Marcel Camargo

O circo só pega fogo quando damos confiança ao palhaço

Deve haver explicações fundamentadas na psicologia que expliquem o comportamento de muitos, por aí, que consiste em dar audiência para o que deveria ser ignorado. Basta percebermos adolescentes rindo das gracinhas descontextualizadas de um aluno sem limites, para que isso se torne claro. Afinal, por que tanta gente que não oferece positividade acaba se destacando?

Talvez, quando somos adolescentes, isso se justifique pelo fato de que, nessa fase, queremos ser aceitos e fazer parte de um grupo. Trata-se de uma idade de contestação e autodescobrimento, ou seja, o diferente, o ousado, tudo o que parece coragem nos atrai, mesmo que não seja algo que se enquadra no que é tido como desejável socialmente. Por isso é que muitos jovens chegam a admirar quem não é admirável.

No entanto, quando amadurecemos, deveríamos nos libertar dessa busca por aceitação, haja vista já não precisarmos de que aquilo que vem de fora regule o que somos dentro de nós. Mas não, existem pessoas que nunca parecem se acomodar e viver a vida sem estardalhaço, tampouco sem provocar celeuma onde estiverem. Necessitam de atenção o tempo todo e, pior, chamam para si os holofotes sendo chatos, inconvenientes.

Na verdade, às vezes, teremos que nos impor de maneira antipática, gritando nossos limites, lutando pelos nossos direitos, para que não sejamos engolidos e diminuídos pela maldade alheia. Muitos confundem solicitude com servidão, bondade com escravidão, calma com aceitação, e tentarão passar por cima de quem não oferecer resistência alguma, tratando mal, ditando ordens, inventando regras que convenham ao seu ego.

No entanto, existe quem nunca concorda com nada, quem não se dispõe a ajudar de maneira alguma, sentindo-se melhor e maior do que os demais. Contestam com agressividade, fingem brincar sendo preconceituosos, chamando a atenção para si mesmos com imaturidade e inconsequência. Parece que necessitam da discórdia e da discussão permanente para sobreviverem.

Fato é que, enquanto houver alguém dando ibope, essas pessoas manterão seu comportamento desagradável, pois seu ego estará recebendo o alimento de que precisa. Portanto, não seja plateia de programa ruim, de espetáculo inútil, de palhaço sem graça. Somente o retorno vazio é capaz de brecar comportamentos desagradáveis. A chatice morre quando ninguém mais liga para ela. Acredite: ignorar com sabedoria nos faz viver mais e melhor.

Marcel Camargo

"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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