Nós nos tornamos a incrível geração que usa camisinha no coração. Afinal, não é mais fácil dar o corpo do que se entregar de afeto e alma? Não é mais fácil ter um orgasmo do que encontrar companheirismo? Não é mais fácil achar alguém para tirar sua roupa do que poder contar com alguém para te preparar um chá quando preciso? Sim. É muito mais fácil.

A cada dia que o sexo se tornava mais banal na nossa sociedade, o amor assumia a condição de “raro”. E o que fizemos para lidar com a falta de amor? Passamos a temê-lo, a evitá-lo, a negá-lo. Além de preservativo nos corpos, passamos a usá-lo no coração. Afinal, ninguém quer se apaixonar sozinho, se doar sozinho, acreditar sozinho.

É mais fácil todos nós nos tornarmos prevenidos e desacreditados. Assim evitamos a dor, não sem antes evitarmos o amor, é claro. Mas devemos mesmo aceitar a condição e nos dar por vencidos? Por que não sermos diferentes, resistentes, crentes? Foi através desse questionamento que eu encontrei a minha saída: parafraseando Elisa Lucinda em seu poema sobre a corrupção, quanto mais esse mundo for frio, mais afetuosa serei, só de sacanagem. (Já dizia minha mãe: Natália é teimosa e do contra).

Vou dar meu afeto sim. Vou dar meu melhor sim. Vou ser verdadeira sim. Se o outro não valorizar, isso simplesmente não muda quem sou. Apenas muda meu comportamento perante ele. Continuarei sendo alguém que acredita na beleza dos sentimentos e dos relacionamentos. Continuarei dando o meu melhor a quem merecer e me der de volta o melhor também (sim, porque se só um lado receber, está errada a equação).

Eu quero sentir meu coração vivo, pulsante. Ainda que isso, por vezes, o machuque. Eu sei que ele se reestabelecerá. Eu quero a liberdade do sangue correndo, da vida se renovando. Eu quero ser redundante e sentir os sentimentos em sua totalidade. Aos fabricantes de preservativo para o coração, aos adeptos do “oba oba” e aos praticantes da lei do desapego, apenas um pedido: distância. Eu estou indo na direção contrária.

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Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”

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