Relacionamento aberto, para quem?

Por Isabela NicastroSem Travas na Língua

Não, eu não quero um relacionamento aberto. Não quero tentar. Não quero ver “qualéquié”. Não quero testar. Quando se trata de sentimentos, posso afirmar com certeza de que não preciso de teste para defini-los. Estou bem certa do que quero. Certa do que me faz bem e do que não faz. Fiquem à vontade para me julgar careta, teimosa ou qualquer outra denominação. Sinto lhes dizer, mas relacionamentos abertos, definitivamente, não são a minha praia.

É claro que conheço alguns casais que optaram por um relacionamento aberto e estão inteiramente felizes com essa escolha. Assim como conheço outros que resolveram tentar e saíram realmente magoados da tentativa. Acredito que é uma opção válida assim como qualquer outra. No quesito relacionamentos, tudo é válido quando a intenção é a felicidade. No entanto, “abrir” a relação é uma tarefa para poucos.

É preciso muito desprendimento e desapego. Muita paciência e compreensão. Afinal, abrir mão das demonstrações de fidelidade é abdicar também do ciúme, da cobrança e da desconfiança exagerada. É preciso muita confiança, diante de tamanha liberdade. Além disso, o acordo feito entre o casal é essencial. Muitas vezes, o relacionamento aberto é uma via de mão única. Apenas um lado está disposto ou, por vezes, apenas um lado tem plenos direitos.

Enquanto um se gaba de viver um relacionamento sem amarras e limitações, o outro se sente acuado, traído e, na maioria das vezes, não usufrui dos benefícios do tal relacionamento aberto. Ao mesmo tempo em que ele pode ficar com várias meninas, ela só pode se relacionar com outros sob o consentimento ou aprovação dele. Enquanto ele se sente livre, ela se prende ao fato de ter que lidar com a liberdade. É isso que tem me intrigado ultimamente. É aberto para quem? Para ambas as partes? Nem sempre. Apesar do acordo, na prática, as coisas se distorcem um pouco.

Quando os interesses são distintos, o sofrimento é certeiro. Não há como manter qualquer tipo de relacionamento, seja ele aberto ou não, quando duas pessoas não concordam sobre uma definição essencial para a relação. Só podemos chamar de relacionamento aquilo que leva o outro em consideração. Quando os interesses individuais não se sobressaiam, impositivamente, ao consenso. Dessa forma, engana-se quem acredita que, em um relacionamento aberto, a fidelidade é o de menos. É preciso ser ainda mais fiel. Fidelidade ao seu parceiro, ao acordo entre vocês e ao direito de ambos.

Portanto, se você não dá conta, não tente. Não arrisque. Posicione-se. Leve em consideração o desejo do seu coração e respeite o sentimento do outro. Para “abrir” qualquer relação, primeiramente, é preciso respeitar o sentimento. Você sabe bem o que lhe faria bem. Dê ouvidos ao seu coração e esteja em paz com a sua decisão.

via Sem Travas na Língua

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Isabela Nicastro
Capricorniana, 23 anos, jornalista. Apaixonada por mar, cães e cafés da tarde em família. Não dispenso bacon e muito menos uma boa história. Meu coração é intenso e grita mais do que a razão. Tenho o sentimento como guia e a escrita como ferramenta.



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