Os amigos que só toco com o coração

O mundo é uma biblioteca gigante de livros incríveis que contam histórias. As obras são de diferentes linhas e abordagens, cores e estilos, temas e linguagens. E o que une tudo em um espaço só se chama vida.

Todo ser humano é um livro cheio de contos, poesia, dramas e histórias de superação. A pessoa que está ao seu lado no ônibus, o atendente da lanchonete, o dono da empresa, a moça que limpa o prédio e o padeiro que faz o pão que você come no café da manhã. Todos nós temos uma estante nessa biblioteca do mundo.

Certa vez um taxista me disse que a melhor parte do trabalho dele são as histórias que ele escuta. “Aprendo mais do que em qualquer universidade”, lembro bem de ouvir isso. Alguém é louco de duvidar? A vida é a grande escola e todos somos professores.

Quando paramos para prestar atenção ao que acontece com o outro é que percebemos isso. São raras as pessoas que se param ao centro da biblioteca da vida para ler o que o companheiro disse, escreveu ou está a contar. Não temos tempo, nem saco, nem curiosidade pelo livro de quem passa por nós, exceto se estivermos como protagonistas da história?

É algo a se pensar com carinho, pois o grande lance da vida é essa troca de energia que um faz no mundo do outro. E não precisamos de tanto tempo ou de muita paciência para compreendermos que fantástica história pode ser essa.

Temos hoje diversos pontos a favor para a leitura de mais livros, além do nosso. É o mesmo papo do que acontece fora do próprio umbigo. Vivemos em um mundo digital onde eu posso ter um milhão de amigos sem vê-los uma única vez. Há quem vá dizer: “Ah, essas relações digitais…”. Concordo! Nada como um café com aquele irmão que escolhemos para construir a vida.

São duas coisas diferentes (e importantes): os amigos que andam conosco, pé com pé, mãos dadas, cabeça no ombro, gargalhadas até amanhecer bebendo vinho um na casa do outro. No entanto, temos uma gama de oportunidades de ler outros livros que se encontram distantes de nós, pessoas que moram longe e que talvez nunca tenham seus destinos cruzados (além do inbox do Facebook).

Não é triste isso? Claro que não! É um presente poder fazer parte do livro de alguém que nunca vimos, e melhor ainda se for para acrescentar poesia nesse capítulo. Nos últimos tempos tenho tido a oportunidade de conhecer gente de todo país e saber de histórias fascinantes que acontecem com pessoas mais fascinantes ainda. Coisa que sem o Facebook nunca seria possível, certo? Somos amigos virtuais sim e alguns desabafam comigo como se estivéssemos sentados tomando um mate na praça da cidade.

É incrível ter a oportunidade de ler esses livros e de compreender como somos todos donos de obras cheias de desafios e superação. Fui abençoada por conhecer histórias de pessoas iluminadas de todo canto do país como Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Manaus, Goiânia, São Luiz e por aí vai. Gente que foi tocada pelo que escrevo e veio dividir comigo a diferença que algumas palavras fizeram em suas vidas. Obrigada! Obrigada!

Semana passada uma menina de Araponga me adicionou no Facebook para comentar um texto meu. Onde fica Araponga, você sabe? Não fosse a doce Luciane me procurar, nunca saberia que essa é uma linda cidadezinha de Minas Gerais que não chega a 9 mil habitantes. Quando na minha vida eu conheceria a história da Lu? E quando teria a chance de saber mais sobre Araponga?

É muito bacana ter em minha vida pessoas como o Gleidson Costa, a Carol Daimond, a Andy Alcantara, a Rafa Gomes, o Maycon Souza e tantos outros amigos que fiz “virtualmente”. Existe uma linha invisível que liga você a uma série de outras pessoas, mas, geralmente, só percebemos aquelas que podemos tocar. Há espaço na biblioteca para todos os livros e a gente só precisa de uma coisa: disposição para conhecer essas histórias e coração para se apaixonar por elas.

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.



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