doçura (de modo que não perca o controle sobre você), enfim, lhe faz provar um doce-amargo constante e infernal, de modo que você passa a ter diante de si alguém que você “ama”, mas que estranhamente lhe entristece a maior parte do tempo. 

Ele fará isso com tudo o que ele tem em seu arsenal. Seu arsenal é bem abastecido. Abastecido com seu ódio, raiva e incapacidade de assumir a responsabilidade por qualquer de suas ações ou receios. Sempre com raiva, busca culpar qualquer um além de si mesmo por tudo que não dá certo ou que lhe desagrada. Ele nunca fez nada. Ele é a vítima. Não importa quanto você o venere, obedeça, ceda ou concorde, você sempre fez algo terrível que “o magoou profundamente e que justifica os seus mau tratos”… 

Pesquisas mostram que a maior parte dos narcisistas desenvolvem seu transtorno no início da adolescência e também na infância, quando não conseguem desenvolver bem o superego. Muitas vezes, é um resultado direto de abuso ou negligência. Outras, resultado de uma vida sem limites por parte dos cuidadores. Principalmente, se não quase sempre, por parte da mãe. 

Mas, pare! Eu sei no que você está pensando: Não, você NÃO pode ajudá-lo. Quem se envolve com alguém assim precisa de mais ajuda do que ele. Você não pode ajudá-lo pelo simples motivo que ele não acredita que haja algo errado com ele. O problema “está com você”. No final você será difamada como louca, perseguidora, fútil, interesseira, etc. Você será o que na verdade ele é e por isso projetará TUDO em você.

Na verdade, o narcisista é um grande impostor que projeta uma imagem charmosa e perfeita. Mas sua incapacidade de manter a máscara, permite que você enxergue rapidamente ver quem ele realmente é. E se você não ignorar seus instintos, é claro…

Sua própria turbulência interna , baixa autoestima (ao contrário da crença popular, narcisista não têm a autoestima elevada que mostra ao mundo ) e medo de abandono, faz com que o narcisista abandone as pessoas com grande facilidade. Isso não deixa de ser um mecanismo de defesa contra aquilo que no fundo, teme. Ah, e não, não adiante assegurar-lhe que você não vai abandoná-lo. Isso só vai enfurecê-lo, mostrar quanto você é submissa e fraca. Na verdade isso mostra que você tem para dar um amor que ele não tem e isso faz com ele se sinta inferior e inadequado. Não é o seu abandono que ele teme. É o da mãe (que está no passado, mas que o assombra) e isso, você não pode mudar. Não, nem mesmo com todo o amor do mundo. Na verdade, sua busca é receber amor de seu objeto primário (a mãe), o que nunca ocorrerá porque o tempo em que essa ferida se abriu está lá na infância, impossível de se resgatar na fase adulta quando se trata de narcisistas e antissociais.

Na fase de desvalorização, o que ele antes achava incrível sobre você agora se torna veneno. Assim, lançará farpas sobre você sem nenhuma razão aparente. É o momento de destruir em você tudo o que ele admira e que sabe não possuir. Isso faz imensa confusão na cabeça das vítimas. Elas são incapazes de compreender por quê isso acontece . Como você poderia ser amado num minuto e tão ferozmente detestado no próximo?

É nessa fase que o narcisista vai usar tudo o que você confidenciou-lhe, contra você. Lembre-se: o narcisista é um predador e sua presa é bem dimensionada na fase de idealização . Todo o tempo que ele escutou você tão atentamente, espremendo mais e mais informações sobre a sua vida, seu passado e seus objetivos atuais e futuros…lamento em informar: ele estava apenas observando, estudando você… e essa pesquisa culminará com a sua destruição final e devastadora, basta você permitir.

Ele passa a criticar tudo sobre você , desde a maneira de olhar, rir , dormir, comer, se vestir, se relacionar com os outros, sua família, seus amigos, tudo será alvo de críticas. Críticas abertas ou veladas. Algumas vezes escrachadas outras travestidas de “eu só estava brincando”… Ele pode vir a público e criticá-lo severamente ou pode fazê-lo muito sorrateiramente, tentando disfarçar como se ele só quisesse ajudar… Ele não ajuda e não ajudará jamais. Jamais será o companheiro que você sonhou. 

