Era pra ser antes

Queria ter te encontrado antes. Não só na vida, isso é claro, eu queria, ter quem sabe trombado você naquela esquina do cachorro quente onde eu paro alguns minutos por dia. Queria ter te encontrado na padaria esperando meu expresso pela manhã. Queria ter cruzado teus olhos no caminho de casa, eu largaria o celular, eu perguntaria seu nome. Quem sabe te ver enquanto vejo minha caixa de correio, vazia.

Queria ter te encontrado antes de perder um pouco de fé no amor e nas pessoas. Queria ter te beijado antes de sentir medo de me perder num beijo, teu. Queria ter te encontrado ali, no portão da sua casa, onde você toma teu sorvete preferido. Lá onde o sol vela tua pele. Eu queria ter você antes, antes de tudo.

Era pra ser antes, logo na primeira vez que eu sorri bobo falando contigo. Logo que pensei: “caramba, tem que ser ela”. É que todo dia que passa a realidade chega, só pra me dizer que a vida não é sonho. Queria ter me aconchegado no teu peito antes de me perguntar que cheiro seu colo tem, e o “será”, trazer um frio que assusta. Medo de não ser a gente. Dá medo, num dá?

Logo eu que já vinha pregando o silêncio armado, a autoproteção, disfarçada de sorriso na qual me entrincheirava pra me proteger de olhos como os teus, que me enchem de sorrisos e me bagunçam inteiro. Pra ti baixei a guarda, emiti cessar fogo, abri o peito. Era pra ser antes, mas que mal tem ser agora? Meu amor, tenho fé na gente, tem que ser você, se não for, se não der em nada, já deu, amor.

@giovanegalvan

Imagem de capa: Keep Smiling Photography, Shutterstock

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS




Giovane Galvan

Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here