Meu amor de carnaval

Imagem de capa: Corrado Baratta, Shutterstock

Foi um tiro certeiro bem no meio do meu coração. Batata! Sem chance de fuga, sem possibilidade de conversão à direita. Minha esquerda inteira foi comprometida por uma flecha desvairada chamada paixão. Ah, é carnaval!

Me pegou em cheio, prendeu entre os braços meu abraço até então perdido na multidão. Entreguei meu coração sem apresentar resistência, sem desacato, sem razão aparente. Você abriu a porta e fui em direção à lua.

Cheguei ao céu em menos de um segundo quando nossos lábios se tocaram. Aconteceu: meu corpo inteiro virou passageiro do seu carro alegórico. Conduz-me aos delírios do caminho, faz o milagre do tempo e para de vez os ponteiros.

Nos seus braços estou imune às maldades do mundo. No seu colo sei que a maré é tranquila, que o porto e o cais se encontram quando viramos um só. Essa respiração no meu ouvido parece uma ondulação natural na água do mar. Ah, é carnaval!

Você traz paz, me faz inteira, me orienta, me tudo e tanto. Batata! Meu coração está nas alturas e à disposição do seu. Bate junto do meu. Tum tum, tim tim! Um brinde aos encontros da vida, à queda do muro que contraía o músculo do peito – que você derrubou.

Fiz um transplante do miocárdio sem anestesia. Doei meus sentidos quando tropiquei em você. Cedi tudo que tenho ao tempo – e em troca pedi apenas que me deixe algumas horas para ver você dormir quando a folia acabar.

É que você dorme tão lindo que não consigo fechar os olhos. Cada segundo perdido é uma eternidade sem você. Deixo-me ir de carona no sono que descansa o corpo, me permito ser o seu sono e zelar pelo sorriso que o recebe a cada despertar. Ah, é carnaval!

Fui flechada, não tem mais jeito! Sua voz é marchinha de carnaval que faz minha festa particular. A Sapucaí é nossa cama que balança nas ondas do mar. Meu par na avenida tem cor de desejo e meu samba enredo é de uma nota só: A M A R.

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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