Se você for do tipo questionadora, que capta quando há maldade, ele vai devolver para você com sua especialidade: o tratamento silencioso. Uma agressividade passiva, um “silêncio ensurdecedor” que acusa você sem sequer uma palavra. É um de seus métodos mais cruéis e mais utilizados contra suas vítimas mais inteligentes e questionadoras. Ele não consegue argumentar seu comportamento completamente desequilibrado então fica calado, castigando, insinuando que você está tão errada que não vale a pena nem dirigir-lhe a palavra! Diga lá: São mestres ou não em manipulação?

Aos poucos o narcisista separa-se emocionalmente de você. Isso faz com que você se pergunte o que fez de errado e inicie uma maratona para “compensá-lo” e trazer a relação para a primeira fase. A resposta é mais distanciamento e indiferença. Ele sabe bem o que está fazendo. Passa a dar desculpas para gastar menos tempo com você, chegar tarde em casa, não aparecer, não dar sinal por dias. 

Nesta fase você terá pequenas pausas em que será bem tratada. Isso acontece quando ele percebe que você está se distanciando, andando com as próprias pernas, desligando-se do abuso. Ele não quer que você se vá antes que ele esteja pronto para descartá-la e, para evitar isso, vez ou outra se apresentará com a máscara do começo. E isso só causa mais confusão emocional, a não ser, é claro, que você já entenda com quem está lidando. Se já entende, esta é sua chance de cair fora antes de ser massacrada. Você será, basta esperar.

De repente, o seu trabalho torna-se engolir abuso, humilhações, abandono e choro . O que o narcisista está fazendo com você é a DESVALORIZAÇÃO propriamente dita. Ele faz isso porque é irremediavelmente machucado por dentro. Um verdadeiro zumbi moderno, vazio de outra coisa senão instintos mais primitivos e gratificações instantâneas. Ele faz isso porque realmente não está disposto a fazer tudo o que é necessário para manter seu suprimento narcísico (você). Ele precisa de suprimento narcísico (atenção, dedicação, adoração, subserviência, sexo, etc) como uma droga. Ele quer agora e não quer trabalhar por isso. Ele sabe disso e se ressente.

O narcisista se cansa muito facilmente e, como qualquer viciado em drogas, precisa de mais e mais a cada vez para manter “seu barato”. Quando a euforia sentida no início de qualquer relacionamento acaba, uma vez que está provado que surge de substâncias químicas no cérebro, ele simplesmente se entedia e se enfurece. Sabe que o problema está com ele, mas projetará culpas imaginárias sobre você para não ter que lidar com sua superficialidade, além ter uma desculpa para partir para a próxima vítima que lhe dê suprimento novo, sem parecer o vilão da história.

As pessoas saudáveis, durante a química da paixão, podem desenvolver outras ligações, respeito pelos limites do outro e outros sentimentos que criam laços mais profundos, substituindo a paixão química. Há desenvolvimento de uma relação saudável onde ambos mantêm sua autonomia como indivíduos. Então esqueça: Você jamais terá isso com um narcisista patológico. Ele não permitirá que tais laços se estabeleçam. Ele olha para as pessoas nesses relacionamentos como fracos, submissos ou patéticos. Isso ocorre porque alguns estágios emocionais e de desenvolvimento do narcisista foram atrofiados na infância ou adolescência por algum evento traumático, ainda que esse trauma seja uma mera percepção dele de um determinado fato. É claro que nem todo mundo que experimenta traumas de infância desenvolve Transtorno de Personalidade Narcisista. 

Então acredite, na desvalorização o que ele deseja é destruir sua mente, seu brilho, sua energia vital, pelo simples fato de que ele se ressente de sua dependência por você, e é através da desvalorização que ele conseguirá colocá-la na posição de dependente, de modo a sentir-se um pouco melhor. Quem chegou a esse ponto deve preparar-se para o golpe final: O DESCARTE

DO CASTELO À LATA DO LIXO – FASE DO DESCARTE

O DESCARTE é a terceira e última fase da experiência traumatizante e dolorosa que é o encontro com um sociopata narcisista. Prepare-se, pois é nessa fase que você vai vê-lo completamente sem máscara, numa versão diabólica que você nunca pensou em associar àquele anjo imaculado que você conheceu e que lhe deu tanta lição de moral e bons costumes ao longo de toda relação.

Quando ele tiver rasgado você ao meio e arrastado seus pedaços para as profundezas do inferno com suas agressões verbais, sua humilhações, suas mentiras, traições, inversões, projeções e, em muitos casos, atos de violência física , ele vai descartar você. 

