Erótica é a alma – Fabíola Simões

Texto de Fabíola Simões

Adélia Prado certa vez escreveu: “Erótica é a alma”. Além de poética, a frase é redentora, pois alivia o peso da sensualidade a qualquer custo, a busca desenfreada pela juventude perdida, a corrida pelos últimos lançamentos da indústria cosmética.

E nos autoriza a cuidar mais da alma, a viajar pro interior, a descobrir o que nos completa. Pois se os olhos são as janelas da alma, de que adianta levantar pálpebras se descortinam um olhar de súplica?

Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos. Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios; erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.

Porque não adianta sex shop sem sex appeal; bisturi por fora sem plástica por dentro; lifting, botox, laser e preenchimento facial sem cuidado com aquilo que pensa, processa e fala; retoque de raiz sem reforma de pensamento; striptease sem ousadia ou espontaneidade.

Querendo ou não, iremos todos envelhecer_faz parte da vida. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos_ se você permitir.

O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior_ tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente. Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte pra suportar.

Não tem problema cuidar do corpo. É primordial ter saúde e faz bem dar um agrado à auto estima. O perigo é ficar refém do espelho, obcecado pelo bisturi, viciado em reduzir, esticar, acrescentar, modelar_ até plástica íntima andam fazendo!
Aprenda: Bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.

Vivemos a era das emergências. De repente tudo tem conserto, tudo se resolve num piscar de olhos, há varinha de condão e tarja preta pra sanar dores do corpo, alma e coração. Como canta Nando Reis, “O mundo está ao contrário e ninguém reparou…”

Desaprendemos a valorizar aquilo que é importante, o que é eterno, o que tem vocação de eternidade.
E de tanto lustrar a carapaça, vivemos a “Síndrome da Maça do Amor”: Brilhantes por fora e podres por dentro.
O tempo tornou-se escasso, acreditamos que “perdemos tempo” quando lemos um livro inteiro, quando passamos horas com nossos filhos, quando oramos ou viajamos com a família. E nos iludimos achando que poderemos “segurar o tempo” cuidando da flacidez, esticando a pele, preenchendo espaços.

Cuide do interior. Erotize a alma. Enriqueça seu tempo com uma nova receita culinária, boas conversas, um curso de canto ou dança. Leia, medite, cultive um jardim. Sinta o sol no rosto e por um instante não se preocupe com o envelhecimento cutâneo. Alongue-se, experimente o prazer que seu corpo ainda pode lhe proporcionar. Não se ressinta das novas dores, da pouca agilidade, dos novos vincos. Descubra enfim que a alegria rejuvenesce mais que o botox.
E não se esqueça: em vez de se concentrar no lustre da maçã, trate de aproveitar o sabor que ela ainda é capaz de proporcionar…

Nota: Este texto tem sido atribuído erroneamente à Adélia Prado. Porém, está registrado na Biblioteca Nacional como obra de Fabíola Simões e é parte integrante do livro “A Soma de todos os Afetos”, de Fabíola Simões

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Fabíola Simões
Nasceu no sul de Minas, onde cresceu e aprendeu a se conhecer através da escrita. Formada em Odontologia, atualmente vive em Campinas com o marido e o filho. Dentista, mãe e também blogueira, divide seu tempo entre trabalhar num Centro de Saúde, andar de skate com Bernardo, tomar vinho com Luiz, bater papo com sua mãe e, entre um café e outro, escrever no blog. Em 2015 publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos os Afetos" e se prepara para novos desafios. O que vem por aí? Descubra favoritando o blog e seguindo nas outras redes sociais.

77 COMENTÁRIOS

  1. Oi Fabíola,
    uma amiga me mandou o link do seu blog e adorei! Seu blog é lindo e com temas super interessantes, você escreve muito bem! Já estou te seguindo.
    Seus textos tem muito a ver com o trabalho que realizo com grupos de mulheres aqui em São Paulo.
    Se você permitir, gostaria de postar alguns trechos deste seu texto no meu blog, com o link para o seu.
    Virei sua fã
    Ótima semana
    Bjs

  2. Oi Cristiane! Obrigada pela visita e pelo carinho! Fico muito contente que tenha gostado e será uma honra ter meu texto compartilhado no seu blog! Se não conseguir copiar, me passa seu email que envio pra você, ok?
    Ótima semana pra vc tb!!!! Bjos!

