Dá pra esquecer “aquela” pessoa?

Por quanto tempo “aquela” pessoa vai continuar sendo “aquela” pessoa? Quantas datas especiais a gente vai ser capaz de lembrar? Por quantas vidas a gente é capaz de amar alguém?

Às vezes me pego pensando nisso… E é fato que todos temos alguém que se nos perguntassem “que pessoa especial marcou a sua vida?”, imediatamente seria “aquela” que viria ao nosso pensamento. Aquela que chegou, causou um tsunami e um furacão juntos e saiu sem dar satisfação. Aquela que mudou a nossa história, que trouxe borboletas ao estômago, trouxe euforia, trouxe vida, trouxe arrepio na pele, mas ao mesmo tempo trouxe tumulto, desordem e tristeza por não ter ficado.

Porque as pessoas surgem, extraem o melhor da gente, nos desequilibram, invadem a nossa vida sem pedir licença se não tem a intenção de ficar?

É difícil encontrar uma explicação única para “aquela” pessoa ter se tornado “aquela” pessoa na nossa história… Pode ser porque ela nos trouxe algo que nunca sentimos antes, pode ser porque nos desconectou completamente do nosso passado o qual estávamos acorrentados, pode ser porque nos fez sentirmos vivos novamente…

Alguém que foi muito importante deixa marcas profundas. Costumo dizer que estas pessoas marcam a nossa alma, deixando cicatrizes que jamais podem ser retiradas. É profundo, é forte, é imutável.

Mas insisto, por quanto tempo? Tenho uma amiga que levou 10 anos para esquecer o primeiro namorado, o grande amor da sua vida. Somente quando ele casou é que ela conseguiu se desconectar. Conheço outra que reencontrou um grande amor após 20 anos e sentiu tudo ali, vívido, exatamente como há tantos anos. Cada um casou, teve filhos, seguiu seu caminho e um reencontro marcado pelo destino depois de mais de 20 anos só mostrou que as cicatrizes estavam ali, ainda visíveis, e o efeito que um causava no outro ainda era sim de abalo e desestrutura.

Como pode? Como pode o amor (ou seja lá o que for) se manter assim, vivo, apenas adormecido, depois de tanto tempo?

Um dia eu quis descobrir a fórmula para esquecer “aquela” pessoa. Hoje eu sei que é impossível esquecer alguém que foi muito especial. Hoje eu quero é aprender a deixar o que foi do passado no passado. Hoje eu quero entender que nada nem ninguém pode me deixar de seguir em frente, nem mesmo meus pensamentos. Hoje eu quero parar de trazer o passado para o meu dia-a-dia e para o meu cotidiano, e saber que as lembranças existem e sempre vão existir, mas cabe a mim dominá-las e fazer com que não me impeçam de mudar o único momento em que ainda posso mudar: o presente.

Ainda não descobri quanto tempo alguém pode ficar vivo na nossa vida e na nossa história, mas já aprendi a aceitar as lições que cada momento do meu passado me trouxe.

Imagem de capa: FCSCAFEINE, Shutterstock

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Raquel Lopes
Gaúcha, engenheira de alimentos por profissão, escritora nas horas vagas. Capricorniana que ao contrário do que diz a astrologia, não tem um coração gelado, mas sim feito de manteiga. Apaixonada por cervejas artesanais, viajar, cozinhar e ir para a academia. Em matéria de amor já faltei aula, já fiquei em recuperação, já repeti o ano e também já fui aprovada com louvor. Acredito que o amor é o que move o mundo e através dele é que a gente evolui. Posso ter quebrado a cara algumas vezes, mas em todas elas eu me refiz. Uma definição de mim mesma? Fui e continuarei sendo uma romântica incurável.

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