Assim que ele tiver sugado por completo sua energia vital, deixando-a esvaziada de alegria de viver, autoestima, amor próprio, autorrespeito e dignidade, ele vai jogá-la fora com crueldade e sangue frio. Simples assim, como se você um pedaço de papel sujo. Papel higiênico que ele usou para se livrar de sua sujeira, constantemente projetada sobre você. Só então ele estará pronto para descartá-la.

Durante a fase de desvalorização, a vítima tenta incansavelmente descobrir o que fez de errado para que seu parceiro tão perfeito do início se voltasse contra ela de forma tão furiosa. Ao longo da fase de desvalorização, o sociopata deixa bem claro que tudo foi culpa sua. TUDO. Ao final, a vítima está cansada, reprimida, deprimida e oprimida. A este ponto provavelmente já se tornou tão isolada que tem pouca ou nenhuma vida social. Enquanto ele a encantava com carinho e atenção ímpar, sorrateiramente exigia seu afastamento dos hobbies, amigos, familiares e colegas. Ora mantendo-a ocupada (e distraída) com atenção constante, ora castigando-a com mau humor e tratamento silencioso de modo que, aos poucos, você começa a evitar as condutas que desagradam o parceiro “tão apaixonado”.

Em um piscar de olhos você está distante de tudo e de todos que possam ser para o sociopata uma ameaça. Qualquer coisa que receba seu carinho e atenção, não é bom para você e, logo, deve ser eliminado. Sua vida e interesses devem ser dedicados exclusivamente a ele. Ele nunca diz isso abertamente. Conduz sua vítima a isso, através de manipulações, vitimizações, acusações e mentiras. E assim foi, sem você perceber.

O sociopata consegue isolar e degradar a identidade e autoestima da vítima para igualar à sua. Esvaziada, de joelhos, completamente perdida e sem vida própria, a vítima já não tem para fornecer qualquer suprimento narcísico (adoração, atenção, sexo, presentes, etc) e aí chega o momento em que ele vai descartá-la sem olhar para trás, como se nunca tivesse existido. Aquele amor eterno prometido, os planos grandiosos para o futuro, tudo se perde no nada. É como se nunca tivesse acontecido e a naturalidade com a qual ele faz isso vai deixá-la confusa, machucada, humilhada e sem vontade de acordar de manhã. Mas escreva minhas palavras: Ele nunca vai deixá-la a menos que já tenha garantido uma nova fonte de suprimento narcísico. Leia de novo. NUNCA. Pode não ser uma amante. Pode ser qualquer coisa (carro novo, consumismo, viagens, etc), novos amigos, velhos amigos, ex, qualquer coisa que naquele momento o sociopata narcisista perceba ser uma maior ou melhor fonte de suprimento narcísico. 

Incapaz de viver luto por perdas e de passar períodos sozinho, ele está sempre à procura de uma melhor “alimentação”. Sempre. Ao afastar-se e observá-lo de longe, você se verá diante de alguém promíscuo, que troca de parceiro com a naturalidade de quem troca de roupas. Você testemunhará futilidades absurdas em seus costumes consumistas. Você ouvirá mentiras a seu respeito. Você se encontrará muitas vezes perguntando: “quem é essa pessoa?” “como pode ser a mesma que um dia me fez tão feliz?”. Não se torture mais. Você conheceu um ilusionista talentoso que não conhece escrúpulos nem limites para tirar de suas vítimas o que mais lhe convém, ainda que para isso tenha que lhe prometer, sem nenhum pudor, um mundo maravilhoso e cor de rosa que, de repente, se transforma num lugar frio, tenebroso e escuro, onde você não significada NADA.

O sociopata narcisista é oportunista na essência. Quando o tempo com você não for mais conveniente ou não servir mais aos seus propósitos, ele dará seu golpe final e desaparecerá. Se seu contato era telefônico, não atenderá mais. Se você insistir de outro número em busca desesperada por uma razão de tudo aquilo, vai humilhá-la da pior forma possível ou simplesmente dizer que você ligou para o número errado!

Se ele mora com você, vai arrumar as malas e sumir, quer dando-lhe o tratamento do silêncio, quer tendo um ataque de fúria (por culpa sua, é claro) ou com um “combo” de desvalorização mortal, no qual juntará todas as suas técnicas de descarte e soltará sobre sua cabeça como uma pedra gigantesca que vai te esmagar como a uma formiga. Seja como for, ele vai sair de sua vida, sem encerramento, sem explicação, sem nada, deixando para você apenas dúvidas, culpa e muita dor.

