Hoje no carro, enquanto dirigia, meu pequeno palpitava acerca dos presentes que meu marido e eu iríamos trocar no nosso aniversário de casamento. Perguntei o que ele achava que o papai deveria dar à mamãe e a resposta veio prontamente, como se fosse óbvio:

_”Um vestido, mamãe”
_ “Um vestido?”_ perguntei _ “De que cor?”
_”Hum… um vestido laranja… com bolinhas vermelhas!”_ disse sem hesitar.

Não pude deixar de sorrir, e de repente meu coração inflou, tamanha a poesia contida na inocência do meu garotinho.

Se você já experimentou conviver de perto com uma alma de 6 anos_ou menos_ deve entender o que estou dizendo. Essas pequenas criaturas carregam o céu dentro delas. Dão trabalho, tudo bem… Necessitam de cuidados, rotina e às vezes fazem mãnha por nada… Mas faça um teste. Experimente agachar numa altura suficiente para que seus olhos fiquem no mesmo nível (pode ser que a criaturinha agache também, então vocês terão que se sentar). E com calma, conduza um papo de igual pra igual.
Você terá uma grata surpresa.

Crianças, quando ouvidas, entendidas e valorizadas, carregam uma sabedoria ímpar, uma sensibilidade única e uma poesia desconcertante. São capazes de tirar sorrisos de onde aparentemente só existe cansaço e dor. Não desconfiam do tempo, das tristezas, do caos diário. Vivem num mundo à parte e por isso nos iluminam com sua espontaneidade surpreendente e habilidosa.

Vivo correndo e muitas vezes sou alertada por meu baixinho que chega com suas mãozinhas subindo e descendo à frente do corpo dizendo num sussurro: “Se acaaaalma, se acaaaalma……”
Ser mãe me trouxe esse privilégio. E há que se sugar esses momentos até à última gota, pois antes de nos darmos conta, a vida se encarregará de moldá-los com excesso de civilização e domínio de pensamento.

A poesia escorrerá através do tempo, indo embora na velocidade com que chegará o amadurecimento.

Vamos comemorar a independência, o sucesso e o fim das desobediências, mas nada substituirá a alegria latente de ter um garotinho em casa, um ser movido por sonhos e fantasias que povoava nossos dias de alegria _ feito vestido laranja com bolinhas vermelhas…

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

2 COMENTÁRIOS

  1. Como são gostosas essas leituras, cheias de poesia! E novamente a sensação de estar "olho no olho" com mãe e filho, partilhando as deliciosas pílulas de sabedoria que só a inocência proporciona!

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