Ser pãe (pai e mãe) é um dos maiores desafios e também uma das melhores recompensas.

Imagem de capa: Halfpoint, Shutterstock

A maternidade é um processo lento e cuidadoso que se inicia ainda no primeiro mês de gestação. É necessário ter muito amor para sentir as mudanças em seu corpo e ainda assim se sentir desejada é necessária muita compreensão ao saber que as coisas vão mudar e sim vai haver dias em que a vontade de desistir vai ser tamanha, mas logo passa ao sentir aquele chutezinho que não te deixa dormir. É pensar sobre as noites em claro por não haver qualquer posição que seja minimamente confortável e não te falte ar durante a noite. É imaginar as dores do parto antes mesmo dele acontecer, é implorar por uma cesárea durante o momento do parto, pois já não suporta mais sentir dores. Mas é também amar o primeiro choro do bebê e chorar junto e depois também ao se lembrar de cada um desses momentos.

O desafio da maternidade é doloroso, sim, mas igualmente recompensante. E esse é um daqueles desafios para toda uma vida, quando, além de toda a dificuldade dos noves meses sofridos de gestação ainda há o processo posterior e quanto esse processo deve ser feito por você e apenas você. Quando você descobre que não poderá contar com o pai, quando você percebe que terá de arcar com todas as responsabilidades sozinha e que não há nada que mude isso agora. Nesse momento talvez você repense suas atitudes, suas escolhas, seu passado, mas nada que aquele olhar carinhoso de seus filhos não possam te confortar nesse momento, e então você encontrará neles o mesmo refugio que eles encontram em você, o mesmo carinho que você é capaz de dar, o mesmo amor que você é capaz de sentir. E ai você ira descobrir que o passado já foi e nada poderá ser maior do que esse momento ao lado dos seus pequenos. Você percebe que eles precisam tanto de você quanto você deles, e o elo de amor, afeto e união se tornam ainda mais forte e você percebe que já não é mais mãe e sim pãe, uma mistura de pai e mãe ao mesmo tempo. Uma mistura que a cada dia fica ainda mais difícil de deixar voltar o que era antes.

Se você imagina que ser mãe é difícil, então tente ser pai e mãe ao mesmo tempo. Ter que chamar atenção e acalmar, ter que por pra tomar banho e abraçar. Não da pra intimidar dizendo que vai chamar o pai ou que o pai vai brigar, porque é tudo contigo. Porque o pai quando talvez aparecer tenta fazer o papel de um avô que mora longe e já está tão cansado e então o máximo que ele pode fazer é trazer brinquedos para as crianças, pois já não aguenta participar ativamente da vida deles. E então você perceberá que às vezes estar só é melhor sim, é melhor do que a ausência, do que a falta que a presença do pai pode causar na mente das crianças, das explicações para as perguntas tão complicadas que elas insistem em fazer.

Ser pai e mãe é educar, dar bronca, levar no colégio, fazer dever de casa. É ensinar sobre as dificuldades da vida, sobre namoro, sobre drogas, sobre de onde vem os bebes e tudo mais. Ser pai e mãe é acordar às quatro da manhã para se arrumar antes de todos, é acordar as crianças e o café já esta na mesa, as roupas arrumadas e a mochila organizada, é conferir se a despensa esta vazia, se a conta de luz foi paga, se o telefone já foi religado e se a tv a cabo esta funcionando, para que eles possam ficar o dia todo vendo desenho. É conferir se tomaram banho direito, se os dentes estão bem escovados, se passaram o desodorante. É pentear os cabelos, olhar as unhas e levar para a escola.

É ter um dia exaustivo no trabalho e ainda assim voltar pra casa e ter tempo para ouvir todas as histórias, ouvir as musiquinhas que aprenderam ver o avanço que fizeram na leitura, na escrita. É encontrar ainda um momento reservado para brincadeiras, para as enrolações, para os momentos de chamego e carinho e ainda assim deixar a casa toda limpa, a comida pronta e a roupa lavada. É comprar brinquedos novos, roupas novas, fazer bolo no aniversario, brincar de bola de sabão e guerra de travesseiros. É beijar antes de dormir, contar histórias com um final feliz e ver a cada dia crescer a capacidade de entendimento e compreensão de uma criança. É ver essa criança se tornar adolescente e depois adulto e seguir sua vida e cair no mundo.

É saber aceitar que às vezes o filho também precisa ir para aprender o que você também aprendeu, para cair e levantar e entender de onde ele veio, como tudo começou, é torcer para que ele não cometa os mesmos erros que você cometeu, mesmo que você saiba que ele é quem irá decidir por qual caminho seguir. É se orgulhar de cada novo passo conquistado e não ter vergonha de chorar quando ver que ele conseguiu alcançar o seu caminho. É se emocionar quando você também ganhar seu primeiro neto ou neta, e saber que você fez sua parte e conseguiu fazer com que eles chegassem em algum lugar.

Enfim é se orgulhar de cada passa conquistado, de cada caminho trilhado, de cada obstáculo superado, de cada choro derramado, e lembrar das noites em que você por alguns poucos segundos pensou em desistir de tudo, mas seu instinto não permitiu e te fez chegar até aqui. Pensar em tudo que você abdicou para tornar a vida dos teus filhos boa e melhor do que a sua. Pensar em todos os momentos difíceis que passamos ao decidir encarar a barra sozinha e fazer valer a pena, pensar que ser pai e mãe poderia ser fácil, e quebrar a cara ao perceber que não é. Pensar que apesar de todas as dificuldades, a maternidade é extremamente recompensante e não há nada nesse mundo que signifique mais do que quando eles dizem: eu te amo.

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Igor Cruz
Arquiteto, urbanista, escritor, podcaster e editor. Escrevo em busca de algo que me conecta com o outro, que me faz emergir em uma onda de amor e pensamentos sobre o que a vida ainda pode ser. A escrita é uma ponte que nos conecta há um novo mundo cheio oportunidades e conhecimentos. Cabe a nós e somente nós, dar o primeiro passo para atravessar essa ponte. Podcaster no InFormais Podcast.

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