Gostaria de obter autorização para visitar “Maracangalha”, por um dia apenas, que fosse.

Você me receberia com aquele abraço, aquele sorriso, aqueles olhos azuis mais ternos do mundo, me daria o seu braço e me levaria a caminhar…

Parece que sinto sua mão segurando a minha, enquanto nossos passos brincariam de soldado, e você me ensinaria novamente como se marcha.

Você me perguntaria como vão as coisas, o que tenho feito, se admiraria com o que já fiz, e me diria para não me preocupar tanto com o que ainda não fiz. Sem que eu pedisse, me faria entender que tenho dado conta do recado.

Acho, também, que me agradeceria por estar ensinando bastante coisa sobre você aos que vieram depois. Me confirmaria que os conhece e ama, e cuida deles do exato jeitinho que eu falo que você cuida.

Aliás, diria que sim, me ouve todas as noites e que segura todas as minhas lágrimas, assim como sorri junto a cada sorriso meu.

Se eu pedisse, e apenas se eu pedisse, porque você não é de falar demais, me daria algum conselho, bem baixinho, como quem conta um segredo ou uma notícia rara.

Por fim gostaria de saber se ando simpatizando com alguém. Você não aceitaria meu olhar vago, me garantiria que conversou com Helena e atestaria que ela virá.

Viria à tona cada uma das minhas melhores memórias, em que você é, quase sempre, o protagonista da minha história.

Você diria que a história continua, eu tentaria entender, depois prometeria aceitar, mas só se você prometer jamais me deixar só.

*Escrito em 13.05.2011 – após um “encontro” com meu pai no dia do seu aniversário. Mesmo que ele não esteja mais presente fisicamente, nos encontramos sempre. No dia 13 de maio, o encontro é mais especial. Geralmente resulta em algumas palavras escritas, após algumas lágrimas e a certeza de que estamos sempre juntos, como ele prometeu.

Mônica Moro Harger

Arquiteta, tia, madrinha de sete. Apaixonada por gente e palavras, desde cedo fez dos “escritos” uma forma de homenagem: à vida, à família, aos amigos. No início de 2018 reuniu alguns textos no facebook e ganhou leitores assíduos, mais amigos e novos sonhos. Desde então, divide os projetos com as palavras - além do cinema com os afilhados (um ou dois de cada vez) e do café com a “menina da sala ao lado”. Vive em Curitiba, onde coleciona memórias, ímãs de viagem e recados na geladeira.

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  • Maravilhosos estes seus textos, querida! Fico admirada com a sua incrível e (aparentemente) infinita fonte de inspiração. Siga em frente se maravilhando com tudo e com todos e dividindo seu encantamento com a gente!

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