O que somos no apagar das luzes de um domingo à noite? O que somos longe dos nossos celulares e redes sociais? O que somos quando não há ninguém nos olhando? O que somos longe dos filtros do Instagram? O que somos por trás de nossas fotos sorridentes? O que somos por trás de nossos sorrisos que se apagam quando os flashs vão embora? Quais as marcas que trazemos por trás de um rosto maquiado? Quantas lutas se escondem por trás dos nossos momentos de vitórias? Quantas palavras não ditas ficaram presas no silêncio de uma conversa que não existiu? Quantos sonhos que nunca saíram do papel? Quantas lágrimas já rolaram sem ter ninguém pra nos ajudar a segurá-las? Quantos medos já nos fizeram perder o sono e a paz? Quantas pessoas passaram pela nossa vida, deixando marcas que dificilmente o tempo vai apagar? Quantas vezes já tivemos vontade de largar tudo e partir sem rumo pra qualquer lugar? Quantos momentos deixamos de viver por medo de um futuro que talvez nem viesse a existir? Quais eram nossos sonhos de criança? O que pensamos todas as noites antes de dormir?

Perguntas que dizem sobre quem somos, que falam dos nossos sonhos, que falam da nossa essência, que falam das nossas marcas, que mostram o que há por trás do que descrevemos em nosso perfil nas redes sociais, que falam sobre o que sentimos, que falam sobre quem e o que amamos. Somos mais do que aquilo que escrevemos sobre nós, somos mais que nossas fotos com copos na mão e luzes coloridas, somos mais do que rostos que sorriem, somos mais do que tentamos mostrar ao mundo. Somos um amontoado de sentimentos, medos, dúvidas, saudades, ansiedades, alegrias, mágoas, dores. E sobre nós, só nós sabemos. Só nós sabemos o quanto nos custa levar a vida que levamos, ter o que temos, ser o que somos. Só nós sabemos as dores que passamos até aqui, as quedas que nos lançaram pra um abismo de sofrimento, as lutas que travamos para conquistar cada vitória, os medos que tivemos antes de tomar cada decisão que implicava mudança. Só nós sabemos o que nos angustia, o que nos corrói, o que nos faz chorar de emoção ou de alegria. Só nós sabemos o sofrimento que alguém já nos causou sem ao menos se dar conta, só nós sabemos quantas vezes encharcamos o travesseiro de lágrimas, só nós sabemos quantos momentos nossas forças nos abandonaram. E se mal sabemos sobre nós mesmos, o que afinal sabemos do outro? Pouco ou quase nada – é insuficiente para nos acharmos no direito de julgar ou opinar na conduta de alguém. Sabemos sobre o que o outro nos mostra, mas isso é apenas uma pequena ponta do que ele é, então, quase nada sabemos. Façamos nossas escolhas e deixemos que os outros façam as deles. Cada um sabe a dor e a delícia de ser aquilo que é, já diria Caetano Veloso.

Então, cuidemos para que ao enxergar o outro não vejamos apenas a máscara que ele está usando naquele momento, mas tudo que há por trás daquele ser humano que se apresenta a nós. Sejamos mais tolerantes e menos julgadores, cada um já está lidando com seus próprios julgamentos sobre si.

Imagem de capa: Zodiacphoto, Shutterstock

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Josielly Pinheiro Westphal
"Psicóloga de vez em sempre, organizada de vez em nunca. Escreve sobre coisas aleatórias e em momentos mais aleatórios ainda. Tem mania de observar tudo ao seu redor, mas tem opinião formada sobre bem poucas coisas. Aprendiz na arte de encerrar ciclos e de se abrir para novas experiências. Acredita em Deus e nas pessoas. Gosta muito do mar, de sol, da família, dos amigos. Corre, malha, faz trilha, come e bebe quando tem vontade. Sensível e durona, teimosa e manhosa: HUMANA.

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