Essa semana pipocou na internet a notícia de que era possível acelerar um áudio de WhatsApp. Logo, muitos de nós concluímos que a ideia era boa, principalmente, se pensarmos em familiares, amigos e colegas de trabalho que gostam de enviar mensagens de voz que duram mais que um minuto.

Não há como negar que acelerar o áudio de alguém é divertido! A voz muda e o som, realmente, fica engraçado! Lembro-me como nos divertíamos em casa quando precisávamos rebobinar a fita do videocassete, principalmente, as filmagens de casamentos em quem mostravam todos aqueles parentes e conhecidos andando de marcha ré. A risada era geral!

Porém, a pressa dos anos 90 se resumia a rebobinar a fita. No tempo atual, tudo precisa ser rápido e durar menos que um minuto. Estamos todos cansados! Conectados ao máximo, nos sentimos obrigados a responder as mensagens de WhatsApp o quanto antes; no home office fica a sensação que é preciso estar on-line respondendo a tudo brevemente e, até quando o assunto é relacionamento afetivo, tudo tem passado pela tela de um celular: de nudes a términos.

Conforme descemos o feed das redes sociais, somos inundados por vídeos, memes e notícias que consumimos em segundos. Em meio a elas, selfies e outras imagens da vida pessoal de nossos conhecidos também vão passando. É o tudo e o nada, já que muito pouco dessas informações se aprofundam em nós. Não por acaso, a depressão é chamada de mal do século e boa parte de nós está ansiosa. A sensação é de que estamos sempre correndo atrás de um trem que já partiu da estação. Se tanta coisa acontece ao mesmo tempo, se as novidades não param de chegar, se é preciso rir de todos os memes, ler o livro que está sendo supercomentado, assistir ao filme que está no TOP 10 da Netflix e saber sobre a vida de todas as pessoas, incluindo os famosos, não sobra tempo para nós mesmos.

Aceitarmos nossas limitações em paz, compreender que nossos comportamentos e corpos não possuem filtro de Instagram, dizer para a empresa e os colegas de trabalho que não queremos nada para ontem, compreender que um relacionamento pode se fortalecer, ou terminar, pela simples companhia um do outro, acreditar que alguém especial pode se achegar sem ser pelo Tinder, passar mais tempo com quem a gente ama e menos no celular são discursos que gostamos e até defendemos. Porém, na prática, andamos sempre desconectados (de nós mesmos!).

Acelerar o áudio de WhatsApp é só mais uma forma de consumir tudo com rapidez, mas, como diziam os nossos avós, o apressado come cru e quem come demais fica com indigestão.

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Cristiane Mendonça
Cris Mendonça é uma jornalista mineira que escreve há 14 anos na internet. Seus textos falam sobre afeto, comportamento e Literatura de uma forma gostosa, como quem ganha abraço de vó! Cris é também autora do livro de crônicas "Mineiros não dizem eu te amo".

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