“Só existe um tipo de gente: gente.”

O trecho foi retirado de um dos livros mais famosos da Literatura Mundial: “O sol é para todos”. Com uma narração peculiar, o Librarian Journal dos EUA deu sua maior honraria da história à obra, elegendo-a o melhor romance do século XX. Em 2006, uma pesquisa na Inglaterra colocou “O sol é para todos” no primeiro lugar da lista de livros mais importantes e o motivo é um só: o livro trata de assuntos polêmicos e escancara as verdades que a sociedade tenta esconder.

Depois de “O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, “O sol é para todos” foi um dos livros mais impactantes que li. Isso porque, além de se tratar de um clássico contemporâneo, o livro possui profundidade e sutileza peculiares.

De forma bem resumida o livro trata de temas fortes como racismo, violência e injustiça. É a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista.

A história é narrada em primeira pessoa, a partir dos olhos inocentes da personagem Scout (também chamada por Jean Louise), uma menina que viveu em Maycomb, no Alabama, em uma época em que o preconceito reinava entre as pessoas.

Tendo sido criada por seu pai, a menina aprende a ser honesta e forte, mesmo diante de uma sociedade racista e violenta. Sem entender a diferença, da época, entre negros e brancos e a as conseqüências do racismo, Scout tenta levar os ensinamentos pregados pelo pai para sua vida: “a única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa”.

Dividido em duas partes, a obra relata minuciosamente algumas situações de preconceito, violência e injustiça. Na primeira parte, temos a visão da sociedade pelos olhos doces de Scout que, detalhista, descreve as personagens da sua vizinhança com riquezas de detalhes (essa parte do livro é de suma importância para o desenvolvimento da história). Já na segunda parte do livro, os preconceitos, a violência e as injustiças enfrentados pelas pessoas ficam evidentes.

A obra toda é marcada por ensinamentos. Na verdade, são tapas na cara de uma sociedade egoísta e hipócrita, que enxerga apenas o que lhe interessa: “Se só existe um tipo de gente, por que as pessoas não se entendem? Se são todos iguais, por que se esforçam para desprezar uns aos outros?”

Com temas envolventes e pesados, o livro inspira o leitor a ser corajoso diante das situações corriqueiras de violência e preconceito: “[…] Coragem é fazer uma coisa mesmo estando derrotado antes de começar – prosseguiu Atticus. – E mesmo assim ir até o fim, apesar de tudo” (pág. 143).

Definitivamente, “O sol é para todos” não é uma obra simples de ler, embora a linguagem seja simples e acessível. O que dificulta são as emoções, misturadas à revolta, que tomam conta do emocional do leitor enquanto percorre a leitura.

Um conselho: leia! O divisor de águas de sua percepção acontecerá depois disso.

Imagem de capa: reprodução

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Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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