Você faz falta aqui

Imagem de capa: nd3000/shutterstock

E agora o que vou fazer sem você aqui? O que vai ser das minhas manhãs sem você pra me acordar com esse seu despertador barulhento e me dizer o quanto ainda me ama só para que eu pare de brigar com você. Sem você para me dar um beijo doce antes mesmo de abrir os olhos e falar no meu ouvido o quanto é bom foi passar a noite aqui comigo. Ficar me contando as coisas incríveis que ainda precisa fazer durante a semana e perder a hora de sair para o trabalho (isso sempre acontecia as segundas), e depois me contar à bronca que levou do seu chefe por conta do atraso. Me falar que perdeu o sono e me ficou me olhando dormir em um sono profundo e maravilhoso durante a maior parte da noite.

O quanto sentiu dores no braço em que eu estava apoiada, mesmo que na hora você nunca diz nada e me abraça forte até eu dormir. Falarmos sobre suas expectativas para a nossa vida e o quando podemos ser felizes juntos naquele sitio que íamos comprar juntos para passar os fins de semana com nossos filhos. Nossos quatro pequenos e ferozes filhos mais os dois cachorros que você me disse que teríamos. Como faço para esquecer isso?

Ainda sinto o gosto dos teus lábios em meus lábios, sinto que eles ainda estão molhados como da ultima vez que você me beijou, o teu cheiro ainda está grudado na minha roupa e em tudo aqui que me lembra você, cada canto dessa casa guarda recordações da nossa última primavera, a cama ainda está marcada do lado onde você costumava deitar. Aquele lado que um dia foi meu quando eu tinha a cama toda só pra mim, quando meus dias não eram tão engraçados quanto depois que te conheci, quando eu tomava meu café da manhã sozinha, quando eu não conhecia metades das delícias (hipercalóricas) que você me ensinou a comer (nunca imaginei o quão gostoso pode ser aquele bacon que você preparava só pra bagunçar a minha dieta), as bobagens que fazíamos juntos e o sorriso fácil que me arrancava por conta de situações mais improváveis o possível.

Saudade das nossas viagens pela internet, olhando as fotos dos possíveis lugares para nossa lua de mel, de vasculhar perfis alheios para os comentários mais ácidos possíveis sobre tudo e todos, saudade de brigar com você para me deixar assistir a maratona de Grey’s Anatomy, justamente no horário daquela luta chata que está reprisando há uma semana e que você narra a cada segundo como um louco ensandecido. Saudade de pensar em como éramos felizes antes de tudo. Saudade só de pensar em você.

As lágrimas ainda estão no meu rosto, elas insistem em rolar toda vez que me lembro de você. E a cada vez que o sol nasce elas retornam porque sei que você não está aqui. Ainda espero te ver de novo, espero que tudo isso seja mentira. Espero que a vida tenha me reservado algo melhor, espero que ainda possa te ver. Espero que o tempo passe mais rápido, e que esse verão acabe logo. Espero que a vida me ensine a aprender a viver sem você. Espero te encontrar de novo, poder te abraçar e te beijar novamente. Já faz muito desde que você se foi. Mas é como se fosse ontem, é como se cada ferida em meu corpo me lembrasse de você. Se pudesse escolher teria escolhido ir junto de você, talvez assim hoje não estivesse aqui relembrando todas essas coisas. Sei que parece egoísmo eu dizer isso, mas sei o quanto ainda sinto sua falta.

Ainda tenho a esperança de te reencontrar em algum momento, nem que seja em meus sonhos. Aprendi muito com você e ainda sei o quanto posso aprender com tudo o que passou. Mas você não precisava ter ido assim. Logo agora que eu estava tão feliz ao seu lado. Logo agora que você tinha me mostrado tantas coisas boas que a vida pode ter. E então eu sei que de algum lugar você está comigo, me olhando e guardando meu sono. Protegendo-me de mim mesma como muitas vezes você já fez. Mas preferia que você estivesse aqui, ao alcance das minhas mãos onde podia te tocar sempre que desejávamos.

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Igor Cruz
Arquiteto, urbanista, escritor, podcaster e editor. Escrevo em busca de algo que me conecta com o outro, que me faz emergir em uma onda de amor e pensamentos sobre o que a vida ainda pode ser. A escrita é uma ponte que nos conecta há um novo mundo cheio oportunidades e conhecimentos. Cabe a nós e somente nós, dar o primeiro passo para atravessar essa ponte. Podcaster no InFormais Podcast.

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