Logo eu, amor

Imagem de capa: Jacob Lund, Shutterstock

Você chegou como uma boa notícia, menina. Quando tudo andava meio quieto, você trouxe um violão e tocou uma canção qualquer para chamar minha atenção. Desde então, amor, é essa música que movimenta nossa dança, para lá, para cá, nós dois e mais uma porção de flores que enfeitam a pista no chão da minha sala.

Eu que nunca fui bom de passos, logo eu que nada sabia de ritmo, menos ainda de compasso. Logo eu, amor, que sempre dei vazão à razão da Bossa. Hoje não danço, mas “valso” como um legítimo apaixonado.

É que você arrancou a casca, desfez a máscara do medo de amar e me fez gostar das borboletas. Logo eu que morria só de pensar em me apaixonar, que jurava não me entregar, nem deixar, nem estar, nem nada disso.

Não sei mais colocar os pés no chão, pois soltei as asas e descobri a plenitude de contemplar o mundo lá de cima. Como são lindos os passarinhos quando cantam logo cedo, antes mesmo da cidade acordar.

Você me trouxe os sonhos de volta, mas muito mais do que isso, pois você me devolveu a capacidade de acreditar. Eu que duvidava até do óbvio, hoje sei a força daquilo que sequer posso tocar.

Sou inteiro com você, logo eu que vivia de tantas metades. Fiquei completo no exato momento em que você chegou. A plenitude do amor agora faz morada no peito e me deixa tão grande, tão forte, tão cheio. Tão Seu.

Pode ficar, amor, mas fique sem hora certa de partir. De você não quero nada, nada além de você ao natural, sem molho, sem luxo, sem regras, sem limites. Quero você bem como você é – de dentro para fora, da cabeça aos pés.

Logo eu que sempre andei com os pés cravados no chão. Logo eu que ria dessa loucura toda de paixão, de planos para o futuro, de encontrar a metade da laranja. Logo eu que sempre me embriaguei das pessoas erradas.

Logo eu que nunca fui de música alta, nem risadas, nem nada disso. Logo eu que nunca gostei de aniversário, ano novo e carnaval. Logo eu que reclamava do barulho dos vizinhos no sábado à noite. Logo eu que era tão cinza, tão chato, sem cor.

Hoje vivo em festa por causa do amor.

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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