Aquela estranha sensação de que “nada é como antes”

Imagem de capa: NinaMalyna, Shutterstock

Às vezes surge esse sentimento estranho: de que nada é como antes. Os olhares perdem seu brilho, as palavras sua música, e dia após dia estamos mais conscientes de que só nos restam cinzas, e de que mais cedo ou mais tarde chegará esse vento veloz que tudo transforma. Instante para o qual devemos estar preparados.

Não é fácil. Ao longo de todo nosso ciclo de vida já enfrentamos muitas vezes esse mesmo sabor. Muitos dizem que tudo é devido à rotina, é ela quem arrasta suas pesadas correntes em nossa volta para nos transformar em seres menos espontâneos, menos ávidos de proximidade, de carinhos escondidos e de detalhes que aceleram o coração.

Talvez seja ela, a temida rotina, ou talvez sejamos nós que mudamos com o tempo, nós mesmos que permitimos que a cada dia e quase sem saber por quê, nossas emoções vão sendo apagadas. Às vezes nós somos como a vela que brilha cheia de intensidade durante a noite, uma luz que dança e nos inspira com as suas formas, mas que vai sendo consumida com horas, até que finalmente deixa no ambiente um estranho aroma, doce e desconfortável, como em um sonho do passado que já não faz sentido no presente. Talvez…

Assumir que nada é como antes nos convida a uma reflexão profunda. Pode não ser um final forçado, mas sim um momento de diálogo necessário, de esforços mútuos prevalecentes com os quais renovar esse vínculo, essa relação. Agir com maturidade e responsabilidade é a melhor chave para abrir o caminho para um novo começo, ou talvez um final inevitável.

Nada é como antes e já não somos os mesmos de ontem

Quando alguém se torna plenamente consciente de que as coisas já não têm o brilho, a intensidade e a magia de ontem, a primeira coisa que sente é uma contradição profunda, a pontada da amargura e a pincelada de nostalgia. Mais do que momentos, sentimos falta das emoções do passado e das cumplicidades que edificavam um dia a dia onde não existiam buracos, onde a ilusão preenchia tudo e, por sua vez, garantia sentido à vida.

Quando esse vínculo emocional perde força e a intimidade que o casal tinha ontem definha, poderíamos dizer que falta tudo. É um lento declínio que entristece e desespera ao mesmo tempo, porque o nosso cérebro precisa, acima de tudo, “se sentir seguro”. Pense que ele não gosta da contradição e desses desajustes que instantaneamente interpreta como uma ameaça, como um sinal de alerta.

Quando entramos nessa fase alarmante a primeira coisa que fazemos é procurar uma razão, embora existam muitos que simplesmente se concentram no “quem”. É comum projetar no outro todas as culpas, “é porque você me negligencia, é porque você já não me considera, é porque antes você fazia isso e aquilo e agora já não dá importância a esses detalhes”.

Concentrar-se exclusivamente no outro para acusá-lo pode estar justificado em algumas ocasiões, é claro, mas não é em todas as relações que existe um único culpado. Além disso, seria uma boa ideia que nos acostumássemos a mudar alguns termos nesse tipo de dinâmicas relacionais. Em vez de usar a palavra “culpabilidade” e o componente negativo que ela implica, é melhor fazer uso do termo “responsabilidade”.

No jogo de energia e reforços, tanto positivos como negativos, que compõem o universo do casal, os dois membros são responsáveis pelo clima e a qualidade do mesmo. E, às vezes, e isso é bom que tenhamos bem claro, não é necessário procurar desesperadamente um culpado para entender por que nada é como antes, porque já não nos olhamos do mesmo jeito ou nem parece que precisamos um do outro tanto quanto ontem.

O amor às vezes se apaga. Pode ser que aconteça com um dos dois, ou talvez com ambos. Pois, embora muitas vezes tentem nos convencer de outra forma, as pessoas mudam ao longo do tempo, ou mais que mudar, elas crescem. Surgem novas necessidades e novos interesses: o que antes era prioridade agora não é tanto.

Um fato que não está isento de uma certa dureza que é interessante gerir de forma adequada.

Se nada é como antes, aja

Ninguém pode nem merece viver para sempre nessa antessala de emoções quebradas, dos relacionamentos incompletos ou das esperanças que nunca serão cumpridas. Se nada é como antes e nada pode corrigi-lo, temos que dar o passo de forma madura para terminar o relacionamento da maneira mais digna possível.

Em um interessante estudo de 2005 do“Journal of Social Personal Relationships”, concluíram que há três chaves para fechar um relacionamento amoroso da forma mais positiva e adequada para ambos membros do casal. Assim, de acordo com os resultados deste trabalho, o que deve ser evitado, acima de tudo, é o que se conhece como a aplicação do “ efeito fantasma”, ou seja, colocar em prática um comportamento evasivo para se afastar gradualmente do outro sem dar qualquer explicação.

Vejamos a seguir quais são as três chaves para terminar uma relação de maneira madura.

Se nada é como antes, então é o momento de começar a caminhar separados

O primeiro ponto na hora de gerir essas situações é ter a certeza de que não há outra opção a não ser a separação. Lembre-se sempre de que encararemos muito melhor o luto sabendo que fizemos tudo que estava ao nosso alcance.

O segundo passo que os especialistas recomendam é não “destruir” o outro antes de “acabar” com a própria relação. Já apontávamos com antecedência, às vezes procurar culpados não serve de muita coisa. Se fazemos uso da crítica, do descrédito, da humilhação e da raiva, a única coisa que conseguimos é alimentar as emoções negativas até criar uma energia tão profunda que nos impedirá ainda mais de encerrar essa etapa.

Finalmente, e embora seja um aspecto que seja sempre difícil e que para muitos não faça sentido, é necessário perdoar. Perdoar não é vacilar; é um ritual de passagem essencial para deixar ir sem cargas, sem rancores. É colocar fim em uma etapa onde devemos perdoar um ao outro pela dor causada, mas por outro lado, aceitando tudo de positivo que compartilhamos. Um adeus, acompanhado no tempo certo por um “perdão” valente, nos ajudará a iniciar novos caminhos deixando para trás um passado onde já não cabiam sonhos e esperanças.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: “A Soma de todos Afetos”.

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