Minha vida anda uma bagunça.

Meu quarto parece refletir a minha alma. Tudo aqui dentro vive meio sem destino sabe, na verdade, minha vida anda uma bagunça e não é pelo simples fato de não querer organizar, mas, ainda não sei como, nem a hora certa de colocar tudo em ordem, entende? A porta está aberta, mas te aconselho a não entrar agora, vai se perder em meio a tanta bagunça como alguns rapazes que sumiram por aqui e não foram mais vistos. Ainda tenho um quarto pra varrer, uns cacos pra ajeitar, e minha alma pra arrumar. Vai por mim, você não iria querer entrar agora.

Nestes últimos dias, mergulhei minhas retinas nas doces palavras de Re Vieira e Monika Jordão, mas novamente me acabei em lágrimas que inundaram toda minha alma transbordando sobre o castanho dos meus olhos. Amigos e conhecidos me indicavam Paulinho Rahs ou Flavio Souza – malditos poetas que me faziam chorar como uma garotinha com o encanto e a suavidade das singelas palavras -, e me peguei triste novamente. Eu queria saber a fórmula mágica de arrumar a alma, de ajeitar a vida, e não mais machucar o – ou um – coração. Existe fórmula pra isso? Mas quantas pílulas tomar? Duas vezes ao dia? Leio a bula? Ler Ana Luiza Santana ajuda? Quem sabe Fabíola Simões? Eu ando meio perdida – quiçá desorientada – em um mundo que eu mesmo inventei e não sei como arrumar, sabecomé? Ainda bem que você sabe, achei que fosse louca por um momento.

Sou pura desordem, não me conheço muito bem, me perco em dúvidas bestas, durmo mais do que deveria, amo mais que durmo, e quando se trata desse amar cotidiano, sou a porra louca mais insegura do universo.

Mas eu lhe juro, assim que me compreender um pouco mais, e arrumar umas incertezas aqui dentro, você será meu convidado ímpar.

Saiba que não convidaria alguém pro meu universo de dubiedades, sem algo concreto para oferecer. Então deixa a tempestade passar e eu pôr algumas certezas no lugar. Me deixa arrumar meu canto aos pouco e uma vez que você passar na rua e ao olhar pela janela notar que tudo está em seu devido lugar, vai perceber que minha alma se ajeitou pra tua chegada.

Mas agora não, tem tanta poeira no chão, são tantos cacos espalhados, mútuas dores-fortes-lembranças perdidas, são tantas incertezas querendo virar certeza. Não mergulha teu barco apaziguador neste meu oceano de dúvidas violentas, espera a maré se acalmar, e vai saber a hora certa de ancorar.

Minha vida anda uma bagunça, eu sei. E minha alma clama por limpeza.

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Pedro Ficarelli
Me chamo Pedro Ficarelli, tenho 25 anos e curso Letras. Garoto bobo apaixonado pela escrita e pelos contos do Gabito Nunes. Pernambucano de Olinda, carismático com um quê de romântico. Escrevo por vida desde moleque tímido com um sonho, de uma dia, minha palavras chegarem a teus ouvidos e visitarem teu coração. Escrevo para pôr palavras onde a dor se faz insuportável. Seja bem-vindo ao meu mundo, o nosso, onde um pouquinho de mim, somado a um pouquinho de ti, torna-se bastante de nós.



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