E não se iluda, porque mesmo longe ele fará de tudo para sujar seu nome entre aqueles que conhecem o casal. As mentiras e histórias hollywoodianas protagonizadas pela vítima que era “louca” e que “não tinha vida própria” e que “o sufocava” serão contadas repetidas vezes e, não raro, conseguirão uma legião de simpatizantes que se compadecerão de seu “sofrimento”. 

Apesar de ser revoltante o sentimento de injustiça, o segredo é não reagir e aguardar. Como não conseguem manter máscaras por muito tempo, rapidamente suas ações passam a depor contra suas palavras e as pessoas, por si só, compreendem quem era a vítima e quem era o vilão. Reagir só vai fazer com que pareça que ele tem razão ao chamá-la de louca. Nesta fase é preciso focar em si e evitar contato com informações sobre essa pessoa que não tinha e jamais terá algo valioso para lhe oferecer. Seu encontro com ele foi uma fatalidade. Aprenda o que puder desta experiência e siga com dignidade. Não insista atrás de explicação e siga em frente, pois se você insistir, pode piorar e muito. A explicação é simples: você se envolveu com um transtornado mental. Ponto final.

Após o DESCARTE, se ele voltar (E ELE VAI VOLTAR) e você aceita-lo de volta, passada a lua de mel, você estará diante do ciclo LAVA, ENXÁGUA, USA, JOGA FORA E REPETE. Até quando ELE não quiser mais. Sim. Eles sempre voltam e o fazem por diversos motivos. Voltam essencialmente para ter certeza que ainda tem controle sobre suas vítimas. Voltam para machucar a vítima atual. Voltam porque têm certeza que você ainda os espera. Voltam porque são obcecados e veem suas vítimas como posse. Voltam porque perceberam que sua vida foi adiante sem eles e isso é inadmissível. Voltam porque ao vê-la melhor, percebem-na como fonte nova de suprimento e querem novamente sugá-la.

Se tiver sido você a deixá-lo, fará stalking, a perseguirá prometendo amor eterno, dizendo tudo aquilo que sabe que você deseja ouvir, falará de casamento, filhos e se apresentará em sua melhor versão. Será tudo o que você um dia sonhou. Ele voltará “mudado”. Graças a você ele “entendeu muitas coisas”. Mas se você me perguntar se neste momento ele merece uma segunda chance, lhe digo sem medo de errar: Aceitá-lo de volta é voltar à primeira fase sim, aquela maravilhosa da IDEALIZAÇÃO, mas sem esquecer que logo em seguida você deverá enfrentar a DESVALORIZAÇÃO e o DESCARTE, reinserindo-se num ciclo vicioso, mortal e sem fim do qual SOMENTE VOCÊ sairá prejudicada.

Para ler mais textos de Lucy Rocha acesse Relações Tóxicas.

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A Soma de Todos Afetos
Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

12 COMENTÁRIOS

  1. Quero deixar registrado meu agradecimento a Fabiola Simões , a toda equipe !!!!! A Soma de todos os afetos me ajudou e me ajuda muito !!!! Nunca entendi , nunca enxerguei certas coisas que entendo e enxergo agora ao ler os textos que publicam … Deus abençoe a todos vocês !!!

  2. Esse texto retrata EXATAMENTE o q vivi a alguns meses atrás. Fiquei impressionado c a capacidade desta profissional em descrever o perfil do narcisista e a sequência do processo e dos acontecimentos.

  3. Como pode se encaixar perfeitamente em tudo que vivi, faz um mês que fui descartado, e a pessoa já está com outro, foi exatamente isso. Estou passando por um momento de dor muito forte. Foram 3 anos de manipulação emocional, estou me sentindo um objeto, usado e descartado. Que triste!!!