  3. Oi Fabíola, obrigada, fico feliz que tenha gostado de nosso trabalho.
    A postagem com o seu texto sairá na próxima semana, assim que postar te aviso, ok?
    Bjs
    P.S. Posso dar uma sugestão para facilitar comentar no seu blog?
    Retire as letrinas de verificação. É difícil de acertar e agente acaba desistindo…
    É só ir em configurações – comentários – e clicar em Não no item verificação de mensagem.
    Depois inclua a moderação de comentários para não ter surpresas.

  4. Fabíola,
    Gosto de brincar com as palavras, mas nunca as levei a sério. Hoje, lendo “Erótica é a Alma” compreendi a beleza e o valor de quem escreve com tanta propriedade e sentimento. Obrigada, por partilhar “A Soma de Todos os Afetos” e fazer desse espaço um templo de delicadezas.

  5. Fabíola,qta inspiração ! Que beleza compartilhar e encher o peito !
    Uma amiga me mandou seu texto por email e me fez mais feliz hoje,pq luto p enriquecer minha alma,cozinhando com prazer p amigos,cuidando do meu jardim, tomando cafezinho com amigas e rindo muiiitooo de besteiras…entre outras coisas…

  6. Fabíola, o nosso ser é cheio de segredos, não é mesmo? Já estava percebendo esta nova face da minha existência. Vc com sutileza de quem tem uma grande alma, veio esclarecer uma etapa tão significativa e gratificante para quem tem a graça de vivê-la bem. Abraços com ternura,
    Sônia.

  7. Fabíola, acredito que nada é por acaso….por isso suas lindas palavras entraram como um carinho no meu pensamento.Parabéns pelos temas abordados e pela linda forma de escrever!
    Adriana

  8. Olá Fabíola!
    Li sua mensagem no Facebook. O que primeiro atraiu minha atenção foi a fotografia de Audrey Hepburn, que sempre me fascinou, como actriz e como ser humano. E como gosto muito de ler tive a oportunidade de chegar aqui. A arte é uma bênção da natureza e que nos proporciona momentos de prazer, fascino, encanto… tanto que têm para dar.
    Qualquer dos adjectivos eu poderia classificar o seu texto. É lindo e hei-de voltar. Gostaria muito de partilhar os seus textos no meu face, com link para o seu. Não peço para o blog porque é de culinária mas, serei sua seguidora.
    Um beijinho

  9. Bem vinda Rosa!!! Audrey sempre me fascinou também, pela beleza e postura diante da vida… acho que a imagem deu muita força ao meu texto, fico contente que tenha gostado!
    Fique a vontade para compartilhar esse texto ou qquer outro que tenha se identificado. Minha msg no facebook foi devido àquele compartilhamento específico, pois antes estava com a autoria e depois removeram…
    Visitei seu blog e gostei muito, pretendo voltar com certeza!
    Obrigada, beijos!!!!

  10. Parabéns Fabiola. Lindo texto. Você é mais uma vítima dos textos franksteins que se espalham pela rede com autoria falsa. Recebi seu texto pelo wahtsapp como se fosse da Adélia Prado. Já vi no Facebook também. Corrijo a autoria sempre que recebo. É uma pena as pessoas fazerem isto
    Acho uma violência contra o autor.

  11. Fabíola Simões, suas palavras me encanta!… São textos lindos e de uma veracidade sem limites!
    Um grade abraço, sucesso!
    Maria Aparecida.

  12. Oi Fabiola amei de mais ,posso usar seus textos em sala de aula achei super interessante e ajudaria muito meus amigos de sala minha subrinha está encantada com seu jeito de escrever. Parabèns que Deus te abençõe você é muito iluminada.

  13. Que percepção, moça! Texto dotado de sensibilidade e absolutamente feliz nas interrelações! Sabe quando lemos algo e pensamos: Putz! Eu deveria ter escrito isso! Feliz pela leitura.

