Por Ana Josefina Tellechea

Pode parecer meio reducionista, mas sabe aquela roupa caríssima que você comprou – mesmo sabendo que ia se matar pra pagar- e não se arrepende por ter pago esse preço mais de 5 anos depois, pois ela permanece com seu tecido em perfeito estado e ainda parece ter se adaptado ao seu corpo?

Fico observando a dinâmica da sociedade. As tendências de outrora, depois de anos esquecidas, voltam com tudo e nós (ou a grande parte de nós) achamos o máximo aderir a uma releitura da moda. Engraçado perceber que o casamento esteve “fora de moda” por bons anos. A geração dos anos 80/90 (a minha) pareceu crescer em uma sociedade em que as relações não eram mais levadas a sério. As pessoas casam-se e separam-se como trocam de roupa. Experimentar era a palavra da vez. Quando se ouve a palavra “viver” ela parece ser totalmente antagônica à palavra “casar”. Como se os dois se repelissem. Quem quer experimentar, experienciar, curtir, provar, crescer, não casa; quem quer uma vida monótona e sem novas experiências, casa.

Cresci ouvindo as pessoas dizerem que não querem casar-se cedo, pois isso atrapalharia seus planos de uma vida de sucesso profissional e pessoal. Confesso: me sentia uma estranha. Por vezes me perguntei se eu realmente fazia parte desse planeta, já que desde os 14 anos eu namorei – e namoro – o mesmo rapaz.

Por muitas vezes- inúmeras, talvez infinitas- eu me perguntei se era isso que eu queria pois como menina que era me sentia coagida a agir como a enorme maioria das meninas da minha idade. Mas eu refletia e entendia que não me sentia incapaz de fazer tudo o que eu queria, já que a minha relação não me fazia sentir presa a nada ou a alguém, pelo contrário, sentia-me feliz e realizada por estar, primeiramente, com um amigo.

Ouvi muitos dizerem que o casamento era uma instituição falida, que as relações não duram mais, que as pessoas não sabem mais amar, que todos os homens são iguais. Sim, as pessoas mudaram, o mundo muda, as sociedades mudam e isso vai ocorrer sempre; talvez a nova dinâmica que vem se estabelecendo nos relacionamentos tenha dado a falsa impressão de que o amor não existe mais e de que o preço a se pagar por casar-se com alguém seja muito alto.

Me perdoem aqueles que resolveram nunca se casar, mas que nem sequer tentaram, e ficam perpetuando a falsa ideia de que casar é um sacrifício, vocês estão errados! (com todo o respeito).

Talvez para alguns a experiência tenha sido desagradável e nós seres humanos com nossa mania de rotular, acabamos enxergando em qualquer possível relação tudo de ruim que já nos aconteceu. As experiências negativas fazem parte das nossas vidas, e nem por isso quer dizer que todas elas serão. O grande problema está no fato de acharmos que as desilusões são parâmetro para tudo, já que, infelizmente, não fomos preparados pela vida (e pela superproteção dos nossos pais) para elas. O que existe é a falsa ideia de que quando não há casamento, há uma certa segurança em não sofrer novamente algum tipo de desilusão, e com isso vamos dando espaço a uma verdadeira ilusão.

Me atrevo a dizer aqui, que estamos vivendo um momento de grandes revoluções, nas tecnologias digitais, na educação, na economia, na política e também no amor. Talvez o grande fluxo de informações e o acesso que temos a elas sejam responsáveis por isso. Antes o que se dizia estava posto e instituído como verdade. Então nos disseram que casamento sai caro, por isso desistimos desse “investimento”, hoje podemos ver relatos de experiências de jovens que se casaram e que, como eu, acham mesmo é que pagaram pouco ou nada pela grande oportunidade de autoconhecimento e de uma vivência única.

Ao conviver intensamente com alguém o amadurecimento é consequência, quando se está aberto a isso. A intimidade de um casal, quando plena e despida de tabus (e não estou me referindo apenas ao sexo) é impagável, não há qualquer preço que eu possa atribuir a isso.

Talvez eu esteja sendo otimista ou até mesmo prevendo um futuro que não está muito distante, mas o que percebo é que os jovens cansam de um dia se “divertir” sozinhos e percebem a importância da amizade.

Amizade? Mas não era casamento?

Se amizade é algo que precisa de amor, se amizade é algo que precisa de honestidade, se amizade é algo que precisa de respeito, se amizade é algo que precisa de companheirismo e tudo mais que já sabemos; então o casamento tem sua base na amizade, sim. E amizade é algo que não tem preço, com sexo então, nem preciso falar. Se você tem um/uma amigo/amiga assim, case-se. isso de “se casar estraga”, não é verdade, melhora!!! E quando você menos espera, melhora ainda mais e você percebe que qualquer preço que possa ter pago por isso, valeu a pena.

Talvez o casamento tenha deixado de ser tendência por um tempo, mas a “moda” parece estar voltando, e pode ter certeza, é um verdadeiro artigo de luxo para aqueles que percebem seu real valor!

Para ler mais da autora acesse Obvious

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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