Entre 7 bilhões de pessoas no mundo, como escolher se relacionar apenas com uma?

A população mundial é de mais ou menos 7 bilhões de pessoas.

Já parou para imaginar o que significa esse número? É muita gente. Muito mais do que somos capazes de projetar.

Isso só me faz pensar em como o planeta tem muitas pessoas diferentes. De todos os tipos, cores, costumes, religiões, estilos, crenças.

Você deve estar pensando aonde eu quero chegar com isso, não é mesmo?

Esse texto é especial para quem vive um relacionamento mais longo com alguém, mas não exclui quem está solteiro(a). Esse texto é para que todos nós, juntos, possamos refletir sobre as nossas escolhas amorosas.

O mundo tem muita gente, sobre isso já falamos.

Então como ter certeza de que você está com uma pessoa que, entre essas 7 bilhões, é a ideal e mais interessante para você?

Simples. Você nunca terá essa certeza.

Por mais que os casais apaixonados de filmes digam “você é o amor da minha vida”, a real é que isso nem é verdade porque com certeza existem vários amores da sua vida por aí (você apenas não conheceu todos). O mais “correto” seria: “entre todas as pessoas que conheço, você é o amor da minha vida”.

Outro dia, conversando com amigas que namoram há bastante tempo, chegamos nesse assunto e desde então as reflexões estão me perseguindo.

Tenho pensado, principalmente, como é meio louco esse processo de nos relacionarmos com alguém e de certa forma nos fecharmos para outras pessoas. É claro que, neste caso, o objeto de discussão do texto é o relacionamento monogâmico.

A reflexão que gostaria de propor é sobre como se sentir seguro e confortável com a escolha do seu parceiro(a).

Quem namora ou é casado há muito tempo entenderá. Essa escolha, por mais natural que seja, às vezes traz questionamentos.

Será que eu deveria conhecer outras pessoas? Será que tem gente mais interessante pelo mundo? Será?

A resposta é apenas uma: com certeza existem pessoas interessantes ao redor do globo. Não há dúvidas e é preciso lidar com esse fato.

Mas de qualquer forma será impossível você conhecer as 7 bilhões de pessoas do planeta para ter certeza de que fez a escolha certa. A certeza precisa existir independentemente disso.

O exercício que eu faço e que pode ser uma boa dica é simples: considerando quem você é hoje e o que está buscando para a sua vida, a pessoa com a qual você se relaciona faz sentido para essa construção como um todo?

Se a reposta for sim, pouco importam os 7 bilhões por aí.

É claro que eventualmente tudo pode mudar. Ou então, por algum motivo, a vida pode colocar outra pessoa em seu caminho que faça mais sentido para a sua jornada.

Está tudo bem. Mesmo.

Pessoas interessantes e que teriam o potencial de te despertar interesse continuarão existindo. Se tiver que acontecer, será naturalmente.

E, por fim, outra reflexão que tive com toda essa discussão foi sobre como é normal se sentir atraído por outras pessoas mesmo quando você ama alguém.

Pessoal, acorde! Somos seres humanos, temos instintos, desejos e vontades.

A grande psicanalista Regina Navarro Lins, autora do livro “Novas formas de amar”, é uma grande defensora do poliamor. Admiro seus pontos de vista, mas confesso que ainda sou bem careta em relação a muita coisa.

O que ela diz é simples: só porque você está com alguém não significa que não possa ficar com outras pessoas. Justamente porque ficar com outra pessoa não diminui o seu sentimento pelo(a) ser amado(a).

Complexo, não é mesmo? Em uma sociedade predominantemente monogâmica como a nossa, fica difícil imaginar tudo isso.

Mesmo assim, vale refletir. E por mais que muitos de nós não estejamos prontos para o poliamor, podemos usufruir dos pensamentos de Regina para não nos culparmos ao sentirmos atração por outras pessoas quando estamos em um relacionamento monogâmico.

Atração é algo completamente normal. A diferença é como se lida com ela. Se você está em um relacionamento monogâmico, então respeite o outro e entenda se isso é algo puramente físico e passageiro ou se quer dizer algo a mais.

O planeta continuará com 7, 8, 9 bilhões de pessoas. Isso é incrível. Tem muita gente maravilhosa para desbravar e conhecer, mas não faça disso uma barreira que te impeça de criar algumas raízes e realmente mergulhar em um relacionamento com alguém.

Foto de Tim Stief em Unsplash



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Bruna Cosenza é paulista e publicitária. Acredita que as palavras têm poder próprio e são capazes de transformar, inspirar e libertar. É autora do romance "Lola & Benjamin" e criadora do blog Para Preencher, no qual escreve sobre comportamento e relacionamentos do mundo contemporâneo.

1 COMENTÁRIO

  1. Como escolher?! Elementar a resposta, muito simples, até. Do mesmo modo que você calça um par de sapatos por vez, veste apenas um traje,conforme a ocasião e/ou o clima, escolhe o cardápio e saboreia o almoço sem ficar de olho no prato alheio, emociona-se com uma canção especial, prefere um perfume e não outro, escolhe o corte e a cor dos cabelos e não abre mão daquele refúgio chamado lar e das pessoas que vivem nele: seu bebê que sorri quando encontra seus olhos (nenhum outro faz isso), a voz do ser amado, inconfundível e terna quando chama você de Meu Amor, ainda que sete bilhões de vozes sejam ouvidas juntas, destacada das outras porque de alguém capaz de ouvir você, mesmo quando não fala, enxerga lágrimas em seus olhos, ainda que não chore, adivinha emoções que você tenta esconder, respira, vive e morre por você, se necessário, e mora com você nesse pedaço de chão, único e raro, mais bonito e melhor que o mundo inteiro, onde segredos são guardados em ocultos relicários, o Céu só de vocês e mais ninguém.

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