Tô passando aqui pra te lembrar o quanto você é incrível. Eu talvez fale mais sobre isso, mas antes de tudo, deixa eu te contar uma história. Eu já me apaixonei algumas vezes, já me enganei com o que imaginei, já não fui o que esperavam de mim; é, acontece. Entre idas e vindas eu encontrei o sentido que explica como nós estamos tão perdidos. Mora em nossos corações uma série de tentativas frustradas de amar, de histórias com pontos finais que a gente custa entender e que só o tempo explica. Olhando pra quem saiu da minha vida eu reconheço cada uma das minhas falhas, pode apostar; mas eu também entendi, olhando com calma e com um olhar mais sereno e experiente os verdadeiros motivos pelos quais as histórias precisaram chegar ao fim.

Ao logo do tempo conheci mulheres incríveis que se fecharam pro amor com uma preguiça disfarçada de falta de interesse, porque simplesmente se cansaram das mesmas cantadas, das mesmas abordagens que subestimam e que desrespeitam. Um machismo intrínseco, nativo de almas criadas em relações carregadas de comodismo e apego a um conservadorismo obsoleto. É triste ver uma geração que engoliu sua felicidade individual a seco pelo bem do que se tornou tradicional. Em mim, nasceu logo cedo uma admiração imensa por mulheres extraordinárias, que foram mãe e pais, que abriram mão de si pela felicidade de suas crias, todo esse deslumbre me segue até hoje, eu sou fã das mulheres, eu tenho fascínio pelo seu poder sobre a vida, pela força e pela resiliência. A mulher se regenera diante de qualquer pesar, cresce ainda mais forte.

Foi preciso passar um tempo sozinho, entender as minhas exigências pessoais pra assimilar quem e o porquê deveria estar em minha vida; com isso veio à tona uma paz, de quem percebeu a duras penas o porquê de cada partida. É que eu amo as mulheres extraordinárias. Me encanto pelas que não se limitam, me apaixono pelas que são livres, que acreditam em si mesmas e buscam todos os dias tornarem-se cada vez mais independentes, altruístas, opinativas e empoderadas. Gosto daquelas que não aceitam metades, que são oito ou oitenta, que não se contentam com menos que merecem. Eu admiro as mulheres que não se colocam em submissão, que olham no espelho crentes do poder que tem frente ao mundo. Que fazem suas regras e não se condicionam ao apego do ego, mas entregam-se livremente ao respeito raro carregado de amor. E por falar nisso, amo aquelas que desejam o mundo todo com sede. Eu sou fã das mulheres cujo nenhum adjetivo é capaz de descrever, que nem toda poesia do mundo é capaz de desvendar.

A beira da maturidade traz pra dentro do peito um sossego, de quem se esforça, ‘as vezes errando’, pra ser o tipo de pessoa que deseja conhecer. É triste se deparar com uma mulher incrível, moldada as mãos de homens sem coragem, sem fé em si mesmos, incapazes de amarem a liberdade de quem fica por amar, e não pela coação diária de quem não confia em si mesmo e por isso prende; decepa as asas de quem por ter visto voar, o encantou. É preciso ter coragem pra amar as mulheres livres, é preciso crer em si mesmo, amar a si mesmo pra compreender que estar ao lado de alguém dona de si é um presente, que o amor começa com a admiração mas que morre diariamente diante das tentativas de controle e com a falta de espaço para a felicidade individual. É que pra ter fé no outro, é preciso ter fé em si mesmo.

Sorte a nossa que brotam cada vez mais estes seres cuja secura do mundo não é capaz de impedi-las de crescer. Que iluminam o escuro que insiste em cessar sua luz. Sorte a minha encontrar, todos os dias, mulheres extraordinárias para aprender a amar. Mulheres como você!

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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