O que esperar de uma sociedade que banaliza o sexo e torna raro o afeto? A pergunta que vem me acompanhando já há algum tempo. Naquilo que o afeto seria o encontro de almas, o sexo seria a sua extensão: o encontro de almas seguido pelo encontro de corpos. Mas na liquidez dos relacionamentos atuais, nas inseguranças que preferimos fingir não ter e na banalização do desejo, o sexo foi reduzido a apenas um encontro de corpos de almas estranhas que quase sempre não são almas afins. Excitante? Desculpe, eu acho maçante. O aspecto carnal por si só não é tão interessante se o prelúdio da conversa também não o for. É um tipo de interesse mais perecível do que o leite da feira. Data e hora pra acabar. Quase sempre encontra o fim logo após sua consumação. E aí parte-se em busca de outro litro de leite.

A verdade é que o sexo que une e transcende é tão raro quanto o genuíno afeto. Mas o mundo em que vivemos insiste em dissociá-los e reduzi-los, nos definindo meramente como seres biológicos cujo objetivo central é o próximo orgasmo. Tão simples, cotidiano e desinteressante quanto estar em uma fila.

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Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”

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