Fabíola Simões

Você não vai se curar voltando para o que te deixou em pedaços

Há um ditado que diz: “Gato escaldado tem medo de água fria”. Isso serve para diversas situações da vida, e significa que aqueles que sofreram com alguma situação, farão de tudo para que ela não se repita.

Você não precisa viver blindado, se protegendo de sentir demais, amar demais, confiar demais. Porém, é necessário aprender a se resguardar, a se preservar, a não entregar seu coração para qualquer um, a não expor suas dores de graça nem ser publicitário de suas dificuldades e carências.

Jamais estaremos imunes a sermos machucados pelas circunstâncias da vida. Viver é um exercício de resiliência e aprendizado, e somente aqueles que não se aprofundam, preferindo viver superficialmente, não se expõem aos riscos. Mas também não vivem. Também não experimentam os desatinos e delícias de amar profundamente; não conhecem o gosto salgado da pele que transpira e dos olhos que choram; não saboreiam a conquista da intimidade e a dor da vulnerabilidade com a mesma coragem.

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Porém, às vezes a gente se confunde. E sente falta de um relacionamento ruim por causa das emoções oscilantes que ele proporcionava. Essa adrenalina vicia. Você pensa que sente falta da pessoa, mas o que está fazendo falta é a emoção _ nem sempre positiva _ que a relação despertava em você. E agora que está livre e pode surfar em águas mansas e cristalinas, você se pergunta onde foi parar aquela tempestade que te movia.

Não caia nessa. Você não vai se curar voltando para o que te deixou em cacos. Você não vai se reerguer reprisando a mesma história dolorosa. Pois as pessoas não mudam, e aquilo que te machucou e te fez menor do que realmente é, não pode se repetir. Não há segundas chances para aquilo que um dia te causou dor e sofrimento. Não há segundas chances para aquilo que algum dia te despedaçou. Só quando você aprender a recusar a dor, irá adquirir amor próprio. Só quando você desistir de tentar compreender o incompreensível, irá conquistar uma fé enorme em si mesmo.

O que nos cura não é o retorno para aquilo que nos feriu. O que nos cura é deixar de tentar consertar o que não tem conserto e parar de dar desculpas para justificar nosso desejo de olhar para trás, para aquele lugar de dor e sofrimento. O que nos cura é dar um basta à tentação de imaginar que as coisas poderiam ser melhores se a gente tivesse agido diferente. O que nos cura é nos redimir pelo que não deu certo e seguir em frente dando uma nova chance à bela e dolorosa passagem do tempo…

Imagem de capa: Maksim Shirkov / Shutterstock

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Fabíola Simões

Fabíola Simões é dentista, mãe, influenciadora digital, youtuber e escritora – não necessariamente nessa ordem. Tem 4 livros publicados; um canal no Youtube onde dá dicas de filmes, séries e livros; e esse site, onde, juntamente com outros colunistas, publica textos semanalmente. Casada e mãe de um adolescente, trabalha há mais de 20 anos como Endodontista num Centro de Saúde em Campinas e, nas horas vagas, gosta de maratonar séries (Sex and the City, Gilmore Girls e The Office estão entre suas preferidas); beber vinho tinto; ler um bom livro e estar entre as pessoas que ama.

View Comments

  • Eu estava precisando ler isso hoje , muito obrigada como sempre suas palavras nos fazem refletir e enxergar as coisas.

  • Nossa, exatamente o que precisava ler!! Muita clareza e lucidez nos teus textos!!! Muito muito obrigada!! Preciso ler todo dia pra ver se entra na cachola!!

  • Gratidão pelas palavras. Sua escrita tocam minhas dores mais intimas. Mas me alimentam de esperança, de amor pela vida. Obrigada

  • História ruim se finaliza com um ponto final para começar uma outra história que a gente sempre torce para que seja a certa e feliz.
    Sentindo sua falta no meu blog.
    Bom domingo.Bjs.

  • Achei o texto excelente só discordo profundamente dessa parte "Pois as pessoas não mudam". Isso não é verdade e é claro que não devemos contar com isso sempre. Tenho muito interesse em saber porque muitas pessoas pensam assim pois sei bem que, pessoas mudam. Você disse que não devemos viver as dores passadas, certinho. Eu até concordo que, quando um relacionamento se torna insustentável devemos seguir nosso rumo porem devo deixar claro que relacionamento nenhum que quebre deve ser jogado fora pois podemos concertar, pois as pessoas não são objetos. Por serem usadas acabam se tornando psicóticas, sociopatas e cheias de patologias metais e assim acabam por fazer outros sofrerem, então digo que essas doenças podem ser curadas e pessoas mudam. Resumindo, tire "Pois as pessoas não mudam" que seu artigo atinge os 100%. Grande abraço doutora!

    • Concordo com você. As pessoas estão sempre mudando caso contrário não se justificaria a vida. Também concordo que relacionamentos que se quebrem não devem ser jogado fora. Por vários motivos o primeiro as pessoas mudam e depois cada história de vida é unica.

  • Tudo é tão relativo. Não existe padrões ou conceitos a seguir. Os acontecimentos, as circunstâncias, as vivências e as pessoas são únicas. Nada impede uma pessoa de tentar reconstruir um relacionamento que foi bom por um longo periodo, mas em um determinado momento se tornou doloroso e difícil.Tudo é possível e essa possibilidade está dentro de nós. Porque sim nós mudamos constantemente e acredito que sempre para melhor. Caso contrário permanecemos nos nossos erros. Nós mudamos ao longo da vida com nossas experiências.

  • Preciso ler esse post todos os dias até ter a coragem de acabar com o que me causa tanta dor, física, psicológica e moral.
    Obrigada Fabíola Simões por palavras tão sábias com fundamentos específicos na alma de quem carrega tanta dor e sofrimento. Será o meu mantra.

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