Às vezes parecem surgir palavras novas por aí, as pessoas acham bonito dizer e saem por aí repetindo. Empatia é uma coisa bonita, parece até nome de tratamento médico, mas, no final das contas é um pouco, viu? A empatia envolve três componentes: Afetivo, cognitivo e reguladores de emoções. Partilhar a compreensão do estado emocional do outro, refletir, perceber uma situação vivida por alguém. Em um resumo básico, é colocar-se no lugar do outro. A empatia requer exercício diário assim como a reciprocidade, ah, estas duas juntas são feito pizza com Coca-Cola ou um filme da Marvel com a DC. Se alguém espera empatia sem ser recíproco é na verdade conveniente, e quem espera reciprocidade sem ser empático é com certeza oportunista.

Noite passada numa conversa fui lembrado de uma vez que parei o trânsito pra socorrer uma velhinha que caiu ao tentar atravessar a rua com pressa; ela teve um corte profundo na mão e eu acompanhei ela até em casa, ao meu redor, pessoas assustadas, mas sem reação; veio a calhar que a conversa foi com a neta dela e o que eu consegui dizer no meio de um sorriso foi: Que jeito bom de ser lembrado né!? Isso já tem uns dois anos e não acho que merecesse exposição nenhuma ou recompensas, não consigo ver mérito na gentileza e na empatia, porque simplesmente é algo que todo ser humano deveria praticar, é assustador que ser gentil seja incomum. Incomum deveria ser a grosseria, a arrogância e o egoísmo.

Minha Mãe sempre me disse que as vezes uma pessoa pode ser bonita, mas se não agir com essa boniteza nos gestos, torna-se feia; como sempre, Mãe sempre tem razão. De que adianta ser inteligente se não tiver bondade nos olhos; de que adianta falar vários idiomas se não falar de bem; não faz sentido ter, se não consegue dividir; o coração não vê, só sente. Com o passar do tempo e a chegada branda da maturidade a gente percebe isso nos amigos, na família; há quem diga que só te vê sorrindo, porque não partilha seus pesares; há quem queira bons ouvidos mas é incapaz de ouvir quem está aflito; há quem está disponível para comemorações mas nega-se ao luto; há quem só está por perto quanto precisa, quando quer, quando acha que deve. Um cara lá de Nazaré já disse: “Não há mérito algum em amar o outro quando ele merece, o amor está em amar ainda que o outro falhe”.

Se você entrar na vida de alguém, seja só pra entregar o seu melhor. Seja sincero, se interesse pela vida do outro, ouça o que tem pra contar. Torna-se mais simples quando você pensa em como você gostaria de ser tratado; faça disso um hábito, no amor ou na amizade. Às vezes a sorte bate na porta da gente dando uma oportunidade de sermos bons, testando nossa capacidade de sermos humanos e construir relações saudáveis; o que a gente faz a partir daí é escolha, a gente atrai aquilo que emite e não há alternativas.

Invista na mutualidade, não seja preguiçoso, não deixe de lado, não deixe de responder, de ouvir. Tenha carinho, intensidade e paciência. O mundo é um eco, meu amigo. Aquilo que você faz, te encontra, cada vez mais cedo, então que venha e que seja bom. Tente ser lembrado pelas boas atitudes, porque com toda certeza seus erros vão ser lembrados. Seja alguém que faz falta, de quem se tem aquela saudade gostosa. Todo o resto a gente conversa, entende, espera. É assim que se exercita a Empatia.

Giovane Galvan

Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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Giovane Galvan
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