  14. Fabiola, recebi de uma amiga, e amei oque escreveu, realmente o necessário é sentir, ser feliz, sem se preocupar com tudo que nos cerca, alias, se nos despreocuparmos ai sim seremos muito felizes.

  15. Fabíola: vou tomar a liberdade de compartilhar teu texto no meu BLOG. Tenho 74 anos e foi o artigo mais lindo que li sobre o assunto. Parabenizo as pessoas que tem a sorte de conviverem com uma pessoa tão rica interiormente. Vou indicar tua autoria e indicar teu BLOG.

  16. Lindo texto! Amei cada pedacinho, cheio de verdades! Me identifiquei com seu mode de pensar e de expressar as coisas. Parabens! Deus ilumine sua vida e seus pensamentos, e nos traga mais dessas reflexoes.

  17. Olá Maria Mendes! Será uma honra ter meu texto publicado por vcs! Quer que eu envie por email ou consegue copiar?
    Se for publicado, poderia me mandar uma foto com a publicação no jornal? Me deixaria muito feliz! Obrigada, abraços!!!

  18. Qual a razão de ilustrar com duas fotos supostamente de Audrey Hepburn, em 2013, sendo que ela faleceu em 1993, ou seja, há mais de vinte anos?

  19. Fabíola linda menina…
    Amei a frase: " Aprenda: Bisturi algum vai dar conta do buraco em uma alma negligenciada anos a fio…"
    Texto magnifico…reforma intima antes de tudo…pureza de espirito acima das ideias de reformar o corpo…
    Adorei…
    Beijo da SOL

  20. Fabíola fulô lindra, que bálsamo para alma seus textos. Estou encantada. Que Deus continue te dando cada dia mais inspiração e alcance muitosssssa, muitosssss…postei no meu perfil e na minha página. Cheirin cheio de gratidão!

  21. Fabíola fulô lindra, que bálsamo para alma seus textos. Estou encantada. Que Deus continue te dando cada dia mais inspiração e alcance muitosssssa, muitosssss…postei no meu perfil e na minha página. Cheirin cheio de gratidão!

  22. Fabíola, esse texto é muito lindo! E mais uma vez, recebi por whatsapp com a autoria da Adélia Prado. Infelizmente, visralizou de tal forma que é impossível reverter isso. Apenas uma sugestão, será que você compartilhando com mais frequência na página não repercutirá de forma positiva? Sucesso e muita luz para você!

  23. Fabíola li o texto pelo wpp ”Erótica é a alma ”, dando a entender que o texto foi tirado do livro de Adélia Prado. Interessei em comprar o livro , porém formou-se uma confusão, o texto é seu ou de Adélia Prado, existe esse livro ”Erótica é a alma”? Me explique, onde poderia encontrar por favor .

  24. Ola Fabiola gosto de todos os textos que vc posta mais os seus pra mim sao prioridades pra ler …parabens por nos dar o prazer de ler textos muito edificante pra nosso conhecimento e conflitos emocionais ..bjus

  25. A alma interior e o Espirito Divino.
    Sera o espirito de Deus erotico, lascivo ou sensual?
    Simples observacao, sem querer destituir o valor atribuido.

  26. Fabíola, esse seu texto é para saborear por toda a vida, pois ele será tremendo de sentido e de poética. Obrigada por presentear-nos com uma reflexão tão linda assim. Passarei a visitar seu blog, pois identifiquei-me muito com sua sensibilidade e sua escrita simples. Há poucos dias escrevi um texto sobre envelhecimento. Vou transcrevê-lo aqui, pois achei que casa com suas ideias, de certa maneira. Se puder visitar meu blog no http://elviseeu.blogspot.com.br/ , fique à vontade. Lá está uma parte do meu universo e do meu pensamento. Abraço fraternal! Denise Araujo.

