Você já se fez essa pergunta? Já parou observando sua vida, tentando desfazer aqueles nós praticamente impossíveis de se desatar, pra chegar ao começo do fio e quem sabe, com sorte, conseguir fazer um novo novelo de lã?

Já tentou desembaraçar os cabelos sem precisar se valer de uma tesoura pra cortar bem rente aquele começo dos nós? Já cortou os nós dos cabelos, e percebeu logo em seguida que não precisava ter feito um estrago tão grande se tivesse tido um pouco mais de paciência e persistência em pentear calmamente as madeixas, até elas desembaraçarem?

Mas às vezes a gente se vê no meio caótico dos nós das nossas vidas e não consegue enxergar as saídas, muito menos o princípio de tudo. Ficamos nos perguntando onde foi que erramos e vamos seguindo os fios no sentido contrário, tentando achar lá atrás a raiz de tudo.

E percorrendo os fios na contramão, revivemos, uma a uma, as sensações que pertencem ao passado, sem filtros, repassando o bom e o ruim, confundindo nosso discernimento e só o que conseguimos é fazer mais nós naquilo que já está confuso.

Onde foi que tudo começou? Onde foi que você errou? Será que dá pra voltar lá naquele ponto e fazer tudo diferente?

Dá não! O que passou, passou. Não volta mais, mesmo que você segure firme na linha embolada da sua vida e tente desatar os nós. Dá sim pra desatar os nós, mas você precisa saber que a linha vai ficar marcada, talvez danificada e que você precisará repassar por todo aquele caminho já percorrido. Os bons e os ruins. Seja como for, o novelo nunca mais será o mesmo.

Mas me diga… Você já encontrou a resposta? Onde foi que você errou?

Eu encontrei. Fui lá onde achei que errei e descobri frustrada, que o erro havia começado um pouco mais atrás. Aí voltei mais um pouquinho. Ainda não era ali. Mais um pouquinho… Não, ainda não! Desesperada, percebi que talvez não devesse ter nascido! É… É assim que a gente pira, se acha o coco do cavalo do bandido, um aborto da natureza.

Mas aí disse pra mim: Não, não, não! Nada disso! Deixa disso! Se você está aqui, nessa vida, é porque precisa estar. Agora levanta essa cabeça e vai!

E eu vou. Ainda embolando tudo, na mais completa incapacidade de administrar meus novelos de lã ou os nós dos cabelos. Como estratégia, mantenho os cabelos curtos, quando não, presos. Abandonei a vida de tricotar! Resultado? Achei onde eu errei!

Bem resumidamente, todo o meu erro se constituiu em projetar nas outras pessoas aquilo que deveria vir de mim. Porque é tão mais gostoso ser vítima e arrumar desculpas pra gente mesmo, não é?! Hããã, não! Não é! É momentaneamente gostoso e posteriormente sufocantemente embolado viver entre esses nós que a gente faz.

Eu errei quando falei: não foi minha culpa! Quando o brinquedo da minha irmã apareceu quebrado, quando não terminei a tarefa na escola por causa da conversa, quando um babaca achou que podia namorar comigo aos 10 anos de idade, quando matei aula fugindo com os colegas pelo buraco na cerca da escola, quando roubei cigarros do meu pai (desculpa, pai!), quando namorei o cara errado, quando terminei com o cara certo, quando namorei pelos motivos errados, quando me sentia sozinha e culpava aos outros pelo abandono que sentia, quando o telefone não tocava, quando aquele emprego legal não bateu na minha porta e eu não fiz a faculdade dos meus sonhos, quando permaneci num emprego que era um porre, eu sempre, sempre disse, ainda que silenciosamente: Não foi minha culpa!

Sempre havia um motivo para aquilo que eu fazia ou deixava de fazer. Era mais gostosinho não me sentir tão culpada e ser vítima das circunstâncias. Quem sabe foi aquele castigo imerecido que minha mãe me deu quando eu tinha 4 anos, ou a separação dos meus pais, ou a covardia de um ex, sei lá, seria tão melhor se qualquer um deles fosse culpado pela culpa que eu tinha.

Acontece que… Eu errei. Fiz escolhas erradas, pelas motivações erradas. Fiz escolhas certas, pelas motivações erradas. Mas eu sempre tive a oportunidade de dizer SIM ou NÃO. No entanto, eu nem sempre disse a coisa certa e o resultado foi que os nós foram surgindo ao longo do caminho.

O erro está lá dentro da gente. A vida com os pais é ruim, o casamento é ruim, o emprego é ruim? Por que você está vivendo isso? Quem te obriga?Talvez você me diga, como eu disse pra mim mesma: “É complicado, só quem vive sabe. Tenho que pagar contas, tenho que cuidar dos meus pais, não consigo me manter sozinha, tenho filhos, blá, blá, blá…”

Conheço tudo isso! Porque eu usei e ainda uso muitas dessas muletas, dessas desculpas e essa meia-culpa. É tão mais confortável não pensar que tudo o que vivo de ruim é minha responsabilidade. Tão mais gostoso pensar que as coisas boas são porque eu fiz assim e as ruins, é culpa do outro!

Sabe onde foi que eu errei? Errei quando permiti. Quando fui conivente. Quando fiz vista grossa. Quando ignorei o sinal de alerta. Quando disse sim sabendo bem lá no fundo que deveria dizer não e vice-versa. Quando me omiti, quando menti, quando fugi, quando enfrentei batalhas que não era minhas, quando me negligenciei. Errei nas escolhas que fiz. Escolhi errado. Foi aí que eu errei.

Mas não adianta nada repassar isso agora. Não muda nada. Todos os caminhos percorridos de certo modo me construíram e indubitavelmente, me ensinaram. Por essa razão, sempre que eu me traio pensando onde foi que eu errei, lembro a mim mesma que seja como for, não esqueci de me ater ao fato de que tudo foi um aprendizado. Por vezes aprendi pelo amor… E muitas outras, pela dor.

Onde foi que eu errei? Errei quando não assumi a responsabilidade. No mais, eu só aprendi. E você também!

Imagem de capa: deepredocean, Shutterstock

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Luciana Marques
Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.

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