Ela é repleta de dúvidas. Mas diz ser feliz assim.

Imagem de capa: Kryvenok Anastasiia, Shutterstock

Bochechas avermelhadas de quem dormiu de menos, livros ao chão de quem estudou demais. Mais uma vez, ela perdeu a hora do trabalho, e novamente, colocou a culpa no despertador. Ela deparou-se com uma imensa bagunça em seu quarto e se questionou quando vai ter tempo de arrumar tudo aquilo.

– Se eu trouxer o Felipe aqui hoje, preciso trancar este quarto urgentemente.

Ela pensou nesta possibilidade por alguns instantes.

Dezenas de roupas jogadas para um lado. Milhares de livros abertos para o outro. Centenas de sapatos debaixo da cama e alguns pares perdidos naquela imensa bagunça.

– Com qual roupa sair?

Pergunta que ela se faz toda manhã, e pode durar cerca de uma hora para que ela mesma responda. Preto ou branco? Salto ou sapatilha? Comportada demais ou atrevida demais? Questionamentos do dia-a-dia de quase toda mulher, vai.

Ela tem uma certa queda por dúvidas bestas do cotidiano feminino. Diz gostar do preto, mas sente-se melhor com o branco. Diz amar saltos altos, mas prefere sapatilhas por conta dos calos irritantes após algumas horas de uso. E como se vestir comportadamente com aquele par de coxas perfeitas que almejam ser grandes quase encostando-se uma a outra?

Quase uma hora de atraso, e suas retinas ainda não decidiram nem a cor da calcinha que vai usar. Seu quarto anda tão bagunçado quanto seu coração, ela costuma dizer. Ela insiste em falar que á procura por algo que ainda não encontrou é extremamente divertida. E quando questionada como ela consegue encontrar qualquer coisa dentro daquela bagunça, ela só sorrir alegremente para o mundo, pois apenas ela sabe – neste teu mundo – onde diabos está cada pequena coisa naquele furacão, que ela insiste em chamar de quarto.

Provavelmente vai levar uma bronca daquelas de encher os ouvidos do seu chefe. Mas não tem problema, ela diz. Pois agora – neste exato momento – ela encontrou o que quer vestir.

– Mas que Droga! A Roupa está suja de novo.

E novamente ela se perde na bagunça que ela mesma criou. Até ela se decidir novamente, ou até encontrar outra roupa que nem planejou ter que usar e perceber que ficou legal, e até combinou com os brincos e as sapatilhas listradas.

Ela é repleta de dúvidas. Diz ser feliz assim. E não há quem duvide disto.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



Pedro Ficarelli
Me chamo Pedro Ficarelli, tenho 25 anos e curso Letras. Garoto bobo apaixonado pela escrita e pelos contos do Gabito Nunes. Pernambucano de Olinda, carismático com um quê de romântico. Escrevo por vida desde moleque tímido com um sonho, de uma dia, minha palavras chegarem a teus ouvidos e visitarem teu coração. Escrevo para pôr palavras onde a dor se faz insuportável. Seja bem-vindo ao meu mundo, o nosso, onde um pouquinho de mim, somado a um pouquinho de ti, torna-se bastante de nós.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here