Tem dias que a vida me enjoa. O mundo me enjoa. Sei lá, parece que toda podridão se acumula e resolve cair no meu colo de uma só vez, sem nem avisar. Eu fico parada olhando lixo, sem saber por onde começar. Fecho os olhos – é mais fácil não ver, ignorar. Como jogar fora um lixo que não é meu? Não dá.

Ontem foi um dia estranho. Sei lá, já faz um tempo que os dias tem estado estranhos. Eu me tornei uma parte de um sistema que não gosto – nem um pouco. Sei lá, está tudo encaixadinho demais, copiado demais, padrãozinho demais, modinha demais. Estamos cercados de mais do mesmo, sabe?

E eu nunca gostei de ser mais do mesmo, então me incomodo um bom tanto por isso.

Ontem eu sentei e me olhei. Olhei para a minha história, olhei para as minhas coisas passadas, olhei para as entrelinhas que deixei impressas em algum lugar, com algum sentido, com algum amor mal resolvido, com algo por dizer que não fora dito.

Olhei para dentro, para quem fui quando comecei a me expor. E olhei para o lixo de fora, para a mesmice, para o combo que funciona e fiquei enjoada. Quando foi que ‘ser autêntico’ deixou de ser bom? Quando foi que começamos a virar cópias malfeitas uns dos outros, dizendo as mesmas coisas, vestindo as mesmas roupas, usando os mesmos emojis e roubando histórias, fotos e hashtags só para conseguir um like maroto ou outro?

A própria comoção virou uma corrida desenfreada de curtidas.

Sei lá.

Tem dias que a vida me enjoa. E ontem eu fiquei enjoada.

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Mafê Probst
Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha abraçar o mundo e se espalhar por aí. Nascida e crescida no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol e frutos do mar.

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