A solidão é um dos males dos tempos atuais, não podemos ignorar isso. Tentamos afastá-la recorrendo a todos os meios e remédios possíveis. Mergulhamos num frenesi de estímulos para esquecer a solidão existe, que a solidão é real.

Mas a solidão sempre está lá, nos perseguindo quando baixamos a guarda porque não dá para fugirmos de nós mesmos. E quando não estamos mais cercados de pessoas, nem estamos assistindo televisão, lendo um livro ou quando desligamos o celular, são nesses momentos em que ficamos sozinhos conosco e o que vemos – ou talvez o que não vemos – isso nos assusta. É por isso que Séneca disse que “a solidão não é estar sozinho, é estar vazio”.

Solidão que a gente escolhe x solidão que nos é imposta

Não há uma única solidão. A solidão que nos é imposta é aquela que não buscamos ou queremos e que está relacionada a sentimentos negativos de tristeza, melancolia e/ou vazio interior. Esse tipo de solidão desencadeia as mesmas reações fisiológicas que a dor, a fome ou a sede. Porque o nosso cérebro percebe que estar separado da comunidade, estar socialmente isolado, é uma emergência. Se continuarmos a entrar naquela espiral de solidão e não aprendermos a gostar de nossa própria companhia, provavelmente entraremos em depressão.

No entanto, a solidão que a gente escolhe não é ruim, muito pelo contrário. A solidão é uma condição para a introspecção, para nos encontrarmos e para esclarecermos nossos pensamentos e sentimentos. É por isso que Séneca também diferenciou as solidões.

Imagem: Pexels/Reprodução

Séneca acreditava que nem todos podem ficar sozinhos – ou que não podemos estar sozinhos em todas as circunstâncias da vida. Se estamos maduros, se temos um bom equilíbrio mental e se temos um mundo interior rico, desfrutar da nossa própria companhia nos fará felizes porque podemos manter o controle e discernir o que é bom para nós. No entanto, se estamos passando por um período de altos e baixos emocionais que nos impedem de distinguir o que é benéfico e o que é prejudicial para nós, é melhor procurarmos um olhar/ajuda externa que nos ajude a colocar tudo em perspectiva.

O vazio interior que causa a sensação de solidão

A experiência da solidão implica uma desconexão das pessoas para mergulhar num estado de inibição social que nos força a olhar para dentro. Às vezes, olhar para dentro pode ser assustador porque não gostamos do que vemos ou simplesmente não achamos interessante. Essa, sem dúvida, é a pior solidão porque nasce de um vazio praticamente irreversível onde a paz interior não tem lugar.

Sentir-se vazio é um sentimento estranho e desconfortável muitas vezes. Algumas pessoas percebem isso como uma espécie de entorpecimento emocional e intelectual, onde o tédio se sente em casa. Não há dúvida de que o sentimento de vazio não é agradável. É provável que nos sintamos insatisfeitos, confusos e até chateados. No entanto, tentar preencher esse espaço com estímulos externos só vai aprofundar ainda mais o buraco interior, condenando-nos a uma solidão não escolhida.

Imagem: Pexels/Reprodução

Esse vazio geralmente vem da falta de sentido na vida e, claro, da perda de conexão consigo mesmo. Quando você vive muito externamente, a ligação com o interior é perdida. Então corremos o risco de perder a voz, de olhar para dentro e descobrir que não há nada de interessante para ser mantido.

Qual é o antídoto? Primeiro de tudo, se esforce mais para conhecer a si mesmo. O segundo passo essencial é alimentar nosso mundo interior. Somente quando paramos de escapar de nós mesmos podemos ter certeza de que nunca mais ficaremos sozinhos.

Artigo traduzido e adaptado do site Rincón Psicología

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

1 COMENTÁRIO

  1. Ninguém está, na verdade, só. Quem está focado em seu trabalho, algum hobby, distração, laser ou responsabilidade mais séria, está na companhia de sua opção de tempo, então não está só, ainda que à sua volta não existam pessoas. Quem está executando um instrumento, um violão ou um piano, está acompanhado da música que executa e com a qual se delicia. Quem está fazendo um bolo, está junto da expectativa de vê-lo pronto, crescido e cheiroso.Ninguém que esteja engajado em alguma tarefa está só, porque a sua tarefa o acompanha por isso, impossível viver em solidão porque, mesmo os depressivos estão em companhia de sua morbidez e fuga da realidade, sua companhia diária, incondicional, enquanto que as pessoas positivas, estas que se permitem amar a vida com seus espinhos e flores, estão usando as pedras e as sementes do seu caminho “solitário” construindo pontes e plantando árvores para aqueles que viajam acompanhados de seus sorrisos e lágrimas, de seus triunfos ou fracassos, porém nunca sós.

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