Ela, um coque.

Imagem de capa: Tumblr

Quem sou eu pra discordar? Toda mulher fica linda de maquiagem e cabelos tão bem penteados e banhados a fixador que nem um furacão grau cinco tiraria do lugar. Mas, nada no mundo consegue ser mais incrível que ela passeando pela minha casa com uma camisa amarrotada, manchada de vinho que derramamos ontem enquanto nos beijávamos. Nada consegue apagar a beleza daquele pescoço à vista, aquele coque alto, desajeitado e deliciosamente perfeito.

Ficamos em casa, preparamos um monte dessas gordices que se leva pra cama no domingo, um bom vinho, alguns filmes e um cobertor pra acaso esfriar, uma playlist daquelas, pra acaso esquentar, e esquentou. Ela levantou pra encher a taça, me atravessou os olhos e prendeu o cabelo com as duas mãos num coque lá em cima, foi uma cena em slow motion, me passou um monte dessas obscenidades pela cabeça, não resisti, foi ali que manchei minha camisa preferida, derramando o vinho e ela sobre a cama. A mancha era só pra lembrar aquele instante singular, hoje aqui juntando as roupas pra lavar eu precisei parar e fazer desse momento um texto. Eu sou a favor do coque! Eu já disse?

Lembrei quando a conheci, era uma festa estranha cheia de gente esquisita, o Dj tocou uma música qualquer, ela abanou o rosto suado com as mãos, levou uma das mãos sob o pescoço e o mundo silenciou, ela prendeu o cabelo, daquele jeito que me fez ensaiar um discurso pro nosso casamento. O coque dela merecia um especial de final de ano, ou quem sabe a sorte de aparecer ao lado do Roberto Carlos, o coque dela é a confirmação clara de que a beleza mora na simplicidade.

Se não aparecer na Globo? Tudo bem, o coque dela tem um texto meu. Se o Brasil todo não ver? Tudo bem, vou aplaudir todas as manhãs o show solo dela pela casa andando com as pontas dos pés enquanto eu escrevo e a observo com uma caneca de café rindo na janela pros passarinhos. Se ninguém mais souber? Nem observar? Ainda serei eu a dizer que o pescoço dela está dentre as maravilhas do mundo, que tem cheiro de estar em paz, que é a porta de um paraíso inteiro, da cabeça aos pés, de um sorriso inteiro, que agora é meu. Se Roberto Carlos nunca cantar? Ainda vou cochichar no seu ouvido, “…um soluço e a vontade de ficar mais um instante”, debaixo desse coque, onde o mundo todo para pra vislumbrar a delícia de quem ela é!

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

4 COMENTÁRIOS

  1. Eu só queria saber onde estão os caras tipo o Giovane?! Que apreciam esses detalhes, mas mais que isso, que enaltecem isso, que declaram isso, fazendo com que a mulher se sinta unica.

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