Todos nós temos algum tipo, nível ou grau de carência afetiva. A maioria de nós traz essa fome de afeto de experiências de não-amor vividas na infância. Atenção negada, abraços adiados, beijos censurados, silêncios opressores… cada um de nós sabe exatamente as feridas emocionais que carrega; ou pensa saber.
O que nos diferencia uns dos outros nessa questão dos buracos afetivos, é que alguns de nós têm consciência disso; outros, não se reconhecem nesse lugar; outros, negarão até a morte; e os casos mais graves: aqueles que vivem a bradar por aí que isso tudo não passa de uma enorme bobagem.
Se é coisa da cabeça ou de outro lugar menos conturbado de nós, eu não sei. O que eu sei é que a nossa maneira de estar no mundo e de nos relacionarmos com o outro é o que vai mudando o ritmo, a letra e a melodia da nossa música interna. Aquela música chiclete que não para de tocar em nossa frequência modulada emocional. E essa música foi composta, nota por nota, antes mesmo de virmos ao mundo.
E se tem uma coisa que é verdade, é que a gente dança conforme a música. Uns de forma mais desinibida, dando show na pista da vida; outros só no balancinho do corpo ou da cabeça, outros apenas ensaiam uma coreografia interna e não revelada… mas dançamos todos. Às vezes no sentido figurado, isso também é bem verdade.
Acontece que nesse vai e vem de nossas almas e corpos pela vida afora, de vez em quando a gente cria coragem e esfrega bem essa casca de carências sobre acumuladas e deixa a pele respirar, deixa a alma à vontade para ensaiar uma dança diferente, menos engessada e pesada de expectativas, no encontro com outros pares.
E esses encontros são tão raros e lindos que, muitas vezes, a gente corre o sério risco de acreditar que não temos direito a eles, que não os merecemos; que, no final das contas, pode ser que a gente não leve mesmo jeito para esse tal de amor. Que pena… que pena…
Porque na ânsia de sermos amados e de fazermos as pazes com todas as nossas pendências amorosas, acabamos por negligenciar afeto e acolhimento a quem jamais deveríamos abandonar: nós mesmos!
Porque baseados em crenças que nos sabotam o direito a um peito livre para receber afeto, vamos tecendo casulos de proteção… e nos apegamos tanto a esses casulos que abrimos mão do processo doloroso – porém libertador -, das inúmeras metamorfoses a que temos direito.
Abrir as asas recém tecidas e tímidas, bem devagarinho… com ternura e aceitação. Com respeito à sua transitória imperfeição. Encantar-se com as novas asas e ganhar o espaço desconhecido. Provar outros néctares, conhecer outros jardins. Até que seja a hora de nos misturarmos com outro alguém que ouse voar ao nosso lado, mesmo sabendo que o voo possa ser breve… ou simplesmente por acreditar que há voos que são para sempre, dentro de um “sempre” onde caibam os medos e as coragens de dois seres que, de tudo nessa vida, aprenderam que a única ´permanência real é a eterna transformação.
Imagem de capa: NANCY AYUMI KUNIHIRO, Shutterstock
Nos dias de hoje, os hobbies online fazem cada vez mais parte da rotina de…
Durante muito tempo, os jogos online foram vistos apenas como uma forma de entretenimento leve,…
O futebol sempre foi emoção, imprevisibilidade e paixão. Durante muito tempo, o papel do adepto…
No universo das apostas desportivas, compreender o mercado é tão importante quanto escolher um bom…
Psicóloga em Socorro (SP): Josie Conti atende presencial e online com EMDR e psicoterapia psicodinâmica.
Entrar no mundo do casino online pode parecer simples à primeira vista, mas quem quer…