    Sobre valorizar os caminhos da estrada
    Por Denise Araujo
    Envelhecer para alguns é uma dádiva. Para outros, é uma estação non grata. Acho que não vivi o suficiente para uma profunda reflexão sobre a finitude. Chega a soar irônico, pois apesar de não ter experiência suficiente para falar sobre envelhecimento, é justo o que farei, embora saiba que não cabe a ninguém um ilusório encerramento da questão. Não tenho aqui a pretensão de comunicar nenhuma primavera, mas certamente trarei o olhar mais consentâneo para mim, que, aliás, é um olhar que sempre destoou de nosso meio social. Paciência. O senso comum é implacável com a velhice. Apesar disso, fico a indagar quanto tempo a gente passa na vida preocupado com a passagem do tempo. E isso é necessário, vejam bem, o perigo está na intensidade e na forma. Levamos uma vida inteira sem saber lidar com a velhice? Sem aceitá-la e saber que é parte inevitável da vida? Esmerando-se para retardar seus efeitos no corpo e na mente?
    Até aqui, sem crises existenciais. Já pensei sinceramente que envelhecimento poderia não ser uma coisa natural e sequer acharíamos mal. Talvez vivêssemos melhor se fôssemos eternos; talvez não. Mas basta. Não dá pra viver a vida elucubrando e queixando-se. Estou degustando com prazer e sem dramas o passar do tempo. Pessoalmente, sinto que psicologicamente a velhice abaterá um pouco diferente, de forma mais natural, mais resignada. Sempre considerei envelhecer uma bênção, ato contínuo de viver. E é bom viver. Quem não suporta a ideia de envelhecer como algo natural deveria ao menos pensar que resta-lhe uma alternativa: morrer. Desculpem ser tão taxativa, mas é ou não é verdade? Interrompemos a vida e assim não envelhecemos. Pronto. Eu dispenso a precipitação. Quero aproveitar cada centelha de vida.
    A pedra fundamental, a parte dura disso não é apenas a nossa própria finitude, mas a dos que amamos. É indescritível amar alguém com todas as forças e em dado momento não tê-lo mais aqui. Aí sim o coração amiúda. E como! Vemos muitas pessoas envelhecendo ao nosso redor, presenciamos a perda da saúde delas e até acostumamo-nos a vê-las partir dali a algum tempo. Tudo muda quando vemos nossos pais, avós e tios envelhecerem, pois é como se não déssemos conta de que eles irremediavelmente também perderão o ânimo, a memória, a vitalidade. Eternos imaturos que somos, temos a tendência de achar que eles não mudarão e serão iguais, que apesar dos anos eles não viverão em situação de fragilidade a ponto de precisarem de nossa ajuda. Não é só de experiências que precisamos, mas de fortaleza para lidar com isso. E paciência, e benignidade…
    Contanto como tudo que existe, não há só céu ou inferno em envelhecer. Há nuances em tudo. Diversidades, singularidades e a fina mágica da mente humana, que direciona a vida para o alavanque ou o soterro. Sempre fui positiva nesse aspecto. Admiro desde sempre as pessoas mais velhas. Adoro conversar e relacionar-me com idosos. E, para o choque da grande massa, vejo beleza na velhice. Sim, porque na beleza física, além de caber o relativo, cabem as particularidades de cada fase da vida. O tempo corre seus anos, mas algumas pessoas parecem não notar. A minha avó materna, por exemplo, ao que parece envelheceu sem perceber, tal era a sua energia vital – apesar das doenças. Era uma avó-menina, linda como uma azaleia. No caixão ela estava tão bonita e queda que mais parecia dormir. E sonhar. Segurei algumas flores de lírio no caminho do sepultamento e coloquei-as sobre o sepulcro. Da cena e do cheiro eu não esqueço. Será por coincidência que hoje meu perfume predileto tem aroma de lírios? Vai saber.
    O passar dos anos pode não trazer apenas rugas, mas altivez. Da infância à terceira idade, cada momento reserva traços do belo e do singelo. As perguntas são: Você gosta da veracidade? Está pronto para ver isso? Ou ainda : Quer ver isso? É preciso criar novos paradigmas e olhar com mais carinho para esse segundo tempo da vida. Assim como para brincar com uma criança é preciso sonhar, para aceitar a finitude é preciso dilatar-se, apaziguar o coração. A cronista gaúcha Martha Medeiros tratou essa fase pós-cinquenta de segunda juventude, e até disse que nela é possível realizar novas aventuras.

