Não aceitava ser apenas uma amiga

Por Isabela NicastroSem Travas na Língua

Lembro do dia em que a gente se conheceu. Eu fiquei visivelmente encantada pelo jeito com que você era atencioso, mesmo que eu estivesse falando coisas totalmente sem importância. Tínhamos muitos interesses em comum, lembra? E o mais surpreendente é que você, tão lindo, era também tão interessante. Na época, eu tinha um certo preconceito com rapazes bonitos demais. Ainda tenho um pouco, confesso. Aparência demais e conteúdo de menos. Mas você era diferente. A sua beleza apenas complementava o quão belo você era por dentro.

Depois desse dia, ficamos muito próximos. Não nos víamos sempre, mas quando isso acontecia, era como se nunca tivéssemos nos separado. Foi assim que eu me senti no nosso último encontro. Havia tanta coisa a ser dita, depois de tanto tempo, no entanto, a sintonia era exatamente a mesma do início. Você estava ainda mais lindo. Mais velho, mais confiante, mas ainda tímido. Aliás, esse é seu grande charme. E assim, depois de tanto tempo, percebi o quanto a nossa amizade era forte.

No início, não era essa a minha vontade, você sabe. Eu queria mais do que amizade. Queria que fôssemos amigos acima de tudo, mas que pudéssemos ser muito mais do que isso. E você, cuidadoso como sempre, me explicou que não conseguiria atender ao que eu desejava. Até poderia tentar, mas não queria que eu me iludisse ou me magoasse. Você sempre se preocupou comigo, não é? Porém, confesso que foi inevitável não ficar mal. Achava que o problema estava comigo, que eu não conseguia despertar algo além da amizade em você. Tolice, eu sei.

E aí o tempo veio para que eu pudesse compreender e, sobretudo, para que a nossa amizade se fortalecesse ainda mais. Entendi que não poderia forçar algo, já que os interesses eram diferentes, independente dos motivos. A sinceridade e o cuidado foram essenciais para que a nossa amizade não sucumbisse. Eu não poderia desistir de você. Precisava apenas desistir de insistir em algo que eu nem mesmo sabia identificar ao certo. Havia confundido dois sentimentos, tão belos e, talvez por isso facilmente confundíveis.

A reciprocidade, no nosso caso, só poderia existir através da amizade. Eu não poderia forçá-lo a nada, bem como você também não me forçou a aceitar a sua condição. Deixou-me livre para seguir. E eu decidi ficar. Não poderia perder a amizade de uma pessoa tão incrível como você. Obrigada por estar ao meu lado, mesmo a uns bons quilômetros de distância. Obrigada por ter oferecido o seu apoio, quando eu mais precisei. Obrigada por ter me mostrado o real poder da amizade entre um homem e uma mulher.

Eu não queria ser a sua amiga. Mas você se mostrou o melhor amigo que eu poderia ter. Nós somos melhores juntos. E isso basta.

Fonte indicada: Sem Travas na Língua

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Isabela Nicastro
Capricorniana, 23 anos, jornalista. Apaixonada por mar, cães e cafés da tarde em família. Não dispenso bacon e muito menos uma boa história. Meu coração é intenso e grita mais do que a razão. Tenho o sentimento como guia e a escrita como ferramenta.



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