​O amor não espera

Adoro quando me perguntam o segredo dos casamentos felizes, como se houvesse uma receita mágica pra isso. Gente, uma relação feliz depende de tanta coisa que seria impossível enumerá-las aqui.

Mas, sei lá, acho que vale o desafio de refletir sobre o assunto, até para que os nossos casamentos sejam influenciados por esse diálogo edificante sobre amor. Sempre achei que para manter uma relação feliz era preciso amar e ponto. Ainda acho, claro que sim.

Porém, aos 37 anos e com muito mais experiência do que antes, confesso que fiquei mais exigente. Não é o amor que conserva a relação, mas é a relação que conserva o amor.

Ah, isso é bobagem!

É não! Bobagem é achar que não! Um casamento feliz depende da entrega de duas pessoas, isso é o básico, ou seja, nem precisa entrar na pauta. Mas, olha só, o amor também depende da simplicidade que se aplica à rotina do casal, sabe?

Vejo um monte de casais querendo viagens incríveis pelo mundo, sendo que não conversam nem na sala de casa. Ou namorados que postam as imagens mais bonitas nas redes sociais (quem não conhece alguém assim?) e na mesinha ao lado da cama não tem uma foto sequer dos dois.

Já vi casais fazendo juras de amor em frente ao padre, mas que há meses esqueceram do “eu te amo”, do “bom dia”, do “como foi seu dia?”, do “saudade” e por aí vai. Também já conheci pessoas que criticam seus amores por inúmeras coisas, mas não sabem reconhecer sequer uma qualidade daquele ou daquela que vive ao seu lado.

O milagre não existe nos casamentos, pois o amor já é um milagre por si só. Sentar ao lado do seu amor para assistir televisão enquanto faz carinho nos seus pés cansados? Preparar a mesa do café da manhã com tudo que ele gosta? Flores? Cartinhas? Poemas de amor? Há quanto tempo você não faz isso?

O amor é doce, mas não é doce sozinho. O doce na boca de quem não tem paladar fica azedo igual limão. É preciso adoçá-lo dia a dia, pouquinho a pouquinho. É preciso tratá-lo com afeto, com respeito, com reciprocidade para que ele cresça e não pare no tempo.

O tempo, aliás, pode ser cruel com o amor. Bom, pelo menos eu acho! As horas passam tão rápido e as pessoas vão deixando as suas pessoas para depois, sabe isso? “Hoje não vai dar”, “amanhã talvez”, “outra hora fazemos”, “quem sabe na sexta”.

A cantora Marília Mendonça tem uma música que diz justamente assim: “Deixa, deixa mesmo de ser importante, vai deixando a gente pra outra hora”, conhece essa? Quanto mais deixamos o amor pra depois, mais longe ele fica da gente. O amor não espera.

Sempre que falo sobre isso, é engraçado até, algumas pessoas me escrevem: “ah, que idiota, isso não existe”, “esse amor que você fala é utopia”, “ninguém sabe amar assim”. Não me ofendo quando leio isso, mas fico triste.

Não por acharem que a minha arte não sai do papel, mas por acreditarem mesmo que esse amor não existe ou que é impossível manter a simplicidade das coisas dentro do casamento. Tenho certeza que alguns casais haverão de concordar comigo: o amor é doce, doce, bem docinho. Mas ele não vem pronto, nananinanão.

É a gente que adoça, não tem jeito.

Não perca de vista seu amor, nem deixe que outras coisas o façam menos importante. O amor é e sempre será o mais importante. Não se permita esquecer a cor preferida dela ou o cantor que ele mais gosta.

Jamais esqueça de adoçar o café com as duas colheres de açúcar que ele toma e não deixe que a preguiça domine a ponto de nem preparar o café. Não fique sem mandar mensagens se você sabe que ela adora aquele emoticon do coraçãozinho.

Leve-a no restaurante daquele primeiro encontro, surpreenda com aquele cafuné que o faz dormir, acorde-a com aquele beijo quente e deixe que o bom dia seja dito em outras línguas, em outras sensações, de um outro jeito.

Já leu O Pequeno Príncipe? Antoine de Saint-Exupéry disse que o verdadeiro amor nunca se desgasta, pois quanto mais se dá, mais se tem.

Ahhhh, Ju! Isso é tão clichê!

O amor é clichê, meu bem. Graças a Deus.​

Imagem de capa: Ivanova Natalia, Shutterstock

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Ju Farias

Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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