Nós temos aquela mania de não admitirmos a falta um do outro.

É difícil assumir a falta de alguém ou, melhor dizendo, que a saudade machuca sem nenhum tipo de piedade.

Lembrar e não ter, querer e não poder. Orar e desejar, idealizar e não concretizar. Uma rotina incessante baseada em te sonhar cada dia mais. Uma vontade louca de te encontrar, puxar pelos braços, empurrar na parede e, olhando no fundo dos seus olhos, gritar para o seu coração escutar, com todas as letras, o quanto eu te amo. Soletrar, se necessário. Não deixarei nenhuma dúvida sobre os meus sentimentos e, assim, estremecerei o seu corpo sussurrando no ouvido que eu nunca deixei de pensar em você.

É difícil dar a cara a tapa e dizer, alto e com toda compreensão da fonética, que a saudade faz mal. A saudade arde, inflama, sangra e não se deixa esquecer. A saudade é inimiga das recordações, é rival da nostalgia. A saudade é insistente, teimosa e irresponsável. Ela aparece nos horários mais inapropriados e infringe as regras. A saudade é determinada, se faz presente desde o passado até o futuro. Ao invés de colocar as mãos no fogo, saiba que a chama continua acesa por você. E ela continua me queimando, de novo e sempre mais.

Você já pensou em como seria mais fácil se assumíssemos?

Eu não preciso fazer absurdas declarações de amor, também não preciso escrever no muro branco em frente à sua casa um trecho da nossa música. Você me marcou feito uma tatuagem, impregnou igual o doce do meu perfume. Você nunca foi despedida, é apenas uma pausa. Teremos uma continuação, e você sabe disso. O fim não se encaixa em nossa história, o abraço e o beijo não faz sentido quando recebido ou dado em outro alguém. É você, e sempre será você. Desde a primeira troca de olhares, até o momento em que te roubei para mim e nunca mais me importei com outras pessoas. Eu só descobri o que eu queria quando, finalmente e felizmente, eu te conheci. E me reconheci, me encontrei.

Seria mais fácil se eu te falasse alto e sem receios o quanto eu sinto a sua falta. Seria mais fácil se eu jogasse o orgulho pela janela, atropelasse a minha teimosia e não apagasse as tantas mensagens que eu já tentei te enviar, mas não tive coragem. Seria mais fácil se eu corresse para os seus braços, e te cobrisse com todo o meu cuidado e proteção. Seria mais fácil se eu tivesse as suas certezas, mas estou com inseguranças. Seria mais fácil se nos tornássemos par, e parássemos de perder tempo no ímpar. Seria mais fácil se você dissesse que sim, que você também não aguenta mais esperar para me ter, novamente, em sua vida. Seria mais fácil se curássemos juntos essa dor, se preenchêssemos a lacuna que ficou com o nosso amor. Seria mais fácil se sentássemos e conversássemos, se não tivéssemos medo de arriscar. Seria mais fácil se não tivéssemos problemas, mas podemos resolver todos eles. Eu juro. Seria mais fácil se seguíssemos as nossas vidas, se esquecêssemos, se deixássemos de lado, seria muito mais fácil. Seria mais fácil se não existisse amor em nós, eu tenho certeza que seria. Mas existe amor, aliás, o amor nunca se transformou em nenhum outro sentimento. Ele sempre foi amor, e sempre será. Amor é o que sentimos.

O amor é o que mantém o elo entre nós. A ligação inexplicável e a paixão que nunca deixa de latejar. O amor é o que nos proporciona força para caminhar, a segunda chance do improvável e o sexto sentido das tentativas. O amor é o que fazemos na cama, no banho, no quintal, no sofá e no carro. O amor é o que te faz suar, transpirar, gemer, descontrolar e sentir tesão. O amor é o que te faz sentir vontade de tirar a roupa, e depois tirar a minha. O amor é o que faz você perder a cabeça quando escuta falar o meu nome. Isso é amor, não estou falando sobre um breve gostar.

Eu te amo! Porra!

Eu te amo pela descoberta que você fez da melhor parte de mim. E também, por você ter entrado no meu coração e ignorado os caprichos, as minhas fraquezas, as limitações, as fantasias, ter trazido a luz, um mundo de coisas lindas que eu nunca me importei. Eu te amo por você ter tomado posse do meu corpo e me delimitado de norte a sul, de leste a oeste, e ter feito os meus sentidos vibrarem como uma orquestra. Eu te amo, e cada dia é como se fosse uma vida inteira. Eu poderia até desistir de você. Eu seria capaz até de apagar da minha memória tudo o que vivemos e compartilhamos, lado a lado. Ou simplesmente, eu poderia excluir do meu coração todas as palavras bonitas que você já me falou e tudo o que sinto. Mas eu não quero, porque o meu amor é verdadeiro. E por seu amor vale a pena lutar, não importa as probabilidades. Por você vale a pena, sempre vai valer.

É que tem horas que o coração aperta, e aquela vontade de chorar aparece…

Eu tentei ser forte e não deixar as lágrimas escorrerem, mas nesse caso, o choro é o melhor desabafo.

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Jéssica Pellegrini
Nunca confie em uma escritora confusa e romântica. As controversas entre um texto de amor e outro de desilusão, podem causar questionamentos pessoais. Consequentemente, sequelas mais graves.



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