Eu não quero um amor de carnaval

Imagem de capa: Megan Betteridge, Shutterstock

Eu quero um amor que seja verdadeiro e que dure o ano inteiro ao invés de uma noite só. Um amor que me leve pra jantar e me conte sobre coisas irrelevantes só para passar o tempo. Eu quero um amor para dormir de conchinha, para me fazer cafuné e sentir o cheiro do seu cabelo no travesseiro. Eu quero um amor que saiba fazer amor, mais um amor de verdade, carinhoso e gostoso com direito a todas as preliminares.

Eu quero um amor para me pôr pra dormir, depois daquelas taças de vinho que acompanharam o jantar. E que saiba que ao acordar buscarei nos seus olhos a razão para fazer que a vida tenha algum sentido maior e melhor ao seu lado. Eu quero um amor que me tire do chão, que me faça perder o juízo, que me tire a razão e seja capaz de me transportar para o paraíso. Tipo aqueles que sonhei há muito tempo atrás. Um amor que me ajude a finalizar as histórias que escrevi e que continuam pela metade, talvez por falta de um empurrãozinho de leve, ou por conta da preguiça que caminha ao meu lado durante todos esses anos.

Eu cansei de amores superficiais, aqueles que surgem como o carnaval uma vez por ano e só servem para bagunçar toda a minha vida e me pôr de ponta cabeça. Amores que aparecem do nada, sem avisar e assim mesmo vão embora antes do dia clarear, sem deixar rastros ou vestígios de onde vieram e para onde foram. Aqueles amores com data de validade próxima a expirar, e que são consumidos de maneira surreal e desumana, como se fossem o último antes da morte. Amores que me causam uma inquietude e provocam as mais distintas sensações.

Cansei de amores digitais, em época de redes sociais ainda me sinto pré-histórico por não postar uma foto a cada minuto. Por não curtir cada mensagem copiada de algum site por ai. Não quero viver de amores que escapam da realidade, que fogem pela tangente e encontram em novos braços um novo ninho. Amores que são pássaros peregrinos que voam de galho em galho, sempre em busca de uma nova saída. Amores imperfeitos que duram menos que o cheiro das flores da estação.

Dessa vez eu não quero um amor de carnaval. Já sofri muito com isso. Meu coração não aguenta mais um carnaval. Mais festas, andanças, promessas não cumpridas e amores pela metade, que surgem em um misto de prazer e paixão que me tomam por inteiro, mas depois vão embora sem nem ao menos se despedir. Já me cansei de tudo isso e quer saber, a partir de agora carnaval só pela TV.

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Igor Cruz

Arquiteto, urbanista, escritor, podcaster e editor. Escrevo em busca de algo que me conecta com o outro, que me faz emergir em uma onda de amor e pensamentos sobre o que a vida ainda pode ser. A escrita é uma ponte que nos conecta há um novo mundo cheio oportunidades e conhecimentos. Cabe a nós e somente nós, dar o primeiro passo para atravessar essa ponte. Podcaster no InFormais Podcast.

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