Viva sem aqueles que vivem sem você

POR SAMANTHA SILVANY

Você não precisa ter essa pressa, essa ânsia de dar certo. Você pode se dar ao luxo de dar errado ainda mais algumas vezes e ter ciência de que faz isso de coração aberto, e que não lhe caberá arrependimentos ainda quando chegar ao fim. Se manter com quem não nos sacia é se conformar, desistir. Há tanta gente no mundo e, com certeza, muitas outras estarão tão dispostas quanto ele a te fazer feliz. Mas é aquela coisa: pra descobrir, você tem que se permitir. Além de tudo, é bem egoísta manter alguém conosco só pra não ficarmos sozinhas ou porque temos o conforto de que ele gosta da gente. Mesmo que ele seja maravilhoso, nesse momento, não é ele. E por mais que racionalmente você saiba o quanto ele se esforça pra te fazer bem, o que realmente nos preenche é aquilo que nutrimos de dentro pra fora. Às vezes, só ser amada não nos basta. Precisamos amar também. É uma necessidade.
Tudo é uma questão de valer a pena. Não posso dizer o que seja melhor pra você, aliás, ninguém pode. Você vai descobrir isso sozinha arcando com as consequências de suas escolhas (a gente sempre se engana quanto a isso: decidir é a parte fácil, quando a consequência vem é que nos arrependemos ou agradecemos) de qualquer forma, ambos já terão seguido em frente. Ou tentado. Ou fingido. Mas, de fato, quando não há disposição pra persistir, deixa de ser amor pra ser teimosia nossa, birra. Às vezes, o melhor é deixar que se afaste mesmo, que se libertem. E que a vida tome de conta, sabe? Vai que volta ou vai que se esquecem um do outro, quem pode saber?

Honestamente, não preciso de meio amor, meio romance, e eu não saberia me doar por inteiro sem que houvesse paixão, desejo, vontade. Porque estar com ele seria uma decisão racional, e sinceramente, razão é necessária, mas a emoção é que faz as engrenagens do nosso mundo girarem. Não me incomodo de estar sozinha e, até mesmo, de deixar passar muita gente bacana por falta de interesse em tentar. Dar certo, pra mim, nunca teve receita de bolo. Acontecia de forma natural. Ou não acontecia, simplesmente. E a vida seguia em frente, cada um para o seu lado, eventualmente, se esbarrando aqui e ali e sem saber porque não conseguimos ficar juntos. Talvez não devêssemos ficar e, talvez, apenas não quiséssemos de verdade.
Mas nunca me arrependi de seguir os ímpetos do meu coração, nem mesmo quando me acostumei a ficar sozinha e temi ter meu mundo de cabeça pra baixo por mais alguém. Ainda assim, era minha decisão. Minha vida. Meu mundo. Não temos o controle de tudo, quem dirá de todos a nossa volta, mas somos responsáveis por aqueles que cativamos. Aí você deve se perguntar, vale a pena trazer o peso de tantas vidas, graças às tentativas de se fazer amada, quando tem consciência de não ser recíproco? Sei lá, sempre me senti mal por não gostar à altura. Não me culpo por isso, é claro. Mas se todo mundo poupasse os outros do que não fariam a si mesmos, com certeza, amor não seria um risco, e sim, uma sorte de quem o tivesse.

Acontece que nem sempre é amor, pode ser obsessão. Ou ego ferido. Em resumo, pode ser perda de tempo também. Se ele te amasse, vocês estariam juntos. Não tem entrelinhas pra isso, é preto no branco. Tão simples quanto parece. Se ele dá desculpas, então, está se aproveitando do fato de que você sempre esteve/estará disponível quando quiser. Você tem que cortar isso, mas você já sabe disso. Talvez, queira ouvir de mim que o amor prevalece, que devemos lutar, que no fim todos seremos recompensados. Mas isso não vai acontecer. Porque ele não vale a pena. E só sei disso porque se valesse, a história seria outra. Só mudam os personagens, mas o enredo é sempre o mesmo.

Desapego não é um bicho de sete cabeças, mas de uma cabeça só: a sua. É uma luta interna em que você tenta se autoboicotar. Em que você tenta provar pra si mesma de que precisa dele. Mas não é verdade, você não precisa. E tem que parar de arranjar meios de tornar isso mais dolorido. A gente não tem como ajudar quem não quer ser ajudada. Você precisa gostar mais de si do que pensa gostar dele, é o primeiro passo.

Continue tentando com outras pessoas, tendo sua vida, se divertindo, saindo, se focando mais em si mesma. Não pare, não se entregue à pena de si. Eventualmente, vai aparecer quem lhe desperte algo bom, e você vai sentir todo aquele turbilhão de emoções começar novamente. Amor é cíclico, quanto mais a gente espalha, mais volta pra gente.

Para mais textos da autora visite seu blog Bendita Cura

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A Soma de Todos Afetos
Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".



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