Por um hoje mais feliz: vai se amar!

Se você fizesse hoje uma lista do que é que te aborrece, quão extensa seria sua lista? Você sabe exatamente o que é que tira sua paz? E será que você sabe que boa parte destes aborrecimentos pode ser apenas deixada para lá? Ou solucionada usando a força que está escondida dentro do seu eu? Existem alguns eixos primordiais na vida de um adulto, que precisam de atenção e cuidado. São eles: emocional, profissional, intelectual, espiritual, saúde e lazer. Vamos falar do emocional?

O emocional envolve nossas relações afetivas como um todo: família, amigos e relacionamentos amorosos. É preciso ter paz com a família e nela; ter harmonia com os filhos, irmãos, pais; desenvolver a capacidade de diálogo e nutrir sentimentos bons. Os amigos são um refúgio, são aquelas pessoas que escolhemos por afinidades, por sentimentos, ou, simplesmente, porque assim o desejamos. Ser amigo envolve companheirismo, fidelidade, lealdade e altruísmo. Nenhuma destas relações admite a inveja, a cobiça ou a maldade. Os relacionamentos amorosos, estes sim, são o cerne de todo o desequilíbrio emocional. Não há nada mais potencialmente destruidor que um relacionamento fracassado. Não há nada que exija mais força para uma pessoa renascer que a destruição de um amor. Mas não há nada, tão capaz de erguer alguém do fundo do poço, como uma autoestima adequada.

Eu tenho plena convicção de que esperar e exigir retribuição em um relacionamento não é dependência afetiva. Eu sei, por A mais B, assim com jargão e lugares comuns, que esperar ser valorizado é atitude de quem ama a si mesmo. É pedantismo em excesso ou carência em demasia, achar que se pode amar sozinho, que o amor nascido apenas em um lado sustenta uma relação. Quem não se ama aceita migalhas, apenas por estar ali, por ter um rótulo. Eu sei que aceitar um companheiro soberbo e orgulhoso, o suficiente para se achar no direito de não demonstrar nenhum tipo de admiração por você, é a maior forma de admitir a sua pouca estima. Estes são sinais de que não existe estima, pois quando se aceita qualquer coisa a troco de fingindo amor, apenas por preguiça de buscar algo mais profundo, não há como crer que existe amor próprio. O medo de perder aquele pouco que se tem não pode ser maior que o desejo de ser feliz. Se você não lutar por si mesmo, ninguém mais vai. Amor só é via de mão única para quem não tem amor próprio ou na via crucis do jovem Werther. Nós nascemos para retribuir e sermos retribuídos. Amor tem que ser uma via de mão dupla.

Deus me livre de aceitar que eu não mereço amor. Deus me livre de aceitar que nada é para ser estupendo nas mínimas coisas. Deus me livre de concordar que estar comigo é um fato ou um favor. Que Deus me dê a sorte de um amor correspondido, transparente e vivo! Que Deus me permita ter no meu amor o meu amigo! E, pense bem, não aceitamos nossos melhores amigos, nós os amamos, sentimos falta, queremos ser presença. Deus reforce todo o dia o tal do mandamento: “amai o próximo como a ti mesmo”, nas cabecinhas de quem aceitou que amor é só permanecer junto ou representar um papel social. Deus me livre de amar de forma vazia, porque o que quero é viver o cheio. Deus me livre de ser solidão e melancolia em par, se sozinha eu sou alegria e paz. Deus nos livre a todos de nos conformar que não merecemos mais, porque merecemos. Não existe pessoa sequer que não seja estupenda por si só em algum aspecto da própria vida. Não existe ninguém que não mereça amor pleno. Isto é mentira conformista para vender rivotril, quando as pessoas se entregam à depressão por terem aceitado qualquer coisa.

Amor é se doar, mas é, antes de toda e qualquer coisa, amar a si mesmo. Uma pessoa que não se ama não pode saber dar amor. E como uma pessoa faz para se amar? Ela alimenta a própria estima. Ela deve olhar para si e pensar nas várias qualidades que ela possui; em tudo, único e especial, que a faz ser quem é; nas suas habilidades e capacidades. Cuidar da autoestima é um exercício diário. Não é ser megalomaníaco ou narcisista, é fazer justiça a si próprio e compreender o seu valor. Tente refletir sobre o tempo em que a natureza levou produzindo seu corpo, criando seus traços, desenhando seu rosto, tecendo cada um dos seus fios de cabelo, entrançando suas veias, tudo milimetricamente sincronizado para funcionar, para dar certo. Observe todas as coisas em você que são únicas. Bilhões de pessoas e você aí, o “diferentão”: lindo como tem que ser, para aquela pessoa que vai olhar para você e pensar que nunca viu ninguém tão bonito; engraçado à sua medida; inteligente da sua forma e especialista nas coisas que lhe interessam; cheio de conquistas pessoais, algumas pequenas, outras enormes, mas suas e, principalmente, cheio de vida. Vida para se amar e ser amado. Então, ergue essa cabeça, estufa o peito, dá um sorriso sincero, olhando bem no espelho e vai se amar hoje! Vai se amar amanhã! Vai se amar todo dia! Simplesmente, porque você pode e deve. Entenda: quem se ama, atrai!

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Rândyna da Cunha
Rândyna da Cunha nasceu em Brasília, Distrito Federal, em 1983. Graduada em Letras e Direito, trabalha como empregada pública e professora. Tem contos publicados em diversas revistas literárias brasileiras, como Philos, Avessa e Subversa. Foi selecionada no IX Concurso Literário de Presidente Prudente. Participou da antologia Folclore Nacional: Contos Regionalistas da Editora Illuminare e das coletâneas literárias Vendetta e Tratado Oculto do Horror, da Andross Editora- http://lattes.cnpq.br/7664662820933367



2 COMENTÁRIOS

  1. Texto maravilhoso!
    Parabéns à escritora! Obrigada por nos presentear com belas palavras, incentivando todos a se amarem mais.
    Era exatamente o que precisava ler hoje!
    Obrigada!

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