    É isso ou ser rebanho, caros amigos, supervalorizando a juventude em uma sociedade que valoriza todo tipo de fugacidade. Em uma sociedade plastificada os valores são frívolos, as relações líquidas ( para aprofundar-se , cabe ler o sociólogo e filósofo polonês Zigmunt Bauman). Supervaloriza-se a juventude permanente e pretere-se a velhice como valoroso espaço de existir. Ora, sejamos mais sensíveis ao humano. Mudemos esses paradigmas e assumamos novos padrões. A eterna juventude é utopia. Mas jovialidade é outra coisa. Se o sujeito tem energia, saúde, esperança e disposição para a partilha, provavelmente escutará que parece um jovem, independente do quanto já viveu. Fome de viver é uma característica legada aos jovens, mas ela pode estar em qualquer um de nós, se pararmos para raciocinar bem.
    Há poucos dias, um fato engraçado. Pela primeira vez alguém tratou da minha idade como peso. Em uma loja, a vendedora soltou no meio de uma explicação: “ a senhora já está com quase quarenta anos”. Nenhum drama. Confesso que fiquei me segurando para não rir na hora. Não perguntem por quê, embora ache que seja uma daquelas pessoas bobas para rir. Se alguém trata com pesar os meus trinta e poucos anos, imagina como não enxerga quem tem cinquenta ou sessenta anos? Eu, que tenho a felicidade singela do bem-te-vi, uma vida boa e bastante ocupada, sequer parei para pensar nisso até agora. Tenho praticamente a mesma forma física da adolescência, mantenho hobbies desde muito cedo, sou razoavelmente saudável (afinal, ninguém é zero quilômetro), preservo algumas purezas, e apesar de ter vivido algumas experiências duras contrárias a essa fé no melhor, decidi ser crédula, ter esperança. Espero continuar assim.
    Dificilmente algo é totalmente ruim e desprezível. Aos que são de amadurecer ( nem todos parecem dados a isso), a maturidade que vem com o tempo é muito boa. Seria perfeito se pudéssemos nascer maduros. Assim diminuiríamos a importância das coisas que já não tinham importância, mas não sabíamos. O filme “ O curioso caso de Benjamin Button”, do diretor americano David Fincher, mostrou com graça na ficção como seria isso. Na Nova Orleans do início do século XX, nasce Benjamin Button de forma curiosa e incomum. Apesar de ser um bebê, tem a aparência e as doenças de um idoso avançado. Ele segue um caminho inverso ao de todos nós, pois ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Delicadezas transbordam o filme, mas nenhuma poesia supera o encontro com o seu amor Daisy, uma criança que Button conheceu quando menino e por quem se apaixona. Ele aguarda que Daisy cresça para tornar-se uma mulher, enquanto ele rejuvenesce para tornar-se um jovem adulto e assim os dois envolverem-se amorosamente.

    O fato é que quanto mais vividos, damos mais importância para as coisas que não sabíamos, mas temos que dar. A maturidade ajuda a equalizar a vida. Não tem crise. A alma não envelhece. O pensamento não envelhece. O belo não envelhece. O amor não envelhece! Achar ruim envelhecer significa achar ruim a fatura de viver. Significa só valorizar parte da estrada (a chegada) e esquecer do caminho percorrido. Sentir assim significaria não gostar dos banhos de água doce que tomei, dos sonhos que realizei, dos chocolates que comi, dos beijos que dei, das histórias que li, dos choros de alegria ou dos amigos que docemente somaram-se na minha jornada. Tá tudo ali, na minha fatura. E perdoem-me, mas não acho nada disso ruim. Pago essa conta com gosto.

  27. Fabíola, por gentileza, peço que se tiver sido indelicada em partilhar meu texto com você, bem como o link para meu blog, perdoe-me. Não quero importunar ou ser indelicada, mas às vezes a nossa humanidade escorrega nessa vida e erramos. Peço perdão se a incomodei e reforço que minha comunicação é para declarar o imenso amor que criei por sua Literatura e, por consequência, por você – esse ser tão sensível e iluminado por muita sabedoria de vida. Os seus escritos guardam isso. És linda, não podes negar. Caso não queiras publicar meu comentário acima, entenderei perfeitamente. A admiração permanece a mesma. Ganhastes uma fã aqui em Natal/RN. Abraço cheio de carinho.

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