  4. Nossa, assim como os comentários acima, estou perplexo. Conhecia a dita cuja há 5 meses em um bar. Logo no início tivemos uma química que eu, particularmente, nunca havia sentido. O tempo foi passando e nosso envolvimento crescendo de forma exponencial. Por ela morar em São Paulo e o no Rio de Janeiro só conseguíamos nos ver em fins de semana, feriados etc. Ela costumava vir mais ao Rio devido a estrutura que tenho aqui, conforto etc – além da praia, é claro. Porém, conforme o tempo foi passando, situações sem pé nem cabeça foram sendo criadas como, por exemplo, brigas homéricas porque apenas cumprimentei uma conhecida do bairro. Volta e meia surgiam acusações sem fundamento no WhatApp, tentava conversar de forma racional e ela tirava assuntos que não estavam ali, inventada que eu havia falado ou estava “controlando” ela, sendo que era muito pelo o contrário. Sempre fui um cara tranquilo, quando me envolvo com alguma pessoa confio nela até que me provem o contrário, então se ela fosse beber, qual o problema? Porém, com ela era o inverso. Eu estar no bar – que sempre frequento e ela foi algumas vezes comigo – era sinônimo de estar me atracando com alguma “piranha”. Isso foi acontecendo, a gente brigava e depois voltava como se nada tivesse acontecido e eu, por ser um trouxa, aceitava tudo na boa e continuava. Após isso, veio a fase de ela querer vir morar comigo no Rio de Janeiro. Começou a me enviar uma lista de apartamentos e eu, obedientemente, fui visitando e tirando fotos para mostrar, enfim.. O estopim aconteceu neste último fim de semana, dia 27. Tinha que me vacinar de febre amarela e fui. O combinado inicial era que eu iria tomar a vacina e depois ir a São Paulo. Porém, a minha mãe teve um imprevisto (está mal da coluna) e tive que ajudá-la. Conclusão, tomei a vacina mais tarde do que planejava. Entrei em contato com ela e expliquei a situação, que pelo horário não chegaria cedo em São Paulo. Fiquei surpreso com a postura dela de sensatez, disse que tudo bem, que era melhor eu não ir devido ao desgaste (voltaria domingo às 23h, chegaria no Rio de madrugada e iria praticamente direto ao trabalho) e eu concordei e falei que iria no próximo fim de semana ou pagaria a passagem, se ela preferisse, dela ao Rio. No entanto, ao longo do dia tudo mudou. Começou a brigar comigo, afirmando que não dava valor, que ela iria em um aniversário sem mim e todas as amigas estariam com seus respectivos namorados etc. Fiquei falando com ela via Whatsapp tentando resolver aquela situação chata, afinal eu a amo. Mensagens com vídeos dançando funk foram enviadas a mim, stories (ela pediu para eu ver) da festa, tudo isso. A única coisa que pedi foi para ela me avisar quando chegar em casa porque fico preocupado. Às 6h da manhã ela enviou uma mensagem: “cheguei”. Na hora estava dormindo, é claro. Acordei com um telefonema dela afirmando que queria dar um tempo comigo, que quer ter a vida dela etc etc. Eu respeitei, mas pedi que ao menos a gente pudesse ter uma conversa por telefone (na primeira ligação ela falou que não queria falar comigo domingo mas iria vir ao Rio no outro fim de semana). Logo em seguida, por volta das 15h, comecei a receber mensagens de que ela queria ficar longe de mim, que tinha tirado o status de relacionamento no Facebook. Eu pedi uma conversa ao telefone, pelo menos é assim que penso que deve ser resolvido caso o encontro cara a cara não seja viável naquele momento – e não mensagem via celular. Segunda feira, levanto, vou ao trabalho e não fico atrás dela (ela pediu para eu não entrar em contato, dar o tempo necessário para ela). Prometeu que quando tomasse a decisão iria me ligar ao invés de enviar por mensagem. Ok, tudo bem. Todavia, às 20h, recebo duas mensagens dela. Fico com receio de abrir mas a curiosidade consegue ser superior. Quando vejo ela simplesmente diz: “Então, tomei a minha decisão. Quero terminar”. Eu fiquei muito nervoso porque esperava ao menos a consideração de receber um telefonema. Nisso começou a jogar na minha cara tudo, falando que gastou vindo ao Rio etc etc, sendo que sempre me ofereci a ajudar tendo, inclusive, pago passagens para ela. Se fosse o caso da grana, a gente poderia ter sentado para conversar, eu ajudaria ainda mais se ela precisasse, porém ela não quis me ouvir e apenas me ofendeu e ofendeu. Tentei um papo racional, impossível de ser alcançado. O texto acima descreveu praticamente tudo que passei nesse relacionamento. O começo maravilhoso, promessas, sonhos compartilhados, brigas sem o menor fundamento, agressão emocional, perdão, até, finalmente, chegar ao estágio final: Descarte. Estou até agora tentando entender o que de fato aconteceu. O que eu sempre pensei é: se alguém ama de verdade e quer terminar um relacionamento seja pelo motivo que for vai ter a preocupação de magoar o mínimo possível o seu ex-parceiro. Afinal um relacionamento é uma vida a dois, é preciso levar o sentimento do outro em conta. Com ela eu fui pisado, humilhado e tratado como um nada. Sei que o texto ficou longo, mas foi um desabafo, precisava externar o que aconteceu comigo. Isso tudo aconteceu em um fim semana (27 e 28 de janeiro). Tínhamos planos pro carnaval, passagem, tudo. Ela cancelou sem ao menos me avisar, saiu cancelando tudo. Tirou todas as nossas fotos do Instagram, porém as da praia que ela está sorrindo e posando, não. Quem sabe ela cansou desse carioca e agora quer partir pra outra aventura? Enfim, estou perdido, confuso, sem chão. Acreditei de verdade que ela poderia ser a minha futura esposa, tínhamos planos, objetivos e, mesmo que estivéssemos há pouco tempo, contava com uma vida ao lado dela. Obrigado por quem leu, se alguém puder dar um feedback ficaria muito feliz. Me sinto culpado, como se eu tivesse causado isso ao ter ouvido ela e não ter ido a São Paulo. Ficaria muito grato se alguém puder me ajudar. Um abraço a todos.

