A cidade de Umoja, no Quênia, nasceu em 1990 graças aos esforços e garra de 14 mulheres que queriam escapar dos abusos e maus-tratos de seus maridos. Hoje, em 2021, a cidade é autossuficiente, tem escola própria e recebe mulheres e meninas cujos direitos e integridade foram violados pelos homens.

Situado na África Oriental, o Quênia teve a cidade de Umoja fundada por Rebecca Lolosoli em 1990, que teve a ideia enquanto se recuperava no hospital após ser agredida por vários homens ao mesmo tempo. O motivo? O fato dela estar conversando com outras mulheres sobre assegurar direitos básicos.

Iniciar o projeto não foi nada fácil, óbvio. Rebecca e outras 14 mulheres vítimas de estupro foram tremendamente prejudicadas por homens de vilas próximas, mas com muita luta e resiliência, acabaram conseguindo criar um espaço seguro para mulheres e crianças na cidade.

Quanto à geração de recursos e dinheiro para sustentar a aldeia, as mulheres começaram vendendo joias feitas à mão na beira da rua até conseguirem arrumar o suficiente para construir a primeira escola da aldeia, na qual os filhos de Umoja e também de outras cidades próximas poderiam estudar, principalmente meninas.

A vida em Umoja é bastante precária, mas tem o necessário: além de venderem joias, as mulheres da aldeia vivem em um pequeno camping que alugam para turistas de safári. Por outro lado, também cobram uma quantia mínima para entrar na cidade – que se tornou bastante procurada pra visitar.

Com 30 anos de idade, a aldeia tem sido um local de refúgio e proteção para mulheres que fogem do casamento infantil e da mutilação genital feminina, bem como do estupro e da violência doméstica, atrocidades infelizmente ainda comuns em muitos lugares da África.

Em relação ao casamento infantil, os números são assustadores. De acordo com a ONG Girls Not Brides, 23% das meninas quenianas se casam assim que completam 18 anos, enquanto 4% se casam aos 15.

Felizmente, e como Nagusi, uma das garotas que agora mora na vila, comentou que a cidade é ideal para se afastar de toda toxicidade da masculinidade.

“Aqui eu aprendi a fazer coisas que as mulheres geralmente são proibidas de fazer. Tenho permissão para ganhar o meu próprio dinheiro e quando um turista compra algumas das minhas joias fico muito orgulhoso”, disse ao The Guardian.

Infelizmente, talvez essa seja a única saída para muitas mulheres em várias partes do mundo…

Com informações The Guardian e ONG Girls Not Brides
Fotos: Georgina Goodwin

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



LIVRO NOVO




A Soma de Todos Afetos
Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here