Quero ser piloto da vida

Somos todos pedaços ao meio de metades que se vão. Somos todos pedaços inteiros de inteiros que ficam. Somos guerreiros do sol, nem sempre invictos na nossa batalha diária, mas experts em continuar. Se caio, não fico. Se levanto, não me proíbo cair de novo. E caio mesmo, com tudo, de cara no chão.

É assim que me faço mais forte. Meu corpo, minha mente e minha capacidade de dar a volta por cima. É nessa volta por cima que o brilho vem, que a criatividade aflora, que o sonho ganha asas. Ninguém rala o joelho sentado no sofá. A gente só se machuca porque deu a cara para bater, porque foi lá e fez valer o machucado.

Somos humanos, graças a Deus. Tem hora que acertamos, mas também temos o momento de errar e aprender. Acertar, errar, aprender. É isso aí, meu amigo. Essa equação de álgebra da vida é que forma a gente para a maior profissão de todas: viver.

E aí vai de você decidir tirar a nota máxima ou apenas passar de ano. Creio que a maioria escolhe passar de ano, ainda que tire um tímido 6,8. No entanto, tem aqueles que querem dez, mesmo que não escapem da recuperação. Aliás, essa parte é boa, engana-se quem acha que não.

A recuperação é mais uma chance de melhorar a nota. Se não tirei meu dez de imediato é porque faltou alguma coisa. Preciso estudar mais, calcular mais, ler mais, enfim, fazer melhor aquilo que me deixa longe da nota máxima.

A vida é uma travessia cheia de aplausos, pousos e pausas. Uns mais, outros menos, uns agora, outros mais além. Tudo bem! Tudo bem! Está tudo bem! Entre aplausos, pousos e pausas é que tudo acontece, é que a gente se aventura, se machuca, se integra, age e reage!

Na travessia da vida, não quero ser passageiro, quero ser piloto. E nada de teco-teco. Eu quero uma nave espacial, com turbinas potentes e uma porção de poltronas confortáveis para quem voar comigo.

Posso fazer manobras radicais ou voos rasos, depende de onde quero ir. Há tempo para tudo, até para a queda. Como disse antes, se cair, caiu. Cai, cai, balão, aqui na minha mão, que eu te jogo para cima, avante e voante na direção da lua.

Azar o de quem ficar com a nota média, com a bunda no sofá ou com medinho de altura. Vou pegar quantas recuperações forem necessárias para buscar o meu dez, vou me atirar com os dois joelhos no chão e ralar até o cotovelo, mas vou marcar o meu gol. E o medo que se exploda e vá embora nas asas de um cometa.

Eu quero mesmo é ser estrela.

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Não estou muito preocupada com meus créditos, eu quero saber mesmo é do que me arrepia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.



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