    • Oi Marcelo, espero que as coisas tenham melhorado nesse período, já tem mais de 30 dias que você publicou esse relato. O que mais me chama atenção é o fato de você ser homem(temos a percepção que são mais racionais e não se deixam levar pelo coração, tendo sempre domínio dos sentimentos). Cheguei a essa página após ter acesso a um conteúdo que achei muito parecido com um terror que vivo há um ano, li o texto e ate agora estou perplexa, estou mergulhada 100% em uma relação como essa, pra você ter idéia nesse momento eu moro nos EUA por conta exclusiva dessa relação, mas tem o lado bom, após ler esse texto me senti forte para reagir e decidir sobre a minha vida, afinal de contas ele já Tonha tirado todas as minhas forças. Sempre fui uma mulher muito vaidosa, muito forte, uma executiva de grandes empresas com uma postura séria, elegante, ética, determinada e muito focada em meus objetivos e sonhos. Hoje consigo perceber que ele se aproximou de mim como um sangue-suga para tirar a minha essência.
      Precisamos de ajuda com toda certeza. Te recomendo procurar um grupo sério de vítimas desses abusos que as pessoas se ajudam, aqui pra mim é mais dificil, se conseguir encontrar ajuda nesse aspecto, compartilha por favor. Já decidi que retorno ao Brasil o mais breve possível para retomar a minha vida e voltar a viver. Que Deus te abencoe e te dê a direção necessária, tenho buscado Nele a saída para essa situação e percebo meus olhos se abrindo….

  5. Nossa, Lucy! É exatamente isso tudo que você disse!!! Eu me envolvi com um psicopata, relação homoafetiva, por 23 anos. Com 12 anos de relação, após o estágio cruel da desvalorização, ele me descartou da pior maneira que alguém poderia ter sido descartado. Voltou e prometeu ser o príncipe que sonhei. O ciclo reiniciou pq aceitei. Logo em seguida percebi uma repetição do comportamento dele, a nova fase da desvalorização. Comecei a ler sobre psicopatia. Quando entendi bem o ciclo, fiquei tão revoltado com tudo que me tornei um psicopata na vida dele. Fiquei 5 anos devolvendo tudo que fez comigo. Eu já tinha certeza de que não ia viver a vida que sonhei com ele, desconstruí tudo a respeito dele, o traí várias vezes, cuidei de mim, estudei, me tornei um sonho de homem, fiz loucuras sexuais com ele, restabeleci meus laços de amizade, na família. Saía sozinho, nunca com ele. Só convivia com ele dentro de casa e o tratava muito mal, sem qualquer piedade. Enquanto isso fui construindo uma história de amor fora da relação, apenas esperando o momento certo de descartá-lo definitivamente. Confesso que sou perseguido e tenho um pouco de medo do que ele possa ainda fazer. Está sozinho, tentando se reaproximar. Estou agora na fase de mudar pra bem longe e levar a vida que sonhei. Ele chegou a ficar tão louco que para (falsamente) provar que me ama, tatuou meu nome em partes do seu corpo, com frases de amor. Nunca imaginei que um psicopata poderia entrar em fase de surto, de confusão emocional e de depressão. Ele chegou a buscar ajuda em um psiquiatra e toma remédio diariamente. Todas as pessoas deveriam conhecer essas fases de abuso. Quando a gente entende esse processo, o sofrimento vai embora, mesmo estando ainda na companhia desses monstros.

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