Se você não se formou em Arqueologia. Pare de revirar o passado!

Você se formou em Arqueologia? Tem interesse por assuntos paranormais? Tendências masoquistas? Não?! Então, por que cargas d’água está aí revirando o passado do seu bem?

Não negue! Eu bem vi você fuçando nas redes sociais, no celular, no bolso e onde mais pudesse atuar no melhor estilo Sherlock Holmes em busca de vestígios que validassem o seu “aháá, eu sabia!”

Sabia o que, exatamente? Que a pessoa que hoje se constitui seu presente tem um passado? E será que você não tem, não?

Eu não sei porquê a gente tem essa mania besta de revirar o baú empoeirado do passado e trazer para o presente fantasmas que só fazem assombrar a nossa realidade. Não entendo porquê temos o hábito hipócrita de ignorar nossa própria vida, agindo de forma egoísta e possessiva.

O que te importa saber as posições sexuais que a outra pessoa já experimentou, quantas pessoas beijou, o grau do sentimento que teve por quem já passou pela vida dela? Por que essa insistência em fazer comparações que não agregam nada na sua vida e, especialmente, na sua vida com essa pessoa que você diz amar?

A linha que separa o equilíbrio da psicose é tênue, quase imperceptível. E a gente transpõe esse limite com uma facilidade incrível. O mais triste é que não é culpa do outro, mas nossa. E aqui, talvez você discorde dizendo “mas eu tenho motivos para desconfiar, ele já me traiu – ou – ele já traiu a outra, o outro, enfim!”. Oi?

Bom, primeiro temos um impasse aqui. Se você já foi traído por esse amor e permaneceu com ele, entendemos que você ama muito essa pessoa a ponto de (tentar) perdoar. Ou é masoquista. Sempre é bom considerar essa possibilidade, caso viva com fantasmas arrastando correntes entre vocês.

Agora, se sua desconfiança se baseia no comportamento dessa pessoa em outros relacionamentos, eu tenho que te dizer “oras, por favor, né?!” Assim não há relacionamento que aguente!

Você pega uma história linda entre vocês dois e a borra toda, rebuscando um passado que nem sequer te pertence. Para quê? Me diga!

Por mais triste que pareça, está tudo dentro da gente. Nossa mentalidade é que molda o nosso comportamento e as nossas ações e motivações. É aqui que eu volto a dizer que, não é culpa do outro, mas nossa. O que a pessoa fez no passado com outras pessoas ou talvez com você não faz mais diferença uma vez que se tornou passado.

Não adianta nada você revirar as redes sociais ou ter um ‘pit’ toda vez que surgir um comentário antigo (ou de alguém antigo) em um post. Não adianta se incomodar se por acaso esse passado bater na porta querendo entrar. Adianta sim, você fazer do seu presente o melhor presente para o caso de o passado ressurgir ou se fazer presente por um momento.

Não muda nada se você obrigar uma outra pessoa a excluir tudo o que for possível na vida dela que remeta ao passado. Se seu medo é que ela reviva isso dentro dela, não se esqueça, lá dentro você não pode mexer, por mais controle o que queira ter.

É confiar ou confiar. Mais em si do que no outro. Tampouco muda você saber se ele amou muito ou pouco, se você é melhor ou pior… Você está no presente. Isso responde tudo, não acha?

Além disso, o passado pertence ao livro da vida e as páginas desse livro são irremovíveis. Acostume-se com isso, porque você também viveu isso.

Então… Se você não é arqueólogo, paranormal, masoquista… Dê valor no presente que você ganha todos os dias, fazendo por merecer viver no presente e projetando o futuro, mas deixando o passado no lugar que lhe pertence: lá atrás.

A estrada que você trilha agora é você quem faz!

Imagem de capa: Burdun Iliya, Shutterstock

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Luciana Marques
Luciana Marques é curitibana, nascida em 1981, mãe de dois filhos, Bióloga, formada em Educação Ambiental e Gestão Empresarial, trabalha como gerente administrativa e se diverte como escritora. Escreve por amor e hobby desde pequena. Encontrou nas palavras uma maneira de transcrever os sentimentos e sua visão de mundo, às vezes de forma intensa e complexa, outras simples e em muitas, desconexas. Acha que escrever é conversar com o mundo lá fora e com seu mundo interior.

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