De vez em quando, é bom ter um encontro com a gente

Imagem de capa: dvoevnore, Shutterstock

Quero ouvir o barulho do mar, deixar a ressaca dele misturar-se coma minha, permitir que o vai vêm das ondas me levem para onde elas quiserem e, juntamente com elas, toda negatividade que possa me afogar. Quero pisar descalço na areia e sentir meus pés no chão, sentir a brisa suave tocar o meu rosto e o frio na espinha sobre a luz do luar ouvindo o silêncio da madrugada. Quero mergulhar em mim onde somente eu possa me encontrar, descobrir o tamanho da profundidade que me habita, mesmo que eu tenha que me perder, não faz mal, o meu eu vai saber me resgatar e trazer-me de volta pra mim, como sempre faz.

Deixar a noite fria refrescar minha mente e meus sentidos que geralmente andam fervilhando com os dissabores e irritações do cotidiano. Deixar o vento levar todas as preocupações que tem me deixado sem ar e, respirá-lo, profundamente, sem pressa, sem culpa. Me permitir por um instante, fechar os olhos e desligar-me de tudo e de todos, conectar somente a mim e ao meu universo, que tem girado em tantas órbitas diferentes que se esqueceu de voltar pra dele. Quero aproveitar esse momento de vasculhar todos os cantos do meu ser para fazer uma faxina, juntar todo lixo e jogar fora, antes que fique tóxico e contamine meu coração com tristezas desnecessárias, mágoas acumuladas e frustrações passadas.

Quero bater um papo sério comigo e me dar alguns conselhos, pois tenho andado meio inconsequente, irresponsável e desobediente das minhas próprias regras, que as quebrei todas, e, por isso, preciso reformulá-las. Aliás, acho que não preciso mais delas, finalmente atingi a maioridade moral, que chega quando a vida nos mostra que crescemos e que não tem como fugir de nós mesmos, da responsabilidade de sermos donos e senhores do que falamos, fazemos ou do que deixamos de fazer e falar. Quero deixar minha alma livre para liberar todos os gritos que guardou quando fingiu que estava tudo bem, até que o silêncio paire no ar e a invada mostrando que a paz de uma alma leve vale muito mais que o silenciar do grito que deixamos de dar, quando precisamos.

E, quero amanhecer lá, sobre a areia da praia, vendo o pôr do sol e deixar ele raiar dentro de mim para iluminar a tudo que meu olhar contemplar. Levantar do chão e do marasmo que prendia meus passos, correr em direção ao mar, mergulhar na profundidade do oceano e voltar da minha, retornar pra superfície do meu eu. Hora de voltar pra mim e retomar de onde parei, mas de corpo e alma lavada, literalmente. De vez em quando, é bom ter um encontro com a gente…

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Rachel dos Santos
Paulistana, porém mineira de coração. Viciada em música e sorvete, adora filosofar no facebook e compor canções que guarda a sete chaves. Estudante de jornalismo , pretende construir um mundo mais bonito por meio de seus escritos. Acredita que a simplicidade é a chave que abre a porta da felicidade. Sempre usa reticências no final das frases porque sente que sempre há um pouco mais a se dizer...

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