Já fui complicada. Quer dizer, BEeeem complicada… Atualmente só complicadinha, principalmente naquela fase difícil do mês…TPM. Mas fora isso tenho tentado complicar menos e ser cada vez menos perfeitinha.

Outro dia no programa “Saia Justa” a Teté Ribeiro descomplicou dizendo mais ou menos assim: “engole, digere e expele”. E tenho adotado esse mantra para as dificuldades e tombos. Porque somos muito mimados. Diante dos problemas preferimos dramatizar como se a vida fosse novela. Mas o fato é que nada é facinho, facinho… e a gente tem que aguentar sim, senão não vive. Sem negar os fatos_ porque negar é o mesmo que complicar_ a gente tem que engolir, igual remédio amargo… e bola prá frente sem draminha.

Porque a gente amadurece, ou melhor, envelhece. E a medida que vêem as ruguinhas e os cabelos brancos, as complicações têm que diminuir também, senão não sobra nada de bom…

Picasso já dizia: “Leva-se muito tempo para ser jovem”… porque quando a gente é mais novo adora “sarna pra se coçar” : a roupa não combina, o telefone não toca, o cabelo não fica bom, a unha quebrou. Parece que tudo é motivo pra chilique, uma neura desgraçada, o fim do mundo.

E daí que tá todo mundo olhando? E daí que vão falar que você enlouqueceu? E daí que vão dizer que você é melosa, brega ou tem cabelo ruim? E daí que já passou da idade para aprender a dançar, conhecer o grande amor ou pular de paraquedas? E daí ? …

Depois que a gente passa por uns perrengues verdadeiros, uns “presta atenção” pra valer, pára de se apegar às pequenas desgracinhas cotidianas e manuais de etiqueta sem graça.

E descobrimos que bom mesmo é morrer de amor. Amor pelo Jude Law, pela Natalie Portman, pelo novo filme do Woody Allen, por um livro impossível de largar, pelo cheirinho do filho, por uma taça de vinho numa noite chuvosa, pelo momento antes de dormir aconchegada nos braços de quem se ama… Amor pelo momento presente_ é isso.

Como no poema de Drummond:
“Ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança…Saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada… Enlou-cresça!”

Desejo_ a exemplo de Victor Hugo _ que você aprenda a se divertir mais e complicar menos. E que vivendo, possa morrer de amor…

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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