8 lições que aprendi ao visitar A Cabana

Por que estou passando por essa situação? Eu lembro que me fiz essa pergunta logo após um acidente grave no ano de 2009. Recordo da cor do Céu no instante em que entrei na ambulância. Eu não entendia muito bem o que estava acontecendo naquele fim de tarde da véspera do dia das mães, mas no fundo eu sentia que Deus me reservava ali uma oportunidade de evoluir como ser humano.

Aquela tarde ficou marcada como a última vez que olhei nos olhos de uma amiga. Ao descobrir a notícia da sua morte, entrei em choque. “Por que ela se foi? Por que eu não fui lugar dela?” Ao passar pela experiência de quase-ida pra o lado de lá, eu senti na pele o toque da música Paciência do Lenine.

A vida é tão rara.

Uma semana depois eu ganhei um livro chamado A Cabana que conta a história de um encontro transformador. De forma resumida, a filha mais nova de Mackenzie foi sequestrada durante as férias em família, brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, o pai recebe uma carta suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar àquela cabana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele decide voltar ao cenário de seu pior pesadelo.

A experiência daquele pai me fez entender o sentido da vida. Na semana passada eu recebi uma carta de Deus para assistir o filme baseado no livro. Embarquei rumo à Cabana e resgatei algumas lições que aprendi para compartilhar com vocês.

1) Olhe para a Cachoeira

A pequena Miss nos convida a olhar para aquilo que é essencial. Em uma determinada cena a menina mantém o olhar fixo para apreciar a beleza de uma cachoeira, porém o pai tenta apressá-la para ir embora. Ela pede calma. A postura da criança é um recado para todos nós que andamos apressados. “Às vezes tudo pede um pouco mais de calma. O corpo pede um pouco mais de alma.”

2) Libere a joaninha

Eu sei que é difícil perdoar. Entretanto perdoar não significa voltar a se relacionar com a pessoa que te fez algum mal. Perdoar é a oportunidade diária de se libertar do fardo corrosivo para seguir o curso da vida.

3) Acredite nos sinais

Na história o autor recebe uma carta de Deus para voltar à Cabana. Ele duvida. Desacredita. Mas no fundo sente que por mais louco que seja é necessário escutar a voz do coração. Às vezes o Universo nos envia sinais, só que em alguns momentos estamos tão fechados que não damos a devida importância. Se Deus lhe enviou uma carta, receba.

4) Não julgue Deus

Algumas pessoas possuem o hábito de questionar Deus quando passam por uma situação traumática ou tomam conhecimento de algo que consideram injusto. “Se Deus é tão poderoso e tão cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o sofrimento do mundo?” Precisamos aprender a conviver com os mistérios e os propósitos do Universo ao longo da existência humana.

5) É preciso se libertar da culpa

O sentimento de culpa devasta a vida de uma pessoa de forma avassaladora. O autoperdão ajuda a cicatrizar as feridas. É preciso buscar ajuda para enxergar o fato com uma nova perspectiva. Deixe fluir novos sentimentos.

6) Precisamos compreender a história dos nossos pais

O protagonista teve uma infância traumática. Ele e sua mãe eram agredidos pelo pai. Ao longo da história ele tomou conhecimento da forma como o pai foi criado. Infelizmente existe uma tendência que percebo na nossa realidade: Pessoas machucadas machucam pessoas. Pessoas transformadas transformam pessoas. Entretanto é possível deixar de repetir padrões estabelecidos pelas nossas famílias.

7) Lave a alma

Chore. Bote pra fora. O acúmulo inapropriado de sentimentos atravanca o nosso corpo. Evite somatizar emoções. Já dizia a filósofa Viviane Mosé: “Pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa. Palavra boa é palavra líquida escorrendo em estado de lágrima.” Saiba que Deus guarda cada lágrima derramada. O choro faz parte do nosso processo de cura. Não se feche.

8) Tenha coragem de andar sobre a água

As decepções e traumas retiram muitas vezes a capacidade de desenvolver um relacionamento íntimo com Deus. O medo nos ronda e nos afeta diariamente. Será que realmente confiamos que Deus está no comando e que existe um propósito para tudo? Às vezes Deus está bem aí do seu lado estendendo a mão para você andar sobre a água. Confie.

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Thiago Hanney
Escritor, Professor e Storyteller. Compartilho histórias guardadas nas gavetas do meu armário.

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