As pequenas grandes coisas do amor

Amar não requer esforço, compreende? Quando isso ocorre, sei lá, é porque talvez não seja amor. Claro que é preciso abrir mão de algumas coisas, afinal de contas, nem sempre concordaremos com tudo. O que digo é que não há necessidade de se recortar para caber no outro.

O amor se encaixa naturalmente e a essência de cada um também se mantem assim. O que a gente muda são os pequenos vícios do dia a dia, os egoísmos solitários e as crenças que mais limitam do que libertam.

O amor faz as coisas aconteceram como elas devem ser e nós apenas direcionamos aquilo que se perde no tempo. Os ajustes necessários serão feitos sem esforço, sem brigas, sem barulho. O relógio atrasado se endireita para acompanhar o ritmo do peito, só isso.

Quando amamos alguém, mas amamos de verdade, não precisamos virar outra pessoa ou reformar a casa inteira, pois o outro parece que nasceu no número certo pra gente. Sabe quando o sapato aperta? Então, o amor não aperta nunca.

O que aperta no amor é a saudade, é o abraço, é um corpo no outro. O amor sabe que um pé maior do que o sapato vai dificultar a caminhada, causar bolhas e machucados doloridos. É por isso que o amor não aperta, porque o amor nasceu para curar a dor, não para causar.

É claro que não estou dizendo que os casais que se amam vivem vidas perfeitas, não se desentendem, nem se estranham. Pelo contrário, estou dizendo que, muito embora isso ocorra, o que se tira dessas experiências nos torna melhores do que ontem.

Se eu não tiver nada para aprender com meu parceiro, de que me adianta dividir a estrada? Se já sei tudo sobre tudo (e conheço muita gente assim), de que me adianta ter alguém? Quando um desentendimento ocorre entre duas pessoas que se amam de verdade, uma boa conversa sincera resolve.

O amor faz a rotina ser a salvação, não o prejuízo. Quem pensa que a rotina é ruim, nunca viveu uma com amor. Quem faz o dia do casal é o casal, quem pode tornar tudo menos chato é o casal, não existe milagre nesse mundo, gente!

Faz diferente, sabe? Não é porque é rotina que precisa ser igual. A rotina é apenas uma forma de organização, mas é possível tornar tudo isso uma experiência incrível. Ainda que os anos passem, ainda que se comemore 20, 30, 40 anos juntos.

O amor verdadeiro faz isso sem penas, sem prisão, sem dor. O amor verdadeiro é um abraço na vida a dois. O amor verdadeiro é uma conta muito simples de fazer, o amor é soma, é multiplicação.

A equação da vida sem amor é como qualquer número multiplicado por zero, e olha que eu sou péssima em matemática. O amor é sempre mais do que um. O amor é de dois pra cima, pra mais, pra mil.

O amor é uma árvore que se cultiva todos os dias, com podas, com regas constantes, com a água sagrada da paixão.

Imagem de capa: Stock-Studio, Shutterstock

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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