Em 2010 circulou na internet o vídeo de Tang Hong Ming, o chinêzinho apaixonado. Milhões de pessoas assistiram ao vídeo em que o garoto chinês se declara à Umi Qazerina. Quando a menina se aproxima e retribui seu afeto, a alegria estampada no rosto inocente de Tang comove até os mais céticos, pois revela a pureza do primeiro amor.  O primeiro amor sentido de forma diferente àquele experimentado pelas meninas.

O primeiro amor de um menino.

Já se tornou comum a opinião de que homens são insensíveis, frios, impiedosos e pouco românticos. Algumas mulheres não hesitam em taxá-los de “canalhas”, “cachorros”, “galinhas”… apelidos pejorativos que generalizam e definem injustamente o sexo oposto.

Homens já foram meninos. E meninos são sensíveis, românticos, sonhadores, apaixonados… Muito mais que meninas.

Essa semana meu menino teve o coração partido por uma garota de 7, quase 8 anos. Ela já tem dentes permanentes, escreve com letra cursiva e é bonita, falante, espontânea. Ele acabou de completar 6 anos, seus dentinhos são de leite, ainda escreve com letra de fôrma e é muito tímido. Se encantou pela menina mais velha que inventa brincadeiras novas, é engraçada e não percebe que mexe com sentimentos de garotinhos precoces. Sem querer incentivar qualquer aproximação, só fui capaz de dar colo e ser boa ouvinte. Ele disse que queria se casar e me pediu ajuda. No dia seguinte compramos uma revistinha e um pacote de figurinhas da “Moster High” que ele levou junto com um desenho e uma dedicatória num envelope dourado.

No fim do dia fui buscá-lo na escola e encontrei meu menininho triste, puxando a mochila com desânimo, olhar baixo e vontade de chorar. A garota gostou da revista mas deixou a cartinha jogada no chão do pátio sem nenhum cuidado e, horas depois, desconhecendo ser o objeto de afeto do menino de 6 anos, proibiu-o de participar da brincadeira inventada por ela em que só entravam maiores de 7 anos.

Fomos embora em silêncio e no dia seguinte ele ainda lembrava do ocorrido com uma pontinha de dor.

Então parei para pensar que homens carregam dentro de si garotinhos de calça curta, apaixonados por meninas amadurecidas que inventam brincadeiras no recreio e se tornam lideres, rainhas da popularidade. No fundo são todos meio “Eduardos” apaixonados por suas “Mônicas”…E quem irá dizer que não existe razão?

Porém, aos poucos esses meninos cansam de ter o coração machucado, não permitem serem pisados e endurecem_ Justamente quando as meninas querem tê-los de volta.

Muitas mulheres um dia foram garotas espertas e lindas inventando brincadeiras e jogos no jardim de infância.

Muitos coraçõezinhos foram despedaçados e elas nunca tiveram consciência disso, como a menina que meu filho queria se casar. Essas meninas crescem e esquecem o encanto que tiveram um dia. O encanto de serem espontâneas, naturais, criativas, alegres. Capazes de seduzir sendo elas mesmas, sem joguinhos, inseguranças ou afetações. Sem mania de rotular os pobres homens de canalhas ou cachorrões. Esquecem que homens são apenas meninos, como na letra tão linda de Leoni:

Garotos não resistem aos seus mistérios/ Garotos nunca dizem não/ Garotos como eu sempre tão espertos/ Perto de uma mulher são só garotos…”


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*Imagem: Katrina Parry




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Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

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