Quem esteve nos cinemas assistindo à animação “Detona Ralph”, no finalzinho do ano passado, certamente teve uma doce surpresa com o curta exibido antes do filme. Fui arrebatada pela historinha em preto e branco intitulada “Paperman”, que narra o encantamento de um jovem solitário por uma mocinha que conhece_ e desencontra_ na estação de trem. Resignado, retorna à sua rotina, até que a vida lhe oferece uma segunda chance. Pela janela do trabalho, inesperadamente revê a garota do outro lado da avenida. Daí pra frente, a animação segue com o rapaz tentando chamar a atenção da moça a qualquer custo.

O curta é apaixonante pois traduz aquilo que sentimos pelo menos uma vez na vida e, correspondidos ou não, entendemos a disposição do rapaz em chamar a atenção da mocinha, enquanto torcemos pelo final feliz.

Esse sentimento familiar pode ser denominado E-N-C-A-N-T-A-M-E-N-T-O e, independente daquilo que se caracteriza como amor, paixão, casamento ou namoro, é matéria prima de relações que permanecem_ fisicamente ou na memória afetiva.

Meu filho tem apenas sete anos e há um ano mantém-se encantado por uma garotinha do ensino fundamental. É algo tão delicado, comovente e doce que não me importo que seja precoce. Ela é sua namorada, ainda que não saiba. Talvez relações maduras, de longa data e repletas de presença física, não contenham tamanho encantamento…

Pois encantamento é vento que sopra a favor, e_de uma forma que ninguém explica_ lhe faz ser tolerante; paciente com as demoras e desencontros; amante da exceção. Por ele(a) você abre mão de suas rotinas e esquece regras tão perfeitas.

Se alguém lhe desconhecer num momento de puro encantamento, faça como Chico Buarque, que definiu esse sentimento tão lindamente:

“Acho a coisa mais simples, mais definitiva, pra explicar o amor entre duas pessoas: gostava dela porque era ela, porque era eu”.

Segue a animação que tanto me cativou:

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

5 COMENTÁRIOS

  1. Decididamente, faz toda a diferença sorver a vida sob o prisma do encantamento.

    Quando, a priori, optamos por nos cercar de entusiasmo – e, vale observar que sequer é uma escolha consciente na maioria das vezes – uma brisa colorida tinge nossas retinas, nossos sentidos e é inevitável sentir o privilégio de ser brindado com muita beleza, encanto e entusiasmo.

    Uma verdadeira bênção ou um dom especial perceber a realidade assim…

    Sempre bom compartilhar impressões com você, já estava sentindo falta dos seus textos!!!

    Abraço,
    Rafaela.

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