Falo de coração quando digo que não me permito mais ficar próximo de quem finge ou tem preguiça em demonstrar afetos. Eu até entendo que somos todos diferentes, mas eu jamais vou me culpar por querer ter a concordância emocional dos afetos que mereço.
Não estou falando de perfeição, de demonstrações ou declarações exageradas. A gente até vive em uma sociedade em que mostrar um amor feliz e combinado nas redes sociais emociona, incentiva ou vira motivo de espelho para outras relações, mas o mais importante disso tudo é realidade do relacionamento offline. É desse afeto que me refiro. Do companheirismo que não dá para colocar filtros, do respeito que não tem pose ideal em nenhum lugar do mundo, da reciprocidade que não fica registrada na galeria do celular e nem naquele publicação com textão no Instagram.
Eu sou o meu bem mais precioso. O mundo já anda desapegado, desiludido e pessimista demais para que eu me entregue e aceite qualquer migalha de afeto. Conforto não significa amor, mas pode indicar uma autoestima baixa. E eu não quero isso. Eu não acho justo, não me conformo.
Pode chover uma onda de críticas, uma fila inteira para disputar quem dispara o melhor pitaco sobre a minha vida, mas já adianto que é perda de tempo. Talvez eu tenha essa expectativa inocente em considerar afetos reais como uma tarefa impossível, tudo bem. Contanto que a escolha seja minha, agradeço.
Eu sei que mereço mais e não menos porque tenho essa consciência afetiva de buscar o melhor de mim todos os dias. Então esbarrar, encontrar, conhecer ou ser apresentado por alguém pra “pessoa que é a minha cara” vem com uma observação bem grande do lado que diz: essa tal pessoa é mesmo disponível e chega sem medo de mudar, de aprender e somar? Pronto, é a pergunta que vem refletir o mínimo de afeto que mereço.
Eu sou o meu bem mais precioso, lembra? Quero afetos de boa qualidade e conteúdo. O combinado comigo é esse faz tempo.
Imagem de capa: Charry Jin/Pexels
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