Existe uma parábola africana chamada “O Sapo e o Escorpião”. Nela, o ferrão do escorpião é mais forte que sua empatia pelo sapo, e não importa quão amigos eles tenham se tornado, em algum momento a “natureza” do escorpião fala mais alto que a amizade e o reconhecimento pelo sapo.
 
A parábola:
 

Certa vez, um escorpião aproximou-se de um sapo que estava na beira de um rio.

O escorpião vinha fazer um pedido:
“Sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?” 
O sapo respondeu: “Só se eu fosse tolo! Você vai me picar, eu vou ficar paralizado e vou afundar.”
Disse o escorpião: “Isso é ridículo! Se eu o picasse, ambos afundaríamos.”
Confiando na lógica do escorpião, o sapo concordou e levou o escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.
No meio do rio, o escorpião cravou seu ferrão no sapo.
Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para o escorpião e perguntou: “Por quê? Por quê?”
E o escorpião respondeu: “Por que sou um escorpião e essa é a minha natureza.”


 Infelizmente existem sapos e escorpiões. E com o tempo a gente aprende que tem que se proteger. Porque não dá para passar a vida toda levando ferroadas. Porque não dá para passar toda uma existência esperando afeto, recompensa ou reconhecimento de onde nunca virá. Porque cada um tem uma “natureza”, e você nem sempre encontrará pessoas que se importam; nem sempre esbarrará em almas carregadas de empatia 

Algumas pessoas simplesmente não se importam. E sua função nesse mundo não é tentar mudá-las, não é tentar fazê-las agir diferente.
Sua missão é aprender a se proteger, a se resguardar, a manter certa distância do perigo. Porque se você não aprende isso, se não entende isso, certamente vai se machucar, certamente vai ter dor.

Tem gente que não sabe se cuidar. Seja por inocência, imaturidade ou inconsciência. Não protege a si mesma nem aos seus. E sem querer é conivente com o escorpião. Autoriza sua natureza, permite seu veneno, imagina-se capaz de domá-lo.

Supondo que conosco será diferente, que nosso amor bastará para neutralizar o veneno do escorpião, agimos feito sapos _ e morremos em vão…

“Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…”

(Lenine)


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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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